Exercicios Sobre O Realismo - Exercícios Com Gabarito Sobre Realismo | PDF | Realismo (artes ...
Exercícios Com Gabarito Sobre Realismo | PDF | Realismo (artes ...

Entendendo o realismo literário na prática

O realismo como movimento literário surgiu no Brasil na segunda metade do século XIX, com a publicação de Lucíola, de José de Alencar, em 1862, e Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, em 1881. Mas o movimento propremente dito se consolidou com o prefácio de Nervos de Ouro, de Alfredo Taunay, e com o romance Os Sertões, de Euclides da Cunha, que mistura realismo com naturalismo. A diferença mais importante que os professores costumam cobrar em provas e exercícios é que o realismo foca na análise psicológica dos personagens, na crítica social e na representação objetiva da realidade, sem idealizações. O narrador pode ser onisciente ou personagem, e a linguagem busca o cotidiano.

Exercícios sobre o realismo

Na hora de montar exercícios sobre o realismo para alunos ou para estudo próprio, o recurso mais útil são as questões de análise de trechos. Você pega um parágrafo de Machado ou de Alencar e pergunta qual técnica narrativa está sendo usada, qual a posição do narrador, qual a crítica social presente. Isso é mais produtivo do que decorar datas e nomes de autores. Eu já corri por aí fazendo exercícios repetitivos de múltipla escolha que só testavam se o aluno sabia o nome do autor e o ano de publicação. Funcionava para passar na prova, mas não ensinava nada de verdade. Depois mudei para questões que pedia para o aluno identificar o tom irônico de Machado, por exemplo, e aí sim o conteúdo entrava.

Outro recurso que funciona bem é comparar trechos de romances realistas com trechos românticos do mesmo período. Pedir para o aluno notar as diferenças de tratamento da mulher, da crítica social, da narrativa em primeira versus terceira pessoa. A contraposição clareia muito o que o movimento propunha.

Como criar exercícios eficazes

Para criar exercícios de qualidade sobre o realismo, você precisa primeiro escolher bem os trechos. Não pegue trechos muito longos, porque o aluno perde o foco. Um trecho de cinco a oito linhas já é suficiente para analisar narrador, tom, tema e técnica. Pega um trecho de Dom Casmurro, por exemplo, e pergunta qual é a confiabilidade do narrador bentoniano. A resposta correta depende de o aluno perceber a ambiguidade, o que mostra compreensão do texto, não apenas memória. Uma coisa que muita gente deixa passar é que exercícios sobre o realismo brasileiro precisam incluir o contexto histórico. O movimento não surgiu no vácuo. A abolição da escravatura, a proclamação da república, a crise do escravismo, a urbanização do eixo Rio-São Paulo. Quando o aluno não consegue relacionar o texto com o momento histórico, o exercício perde metade da força.

Outro ponto: o realismo brasileiro não é homogêneo. Machado de Assis é completamente diferente de Alfredo Taunay ou de Raul Pompeia. Em O Ateneu, de Pompeia, por exemplo, temos uma mistura de realismo com simbolismo que confunde muita gente. Se o exercício não for cuidadoso, o aluno pode achar que Pompeia é puramente realista e levar uma sura na prova. Vale a pena criar uma questão que peça para identificar justamente essa ambiguidade de escola.

Problema prático que encontrei

Um dia eu montei uma lista de exercícios sobre o realismo e incluí um trecho de Canek, de José de Alencar, que muitos estudantes tratam como obra realista. Na verdade, é um romance indianista, anterior ao movimento. A maioria dos alunos acertou as perguntas porque o trecho parecia "realista" no sentido coloquial da palavra, mas o gabarito considerava a época e o gênero como critérios principais. Passei duas aulas corrigindo essa confusão porque o exercício tinha uma armadilha que eu mesmo não tinha previsto na hora de montar. A solução foi simples: sempre incluir no enunciado qual é o critério de classificação do trecho. Se o exercício pede para identificar elementos realistas, deixar claro que estamos falando de elementos estilísticos, não de período literário. Isso evita meio período de aula gasto em polêmica desnecessária.

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Questões comuns e armadilhas

Em exercícios sobre o realismo, as pegadinhas mais frequentes são: Confundir naturalismo com realismo. O naturalismo é uma vertente do realismo, mas com enfoque determinista biológico. Quando a questão menciona "hereditariedade", "meio" e "instinto", está falando de naturalismo, não de realismo puro. Machado não é naturalista no sentido estrito, apesar de alguns trechos de O alienista poderem enganar.

Achar que o narrador onisciente é sinônimo de realismo. Não é. O narrador onisciente existe no romantismo também. O que caracteriza o realismo é a objetividade, a crítica, a psicologia complexa, não a voz narrativa. Tratar todos os autores do período como realistas. Claro que não. Gregório de Matos é barroco. Castro Alves é romântico. O realismo é um movimento específico com data de início e características próprias.

Exemplo de exercício prático

Leia o trecho abaixo de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis:

"Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."

Questão: Qual elemento do realismo está presente nessa frase? O que muitos alunos respondem é "ironia", o que está certo, mas incompleto. O que se busca é a desilusão, o anti-idealismo, a crítica à ideia de legado e continuidade, típica da visão machadiana. A ironia é o veículo, mas o conteúdo é a desilusão existencial, algo que só o realismo traz para a literatura brasileira de forma sistemática.

Se você quiser materiais para baixar e usar em sala ou para estudo individual, existem sites como o Brasil Escola, o Stoodi e o InfoEscola que oferecem listas organizadas. O problema é que grande parte desses materiais é genérico e repetitivo. O melhor é criar seus próprios exercícios a partir dos trechos originais, como descrevi acima. O realismo continua sendo um dos temas mais cobrados no Enem e nos vestibulares, especialmente por causa de Machado de Assis. Dominar os exercícios sobre o realismo significa saber ler com atenção, não decorar listas. Os exercícios funcionam quando o aluno pensa, não quando decora.