Exemplo De Predicativo Do Objeto - Exemplo De Predicativo Do Objeto - FDPLEARN
Exemplo De Predicativo Do Objeto - FDPLEARN

O que é predicativo do objeto e como identificar

A maioria dos alunos confunde predicativo do objeto com complemento nominal porque a estrutura parece idêntica no papel. A diferença prática é simples: o predicativo do objeto se refere ao objeto direto, enquanto o complemento nominal se liga a um substantivo abstrato. Na prática, o predicativo do objeto aparece quando um verbo transitivo direto é seguido de um termo que atribui uma qualidade ou estado ao paciente da ação.

exemplo de predicativo do objeto

Vou dar o exemplo clássico que serve de base para tudo. "Os alunos consideraram a prova difícil." Aqui, "difícil" é o predicativo do objeto porque se refere a "prova", que é o objeto direto do verbo "consideraram". Se você trocar por "a prova estava difícil", aí é predicativo do sujeito, porque "difícil" passa a referir-se ao sujeito "a prova". Essa troca é onde a maioria erra. Outro exemplo: "Encontrei-o cansado." O pronome "o" é o objeto direto, e "cansado" é o predicativo do objeto. O verbo "encontrar" é transitivo direto, e o adjetivo atribui um estado ao objeto. Simples, quando você para de complicar.

Aqui vai um caso que dá trabalho na hora da análise: "Achei-o capaz de liderar a equipe." Alguns material didático classifica "capaz" como predicativo do objeto e para por aí. Outros tentam analisar "de liderar a equipe" como complemento do adjetivo e acabam embaralhando a hierarquia. O correto é manter "capaz" como predicativo do objeto, ligado ao OD "o", e tratar "de liderar a equipe" separadamente como complemento nominal do adjetivo "capaz". São duas camadas diferentes na mesma oração. Minha dica prática: antes de assinalar um termo como predicativo do objeto, faça o teste do "estar". Se o objeto diretamente pode "estar" naquela condição descrita pelo termo, é predicativo. "A prova estava difícil" — funciona. "O problema era grave" — funciona. O teste não cobre todos os casos com verbos como "declarar" ou "nomear", mas resolve uns 80% dos exercícios que aparecem em provas.

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Verbos que mais causam confusão

Verbos como "chamar", "nomear", "eleger" e "considerar" são os que geram mais dúvida. Com "chamar", por exemplo, a construção pode funcionar como predicativo do objeto ou como aposto, dependendo do contexto. "Chamei-o de louco" — "de louco" é predicativo do objeto. "Chamei-o João" — "João" aqui pode ser interpretado como aposto de apposition, não predicativo. A preposição "de" é o marcador que geralmente indica predicativo nesses verbos de classificação. Já com "ter" e "reconhecer", a coisa fica mais clara. "Tenho-o por amigo." "Por" aqui introduz o predicativo do objeto. É uma construção mais culta, rara no falado, mas frequente em provas formais. O erro comum é achar que "por amigo" é complemento verbal. Não é. O complemento de "tenho" é só "o". O resto é predicativo.

Uma armadilha que vejo sempre em correções de redação e em bancas de concurso: "A notícia deixou todos preocupados." Muita gente marca "todos" como sujeito e "preocupados" como predicativo do sujeito, quando na verdade "todos" é objeto direto de "deixou", e "preocupados" é predicativo do objeto. O verbo "deixar", nesse sentido, é transitivo direto e requer um objeto. O teste do "estar" funciona perfeitamente aqui: "todos estavam preocupados" confirma a relação.

Predicativo do objeto x complemento verbal

A linha entre predicativo do objeto e complemento verbal é tênue quando se trata de adjetivos, mas se dissolve completamente com substantivos. "Ele elegeu-o presidente." "Presidente" não é complemento do verbo "eleger" no sentido de objeto indireto ou direto — já temos "o" como OD. "Presidente" é o que se convencionou chamar de predicativo do objeto, pois atribui uma função ao objeto. Isso é diferente de "Ele nomeou-o diretor", que é a mesma estrutura, só que com substantivo comum. A gramática normativa trata ambos como predicativo do objeto, mesmo que alguns autores prefiram "predicado nominativo" ou terminologia similar. O problema é que muitas gramáticas informais chamam esses casos de "objeto complemento" ou simplesmente "complemento", o que gera confusão na hora da análise sintática. Se você está estudando para concurso, verifique qual banca você vai enfrentar. Cespe e FGV tendem a usar "predicativo do objeto" de forma bem ampla, enquanto outras bancas podem preferir divisões diferentes, especialmente com verbos de declaração.

Quando o predicativo do objeto não aparece

Nem todo adjetivo que vem depois de um verbo transitivo direto é predicativo do objeto. Se o adjetivo for parte integrante do complemento verbal, isso muda. "Ele considers a situação delicada." Aqui "delicada" é predicativo. Mas "Ele encontrou o livro interessante." Depende do que você quer dizer. Se significa que o livro é interessante, é predicativo do objeto. Se significa que ele achou o livro interessante (opinião), ainda é predicativo do objeto. A ambiguidade existe e é real, mas na prática analisatória, a convenção é tratar como predicativo sempre que o adjetivo se referir ao OD. Cuidado também com orações reduzidas de infinitivo. "Vi-o chegar cansado." "Cansado" pode ser predicativo do objeto "o", ou complemento do verbo "chegar" na subordinada. A análise mais conservadora trata "cansado" como predicativo do objeto da principal, ligado ao "o". Mas esse tipo de ambiguidade aparece com frequência em questões mais elaboradas, e a resposta correta depende do enunciado.