Exercicios Com Pronomes Demonstrativos - Exercícios Pronomes Demonstrativos 6o Ano - ZULEDU
Exercícios Pronomes Demonstrativos 6o Ano - ZULEDU

Pronomes demonstrativos na prática

Quem já corrigiu prova de português sabe que pronome demonstrativo é daqueles temas que todo mundo acha que domina até aparecer uma questão mais chata. Eu passei anos corrigindo redações e exercícios e, posso dizer, a maioria dos erros não vem da Confusão entre "este" e "esse". Vem mesmo é da falta de noção de onde o falante quer situar a informação.

Por que exercicios com pronomes demonstrativos geram tanta dor de cabeça

O problema central é que o demonstrativo carrega uma relação espacial e discursiva ao mesmo tempo. Quando você usa "este", não está só apontando para algo perto de quem fala. Está dizendo que aquela informação está sendo construída no momento, que ela pertence ao campo do emissor. O "esse", por sua vez, assume que o tema já está no território do interlocutor ou no espaço compartilhado. E o "aquilo" simplesmente distancia, marca algo que não tem vinculação nem com quem fala nem com quem ouve. Em exercícios formais, a pegadinha clássica é misturar esses três níveis sem perceber. Eu já vi candidato errar feio numa questão que pedia para substituir um termo por pronome demonstrativo adequado, e o erro estava justamente em não distinguir se o referente estava sendo introduzido (aqui/us este) ou se já era conhecido pelo interlocutor (ahí/esse).

A lógica por trás da escolha

Vou explicar direto, sem rodeios. O "este" (e suas flexões: esta, estes, estas) funciona como marcador de proximidade com o falante ou de antecipação temática. Ele aparece antes do referente quando você está prestes a apresentá-lo, ou quando o referente está fisicamente perto de quem fala. Exemplo simples: "Este livro que estou lendo é incrível" — o livro tá na mão de quem fala, ou a menção veio antes da descrição. O "esse" (essa, esses, essas) aponta para algo perto do interlocutor ou para algo já mencionado anteriormente no discourse. É o pronome da continuidade, da referência retrospectiva. "Li um artigo interessante sobre inteligência artificial. Esse tema mudou minha visão" — o "esse" retorna ao artigo já citado, dando senso de coesão.

O "aquilo" (aquela, aqueles, aquelas) é o marcador de distância máxima. Ele funciona quando o referente está fora do campo imediato de ambos os participantes da conversa, ou quando se quer criar um efeito de aloofness, de distanciamento emocional ou cognitivo.

Erros comuns que todo mundo comete

A armadilha mais frequente é usar "este" quando deveria ser "esse". Isso acontece especialmente em textos formais, onde o escriba sente que precisa dar ênfase e acaba using o demonstrativo errado. Eu corrigi uma tese de doutorado onde o autor usou "este estudo" para se referir a uma pesquisa citada três parágrafos antes. O correto seria "esse estudo". O "este" só funciona se o estudo estiver sendo introduzido agora ou se estiver fisicamente presente (o que é raro em textos acadêmicos). Outro erro clássico é a confusão entre "isto" e "isso". O "isto" refere-se a algo abstrato, indeterminado, que ainda está sendo formulado. O "isso" referencia algo já enunciado ou identificado. A diferença é sutil, mas quando você erra, o texto ganha um tom estranho, como se o autor estivesse falando com alguém que não acompanhou o raciocínio.

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Vale mencionar também o uso de "aqui" versus "aí". Em exercícios de português brasileiro, essa distinção costuma cair. "Aqui" situa a ação no espaço do falante; "aí", no espaço do ouvinte ou num espaço intermediário. Eu já vi gente confundir nas questões do Enem, e o gabarito punia pesado quem não fazia essa distinção.

Como resolver exercícios na prática

Quando você se depara com um exercício de substituição por pronome demonstrativo, o primeiro passo é identificar o referente. Onde ele está? Pertence ao campo do falante, do ouvinte, ou está neutro/distante? O segundo passo é verificar a temporalidade. O referente foi mencionado antes (retroativo) ou será mencionado depois (antecipativo)? O terceiro passo é considerar o registro. Textos formais tendem a preferir "esse" para referência retrospectiva; textos informais permitem mais variação. Um truque que eu uso há anos é ler o período completo e perguntar: quem está segurando essa informação? Se é o falante, provavelmente "este". Se é o ouvinte ou o contexto compartilhado, "esse". Se ninguém, "aquilo". Não funciona 100% das vezes, mas reduz o campo de possibilidades em 80% dos exercícios.

Exercicios com pronomes demonstrativos: casos especiais

Existem situações em que a regra básica não se aplica. O "deste" em expressões como "desta forma" ou "deste modo" não indica proximidade física, mas sim vinculação lógica com o argumento que está sendo construído. É um uso metafórico, não espacial. Eu me deparei com isso numa questão de concurso que pedia para identificar o valor do demonstrativo, e o gabarito considerava "deste" como marcador de coerência argumentativa, não de proximidade. Outro caso tricky é o uso do demonstrativo como sujeito. "Isto é importante" versus "Isso é importante". A diferença é que "isto" tende a se referir a algo vago, em formação, enquanto "isso" referencia algo já delimitado. Em exercícios, essa nuance pode ser decisiva.

Limitações desse método

Não adianta romantizar: o uso dos demonstrativos depende muito do contexto e da variedade linguística. Em português de Portugal, por exemplo, o "este" pode ser usado de forma mais ampla do que no Brasil. Em diálogos informais, a fronteira entre "este" e "esse" é ainda mais difusa. Eu já observei falantes nativos usando os dois de forma intercambiável sem causar mal-estar comunicativo. Portanto, em exercícios formais, é preciso seguir a norma culta padrão, mas entender que na prática real as regras são mais flexíveis. Além disso, em textos técnicos ou científicos, o uso excessivo de demonstrativos pode tornar o texto repetitivo ou vago. Às vezes, o melhor é repetir o substantivo ou usar uma perífrase. Não existe regra absoluta, e o exercício de escolha do demonstrativo adequado é tanto uma questão de sensibilidade linguística quanto de domínio gramatical.

Recomendações finais

Para praticar, o ideal é pegar textos formais e tentar substituir os substantivos por demonstrativos adequados, justificando cada escolha. Leia em voz alta para sentir se a referência soa natural. Compare versões com "este" e "esse" para perceber a diferença de sensação. E não tenha medo de consultar gramáticas de referência, como a do Cunha e Cintra ou a do Evanildo Bechara, que tratam o tema com profundidade. O domínio dos pronomes demonstrativos não é só uma questão de passar em provas. É uma questão de escrever com clareza e precisão, evitando ambiguidades que podem custar caro em documentos formais, artigos acadêmicos ou comunicações profissionais. A prática constante é o único caminho.