Como resolver exercícios de forças intermoleculares sem errar nas questões de prova
A maioria dos estudantes erra em exercícios sobre forças intermoleculares porque confunde polaridade da molécula com tipo de ligação, ou porque esquece que London (dispersão) existe em TODAS as moléculas, inclusive nas apolares. Eu já corrigi centenas desses exercícios e o padrão de erro é sempre o mesmo. Vamos direto ao ponto. O exercício pede para você classificar as forças intermoleculares presentes em certas substâncias e justificar. A ordem certa de análise é: primeiro identifique se a molécula é polar ou apolar, depois veja se há H ligado a F, O ou N (para identificar ponte de hidrogênio), depois dipolo-dipolo, e por fim London. Londres sempre está lá como força de fundo.
Exercício sobre forças intermoleculares passo a passo
Considere a seguinte situação típica de prova: classifique as forças intermoleculares do HCl, do CH e do HO, e justifique a diferença nos pontos de ebulição entre eles. O erro mais frequente é escrever que HCl tem ponte de hidrogênio. Não tem. O hidrogênio do HCl está ligado a cloro, e cloro não é suficientemente eletronegativo para formar ponte de hidrogênio significativa. HCl tem apenas dipolo-dipolo e London. O PE dele é cerca de -85°C. Água ferve a 100°C por causa das pontes de hidrogênio fortes — cada molécula pode doar e aceitar até duas pontes, criando uma rede tridimensional.
Já o metano (CH) é apolar por simetria tetraédrica. Mesmo tendo H ligado a C, o carbono não é eletronegativo o suficiente, e a molécula não tem dipolo permanente. O CH depende exclusivamente de forças de London, que são fracas em moléculas pequenas assim. Por isso o PE é cerca de -161°C, muito inferior ao do HCl. Aqui vai um insight que quase ninguém ensina: a força de London NÃO é desprezível em moléculas grandes, mesmo apolares. O iodo (I) é apolar e sólido à temperatura ambiente justamente porque suas forças de dispersão somadas ao longo de uma molécula grande superam o dipolo-dipolo de moléculas menores e polares como o HCl gasoso. Massa molar e superfície de contato importam muito para London. Muitos alunos esquecem disso e assumem que apolar = sempre volátil, o que é falso.
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Outro ponto que cai em exercícios avançados: a relação entre massa molar e força de London. Para halogênios, o PE sobe conforme a massa aumenta — F gasoso, Br líquido, I sólido. Isso é pura evidência experimental de que London escala com o número de elétrons e a polarizabilidade da nuvem eletrônica. Se o exercício pedir para ordenar substâncias por PE, comece descartando as que têm ponte de hidrogênio (elas ficam no topo), depois considere dipolo-dipolo, e só então use massa molar como critério para London. Dica prática que economiza tempo na hora da prova: memorize a regra dos três para ponte de hidrogênio — H precisa estar ligado a F, O ou N. Se não estiver, não tem. Ponto. E lembre-se que forças intermoleculares NÃO são ligações químicas. Você nunca deve dizer "a molécula tem uma ponte de hidrogênio covalente" — isso é errado. A ponte de hidrogênio é uma atração intermolecular, não uma ligação intramolecular.
Se o exercício pedir para explicar por que o álcool etílico é mais viscoso que o éter dimetílico (ambos CHO), a resposta está nas forças intermoleculares diferentes: o etanol tem OH livre, forma ponte de hidrogênio; o éter tem oxigênio entre dois carbonos, mas nenhum H ligado diretamente ao O, então só tem dipolo-dipolo e London. Diferença estrutural pequena, efeito físico enorme. Um caso limite que me pegou em uma correção: alguns alunos classificam o NH como tendo força de London menor que a do CH porque NH é mais leve. Errado. O NH tem massa molar 17 g/mol, o CH tem 16 g/mol — praticamente iguais. A diferença no PE (NH a -33°C vs CH a -161°C) não vem de London, vem da ponte de hidrogênio do NH. Quando massas molares são próximas, a polaridade e as pontes de hidrogênio dominam a comparação. Só when masses differ substantially que London se torna o fator decisivo.
Para resolver qualquer exercício sobre forças intermoleculares com segurança, siga este roteiro interno: escreva a estrutura de Lewis, verifique a geometria (sem geometria certa você não sabe se é polar), identifique átomos de H ligados a F/O/N, classifique a força predominante, e só então compare PEs. Se pular a etapa da geometria, erra em cerca de 60% dos exercícios que envolvem moléculas como CO (apolares por simetria) ou SO (polares porque a geometria angular quebra a simetria). O SO é outro clássico: muitos alunos olham e acham apolar porque é uma molécula triatômica e pensam "igual ao CO". Não é. O CO é linear (sp), as cargas se cancelam. O SO é angular (sp² com par solitário no enxofre), então o dipolo não se cancela. Força predominante: dipolo-dipolo. PE do SO é -10°C, bem maior que o do CO que é sublimação a -78°C. A diferença é puramente geométrica.
Resumindo sem resuminhar: exercicio sobre forças intermoleculares se resolve com método, não com chute. Geometria primeiro, polaridade depois, tipo de força em seguida, e só então a classificação final. Erros acontecem quando se inverte essa ordem ou se esquece que London está sempre presente, mesmo quando não é a força dominante.