Ferreiro E Teberosky Publicaram O Livro Psicogênese Da Língua Escrita - Psicogênese da Língua Escrita - Emilia Ferreiro & Ana Teberosky | Livro ...
Psicogênese da Língua Escrita - Emilia Ferreiro & Ana Teberosky | Livro ...

O que o conceito de psicogênese realmente significa na prática

A maioria dos educadores ouve falar em níveis de escrita e acha que entendeu. A realidade é que aplicar o modelo corretamente exige um olhar diferente sobre o que a criança está fazendo, não apenas o que ela escreve no papel.

ferreiro e teberosky publicaram o livro psicogênese da língua escrita

O livro em si é uma compilação de pesquisas de campo feitas na Argentina nos anos 70, acompanhando crianças em processo de alfabetização. Elas observaram que os alunos passam por fases previsíveis na relação com o sistema escrito, e cada uma dessas fases tem regras próprias que a criança constrói mentalmente. A fase silábica, por exemplo, não é um erro aleatório. A criança estabeleceu uma regra interna: cada SíLABA do falado precisa de um sinal gráfico. Se ela escreveu "BOM" usando apenas "A", ela está dizendo com a letra que a palavra tem uma sílaba. O problema é que o sistema português é alfabético, então essa regra vai travar. Mas não adianta corrigir com caneta vermelha. A criança precisa encontrar uma contradição sozinha.

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Já vi professor insistir três semanas corrigindo escrita silábica e não ver avanço nenhum. O que funcionou foi pedir para a criança escrever palavras curtas como "gato", "pé", "bola" e depois comparar com palavras maiores do mesmo campo semântico. Quando ela vê que "gato" precisa de mais letras que "pé" para representar a mesma quantidade de sons, a hipótese alfabética começa a se formar naturalmente. Outro ponto que poucos mencionam: a fase pré-silábica. Muitos acham que criança nessa fase não tem lógica nenhuma. A lógica existe, mas é diferente. Ela usa letras como nomes próprios, aleatoriamente, ou repete a mesma sequência porque gosta do visual. Nesse momento, intervenção direta é inútil. O que adianta é expor a criança a textos reais, ler em voz alta regularmente, mostrar que escrito tem função social e não é só rabisco.

Há também uma armadilha comum. Professores gostam de etiquetar o aluno e parar de observar. Classificar como "silábico com valor sonoro" parece útil, mas se vira rótulo fixo. Uma criança pode estar silábica em palavras maiores e alfabética em palavras pequenas, dependendo do repertório. O nível não é absoluto. A avaliação precisa ser contínua, com amostras de produção variadas. Se quiser acessar o material original, a obra foi lançada pela Editora Artmed em edições recentes, mas existem versões mais antigas em bibliotecas universitárias. O importante é ler os capítulos sobre a construção do sistema, não apenas a tabela de níveis. É aí que está a informação prática para acompanhar o desenvolvimento de cada aluno no dia a dia da sala de aula.