O conceito é simples na teoria e chato na prática. Nomes — substantivos, adjetivos e alguns advérbios — exigem preposições específicas. Não dá pra adivinhar. Tem que saber, ler, e às vezes revisar porque a norma culta às vezes entra em contradição com o que a gente ouve todo dia.
Aqui vai um exemplo prático que vejo todo dia em textos de alunos e até em revisores leigos errarem.
exemplo de regência nominal
A relação de amizade com ela — correto. O substantivo "relação" rege a preposição "de". Dizemos "relação de", não "relação com" quando se trata do vínculo em si. Ele é favorável ao projeto — correto. O adjetivo "favorável" rege a preposição "a". A crase aparece porque "a" + "o" = "à". Esse é um dos casos em que a crase é dica de regência correta.
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Ela está ciente do problema — correto. "Ciente" rege "de". Não existe "ciente sobre" na norma padrão. Já vi muita gente escrever "ciente sobre", e soa natural na fala, mas na escrita formal é erro.
Como saber quais preposições cada nome pede
Não existe lista definitiva publicada, mas as construções mais recorrentes seguem padrões que você pode internalizar. Comece pelos adjetivos, porque são os que mais aparecem em redações e concursos.
A tabela abaixo resume os mais importantes:
| Nome / Adj. | Preposição exigida | Exemplo |
|---|---|---|
| amigo(a) | de | Ele é amigo dela |
| favorável | a | Sou favorável à medida |
| ciente | de | Estou ciente dos riscos |
| orgulloso(a) | de | Orgulho-me dela |
| capaz | de | Ele é capaz de tudo |
| digno | de | Um homem digno de respeito |
| obediente | a | Obedece às regras |
| subordinado | a | Todos estão subordinados ao diretor |
| próximo | de | A casa é próxima da escola |
| semelhante | a | O resultado foi semelhante ao esperado |
Se você decorar esses dez, já cobre a maioria das questões de prova. O problema é que a língua não para neles.
O caso que me pegou desprevenido uma vez
Eu estava revisando um texto técnico sobre compliance e o autor escreveu "em consonância com as normas". Parecia errado na minha cabeça. Eu sempre associei "consonância" a "com", então "em consonância com" parecia redundante. Pesquisei, confirmei: o certo é "em consonância com sim, é aceitável", mas a forma mais elegante e recomendada pela norma é simplesmente "consoante as normas". O prefixo "con-" já carrega a ideia de acordo. Usei essa forma no texto revisado e o cliente achou estranho no começo. Depois aceitou.
Esse é o tipo de coisa que só aparece quando você lê bastante texto bem escrito e compara com o que os dicionários e gramáticas dizem.
Pegadinhas que ninguém avisa
O adjetivo "grato" merece atenção especial. Muita gente escreve "grato com você" achando que está certo porque "agradecido com" também se ouve muito. Na verdade, a regência tradicional pede "grato a". "Agradeço a você", "sou grato a você". O "com" é coloquial e aparece cada vez mais, mas em documentos formais ainda é marca de errore.
Outro ponto: "vis-a-vis". Esse termo francês é usado como adjetivo ou advérbio e rege a preposição "a" implícita na própria palavra. Não se diz "vis-a-vis com". Erro comum em textos jurídicos.
O que fazer quando não tem certeza
Consulte um dicionário de regência. O Houaiss e o Novo Dicionário da Língua Portuguesa têm verbetes específicos. Ferramentas online também ajudam, mas muitas reproduzem o erro de quem as alimentou. Prefira fontes confiáveis.
Se estiver numa redação ou documento formal e a dúvida persistir, reescreva a frase para evitar a regência problemática. Trocar "digno de confiança" por "que merece confiança" resolve o problema sem risco. Às vezes a solução mais inteligente não é escolher entre duas opções duvidosas, mas simplesmente contorná-las.
Quando a regência nominal falha
Ela não funciona bem em linguagem informal. Em conversas do dia a dia, as preposições mudam, se dissolvem, se juntam com outras. "Morar perto de você" vira "morar pertinho de você" ou até "morar perto você" em registros bem informais. Isso não é erro social, é variação. O problema aparece quando alguém transpõe a variação para um contexto onde a norma padrão é exigida — currículo, petição judicial, artigo acadêmico.
A melhor defesa contra erros de regência nominal é leitura frequente. Não adianta decorar tabelas se você não encontrar essas construções repetidamente em textos bem escritos.