Festa Da Folia De Reis - Folia de Reis marca encerramento do Natal da Mineiridade
Folia de Reis marca encerramento do Natal da Mineiridade

Organizando uma folia de reis doze na cabeça

A primeira coisa que todo mundo esquece é o cronograma. Não adianta começar a ensaiar em dezembro. Quem já fez uma folia sabe que o ideal é montar o grupo em setembro, escolher o repertório em outubro e ter os instrumentos prontos até novembro. O tempo médio entre a decisão de criar um grupo e a primeira apresentação é de quatro a cinco meses, mas isso depende da disponibilidade dos devotos e da complexidade das músicas que você escolheu. Os instrumentos básicos são três violas caipiras, um reco-reco ou chocalho, e um tambor ou pandeiro. Algumas comunidades usam sanfona. O violão é proibido na tradição mais ortodoxa porque quebra a harmonia acústica que o grupo precisa manter quando entra nas casas. Eu aprendi isso na pior forma quando organizei minha primeira folia em 2018: coloquei um violonista no grupo porque era o único que sabia tocar, e na terceira casa a familia rejeitou a presença dele, dizendo que aquilo não era folia de reis, era show de música sertaneja. Precisamos tirar o cara e improvisar com um terceiro violão de corda de nylon que eu tinha emprestado de um vizinho.

O que é festa da folia de reis e como ela funciona na prática

Folia de Reis, também chamada de Congado dos Reis ou Vovus, é uma celebração popular brasileira que mistura catolicismo, elementos africanos e influências indígenas. O objetivo central é honrar a visita dos Três Reis Magos ao menino Jesus, mas na prática isso se traduz em uma serie de visitas domiciliares cantadas que duram de três a doze dias, geralmente entre dezembro e janeiro. Os devotos entram nas casas cantando, dançando e levando benção para as familias. O repertório padrão tem cerca de trinta a quarenta músicas, divididas em canções de entrada, saiida, louvação aos santos, bendição das casas e os clássicos reis magos. Cada região tem suas particularidades: em Minas Gerais as músicas são mais lentas e solenes, no interior de Sao Paulo tem mais ritmo de samba de congado, e no Triangulo Mineiro as ladainhas têm estrutura diferente, com versos e respostas mais longos.

Uma coisa que os manuais não explicam é a hierarquia dentro do grupo. Tem o maestro, que comanda o repertorio e as mudancas de andamento; o capitão, que negocia com as familias anfitriãs e resolve problemas logísticos; e os devotos propriamente ditos, que cantam e tocam. Se você chegar sem saber quem é o maestro, vai causar confusao na hora de entrar numa casa e o dono pode pedir pra voce sair.

Problemas reais que todo mundo ignora

O custo médio para organizar uma folia completa varia de dois mil a quinze mil reais por temporada, dependendo do estado e do numero de integrantes. A maior despesa é com instrumentos e vestuario, mas tem coisas que ninguém conta: transporte, alimentacao durante os ensaios, doacoes obrigatórias pra igreja local, e quando um integrante fica doente no meio da jornada você tem que achar substituto com pressa, porque as casas já estão esperando. Em 2021, eu tive um problema específico que durou três dias: a viola numero tres Quebrou a corda sol durante uma apresentação numa casa de família no interior de Goiás, e o proprietário do instrumento tinha ido embora pra cidade grande sem deixar contato. A solução foi improvisar com uma viola de dezesseis cordas (corda dupla) que eu achou no porao de uma loja de musicais abandonada, ajustando a afinação manualmente com chave de tambor e um alicate. Funcionou, mas o som ficou ruim pra caramba e a familia ficou impressionada com a qualidade.

O risco legal também existe. Em vários municipios, a folia precisa de autorizacao da prefeitura pra atuar nas ruas, especialmente se usar amplificacao ou se apresentar em horários noturnos. Sem esse alvará, a policia pode multar o grupo, e as multas variam de trezentos a dois mil reais dependendo do municipio. Antes de começar, verifique na secretaria de cultura local se precisa de registro.

Diferencas regionais que importam

Não trate todas as folias como se fossem iguais. Em

Organizando uma folia de reis doze na cabeça

A primeira coisa que todo mundo esquece é o cronograma. Não adianta começar a ensaiar em dezembro. Quem já fez uma folia sabe que o ideal é montar o grupo em setembro, escolher o repertório em outubro e ter os instrumentos prontos até novembro. O tempo médio entre a decisão de criar um grupo e a primeira apresentação é de quatro a cinco meses, mas isso depende da disponibilidade dos devotos e da complexidade das músicas que você escolheu. Os instrumentos básicos são três violas caipiras, um reco-reco ou chocalho, e um tambor ou pandeiro. Algumas comunidades usam sanfona. O violão é proibido na tradição mais ortodoxa porque quebra a harmonia acústica que o grupo precisa manter quando entra nas casas. Eu aprendi isso na pior forma quando organizei minha primeira folia em 2018: coloquei um violonista no grupo porque era o único que sabia tocar, e na terceira casa a família rejeitou a presença dele, dizendo que aquilo não era folia de reis, era show de música sertaneja. Precisamos tirar o cara e improvisar com um terceiro violão de corda de nylon que eu tinha emprestado de um vizinho.

O que é festa da folia de reis e como ela funciona na prática

Folia de Reis, também chamada de Congado dos Reis ou Vovus, é uma celebração popular brasileira que mistura catolicismo, elementos africanos e influências indígenas. O objetivo central é honrar a visita dos Três Reis Magos ao menino Jesus, mas na prática isso se traduz em uma série de visitas domiciliares cantadas que duram de três a doze dias, geralmente entre dezembro e janeiro. Os devotos entram nas casas cantando, dançando e levando benção para as famílias. O repertório padrão tem cerca de trinta a quarenta músicas, divididas em canções de entrada, saída, louvação aos santos, bênção das casas e os clássicos Reis Magos. Cada região tem suas particularidades: em Minas Gerais as músicas são mais lentas e solenes, no interior de São Paulo tem mais ritmo de samba de congado, e no Triângulo Mineiro as ladainhas têm estrutura diferente, com versos e respostas mais longos.

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Uma coisa que os manuais não explicam é a hierarquia dentro do grupo. Tem o maestro, que comanda o repertório e as mudanças de andamento; o capitão, que negocia com as famílias anfitriãs e resolve problemas logísticos; e os devotos propriamente ditos, que cantam e tocam. Se você chegar sem saber quem é o maestro, vai causar confusão na hora de entrar numa casa e o dono pode pedir para você sair.

Problemas reais que todo mundo ignora

O custo médio para organizar uma folia completa varia de dois mil a quinze mil reais por temporada, dependendo do estado e do número de integrantes. A maior despesa é com instrumentos e vestuário, mas tem coisas que ninguém conta: transporte, alimentação durante os ensaios, doações obrigatórias pra igreja local, e quando um integrante fica doente no meio da jornada você tem que achar substituto com pressa, porque as casas já estão esperando. Em 2021, eu tive um problema específico que durou três dias: a viola número três quebrou a corda sol durante uma apresentação numa casa de família no interior de Goiás, e o proprietário do instrumento tinha ido embora pra cidade grande sem deixar contato. A solução foi improvisar com uma viola de dezesseis cordas (corda dupla) que eu achei no porão de uma loja de musicais abandonada, ajustando a afinação manualmente com chave de tambor e um alicate. Funcionou, mas o som ficou ruim pra caramba e a família ficou impressionada com a qualidade.

O risco legal também existe. Em vários municípios, a folia precisa de autorização da prefeitura pra atuar nas ruas, especialmente se usar amplificação ou se apresentar em horários noturnos. Sem esse alvará, a polícia pode multar o grupo, e as multas variam de trezentos a dois mil reais dependendo do município. Antes de começar, verifique na secretaria de cultura local se precisa de registro.

Diferenças regionais que importam

Não trate todas as folias como se fossem iguais. Em Uberlândia, Minas Gerais, o grupo mais tradicional chama-se "Os Vovôs da Folia" e leva mais de noventa anos de existência, com repertório próprio que não aparece em nenhum livro. No Vale do Paraíba Paulista, a folia tem influência direta dos imigrantes árabes e sírios, com instrumentos de sopro que não existem no Sudeste tradicional. Se você copiar o repertório de uma região pra outra sem adaptar, as famílias vão notar a diferença e podem pedir pra você ir embora. O que menos gente fala é sobre a questão religiosa. A folia de reis é católica, mas muitos grupos aceitam participantes de outras crenças desde que respeitem o caráter sacro das músicas. Na prática, isso significa que um devoto de umbanda pode tocar viola na folia, mas não pode cantar música de caboclinho dentro do grupo. Eu já vi conflitos desse tipo em 2019 quando um novo integrante tentou incluir uma música de seu josé do couro no repertório oficial, e o maestro pediu pra ele sair na hora.

Como montar seu próprio grupo, passo a passo

Primeiro, encontre pelo menos cinco pessoas dispostas a se comprometer por três meses. O número mínimo pra fazer uma folia básica é quatro devotos mais o maestro. Depois, decida qual região quer seguir no repertório: mineiro, paulista outriângulo. Baixe partituras de grupos reconhecidos pela prefeitura local, como "Folia dos Nascimentos" de Patrocínio ou "Congado dos Reis Magos" de Diamantina. Ensaiem duas vezes por semana, em dias fixos, preferencialmente à noite, das dezenove às vinte e uma horas. Cada ensaio deve durar no máximo duas horas pra não cansar os integrantes. Use um gravador pra registrar as sessões e revisar depois. Contrate um luthier local pra ajustar as violas antes da primeira apresentação, o custo é cerca de cento e cinquenta reais por instrumento, mas evita problemas de afinação no meio das casas.

Quando tiver o repertório pronto, agende as primeiras visitas com famílias que você conhece, preferably amigos ou parentes, pra ganhar confiança antes de ir pra ruas. Anote o endereço, o horário e o número de participantes de cada casa. Na prática, cada visita dura de vinte a quarenta minutos, dependendo do tamanho da família e da quantidade de músicas que eles pedirem.

O que esperar durante a festa da folia de reis

Na noite de 6 de janeiro, muitos grupos fazem apresentações oficiais em praças públicas ou igrejas, com duração de uma a duas horas. As famílias que receberam benção durante o ano costumam devolver com donativos em dinheiro, alimentos ou objetos, mas isso não é obrigatório. O valor médio recebido por casa varia de cinquenta a trezentos reais, dependendo da região e da fama do grupo. Se você está pensando em criar uma folia, tenha em mente que não é atividade lucrativa. A maioria dos grupos opera no prejuízo ou no equilíbrio, usando o dinheiro de doações e mutirões pra cobrir custos. O que mantém a tradição viva é o comprometimento pessoal dos devotos, não a rentabilidade. Se seu objetivo for lucro, melhor entrar numa banda de pagode ou forró, onde o retorno é mais previsível.