Existencialismo O Que É - Existencialismo: o que é, tipos, ideias, filósofos - Brasil Escola
Existencialismo: o que é, tipos, ideias, filósofos - Brasil Escola

O que existe por trás da angústia existencial

Você já entrou numa loja e parou no meio do corredor perguntando a si mesmo se precisa mesmo daquele produto, ou se aquilo tudo é apenas uma construção social pra te vender algo que você não pediu. Isso tem nome. Se você está pesquisando existencialismo o que é, provavelmente já teve algum desses momentos em que a rotina parece estranha demais e o sentido das coisas desaparece de uma hora pra outra. O existencialismo não é uma filosofia de autoajuda. É um conjunto de ideias que nasceu nos salões parisienses dos anos 1940 e ainda incomoda porque obriga você a encarar que ninguém vai salvar você de dar sentido à própria vida. Jean-Paul Sartre escreveu isso na marra depois de ver o mundo desabar na Segunda Guerra. Simone de Beauvoir fez a mesma coisa, só que com uma diferença importante: ela percebeu que o existencialismo também explica como mulheres são tratadas como o Outro. Foi ela quem escreveu Sebastian e O Segundo Sexo, um livro de mais de oitocentas páginas que muda completamente a forma como as pessoas encaram gênero.

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A pergunta direta é: a existência precede a essência. Isso significa que você nasce sem um roteiro. Ninguém te deu um propósito antes de você chegar. Você só define quem é fazendo escolhas. A maioria dos cursos de filosofia começa aí, mas a tradução prática é mais complicada do que parece. A questão é que essa ideia gera o que Sartre chamava de "má-fé". É quando você diz "eu não tenho escolha" ou "foi o destino" pra se livrar do peso de decidir. O problema é que o mundo não para por causa da sua decisão. O que acontece é o oposto: suas decisões constroem o mundo pra você e pra quem tá por perto. Eu já vi gente passar três anos trancada num emprego que odeia dizendo que não podia sair porque tinha família pra sustentar. Acontece que esse é um tipo de má-fé existencia. Eles tinham outras opções, só que não queriam encarar a responsabilidade de escolhê-las.

Um erro comum de quem estuda existencialismo pela primeira vez é achar que isso é sinônimo de niilismo. Não é. Niilismo diz que nada tem sentido. Existencialismo diz que nada tem sentido predefinido, então cabe a você criar o seu. A diferença é abismal. Um niilista pode desistir de tudo. Um existencialista trabalha pra construir algo mesmo sabendo que nada é eterno. Outro ponto que os livros didáticos quase nunca mostram é que o existencialismo também tem um lado prático que muita gente não espera. Viktor Frankl, um psiquiatra que sobreviveu aos campos de concentração nazistas, usou princípios existencialistas pra criar a logoterapia. A ideia dele era simples: seres humanos aguentam qualquer sofrimento se tiverem um motivo. Ele não falava em religião. Falava em propósito construído. Isso é existencialismo aplicado, não só teoria de salão.

Eu já tentei explicar existencialismo pros meus alunos usando situações do dia a dia. Um deles me disse que estava travado porque não sabia se devia largar a faculdade de engenharia e seguir arte. Eu não disse o que ele deveria fazer. Perguntei apenas se ele estava fugindo da pressão dos pais ou se realmente queria aquilo. Ele chorou na hora. Era isso. A angústia existencial aparece quando você finalmente reconhece que a resposta tá dentro de você, não na voz dos outros. A parte difícil do existencialismo é que ele não te dá conforto. Ele te força a aceitar que até a sua recusa em decidir é uma decisão. Sartre dizia que estamos "condenados a ser livres". Isso não é uma coisa bonita de ouvir. É exatamente isso: você não pode não escolher. Even staying in a job you hate is a choice made out of fear, not freedom.

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Tem gente que usa existencialismo como escudo. "Eu faço o que quero porque nada importa." Isso é uma distorção perigosa. O existencialismo sério, o que Sartre, Beauvoir e Camus praticavam, exige responsabilidade. Se você age como se nada importasse, você tá apenas escondendo o medo de ser visto como Autor do próprio projeto de vida. Camus falou disso em O Mito de Sísifo: o verdadeiro herói existencialista é aquele que enfrenta o absurdo e mesmo assim segue trabalhando. Se você quer estudar isso de forma séria, comece com Sartre mesmo. O Existencialismo é um Humanismo é uma palestra curta de sessenta páginas que resume tudo. Depois parta para A Náusea, um romance onde o protagonista sente nojo da existência pura e simples.beauvoir, já, é obrigatória. Sem ela, você perde metade da conversa sobre liberdade e opressão.

Um detalhe técnico que pouco gente menciona: o existencialismo tem uma versão cristã e uma atea. Kierkegaard, o pai de tudo, era cristão. Sartre e Beauvoir não. A diferença prática é que Kierkegaard via a existência como caminho pro divino, enquanto Sartre via como caminho pra si mesmo. Ambos concordam num ponto: você precisa escolher. O resto é decoração. Se você levar existencialismo a sério, vai notar uma mudança comportamental em poucos meses. Começa na forma como você encara críticas. Em vez de levar pro lado pessoal, você pergunta: "isso reflete o que eu escolhi ser?" Se a resposta for não, a crítica simplesmente perde força. Funciona. Eu uso isso praticamente todo dia no trabalho e nos relacionamentos.

O único contraponto honesto que existe é o risco de paralisia. Quando tudo depende de você, às vezes você simplesmente não consegue decidir. A angústia fica tão pesada que a pessoa trava. Camus chamou isso de "o absurdo". A solução dele não era desistir. Era agir mesmo assim. Sartre tinha uma resposta parecida: a ação define quem você é, não o pensamento. Então se você tá travado, o conselho existencialista é fazer algo. Qualquer coisa. A ação quebra o ciclo. Se você quiser algo mais acessível do que os textos originais, tem livros de introdução como Existencialismo para Iniciantes do professor de filosofia inglês que resumem bem sem perder a nuance. Mas o caminho mais rápido continua sendo ler os clássicos mesmo. Nada substitui Sartre no original.

Acho que é isso. O existencialismo não resolve seus problemas. Ele apenas mostra onde eles estão. O resto é sua responsabilidade.