Redundância como figura de linguagem: o que você realmente precisa saber
A maioria dos manuais define redundância como a repetição desnecessária de um elemento para dar força expressiva. Na prática, isso é mais complicado do que parece. Eu aprendi isso na mão quando fui obrigado a revisar um texto publicitário onde o cliente insistia em usar "a verdade verdadeira" por três vezes no mesmo slogan. A redundância não é apenas um recurso estético; ela carrega peso retórico e, quando mal aplicada, soa como erro grosseiro.
Figura de linguagem redundância: o guia prático
A figura de linguagem redundância, também chamada de pleonasmo, consiste em repetir um conceito já implícito ou explícito para reforçar uma ideia. O exemplo clássico é "subir para cima" ou "ver com os próprios olhos". Soa redundante, mas em contextos específicos cumpre uma função enunciativa clara: dar ênfase, marcar oralidade, criar ritmo. A diferença entre o pleonasmo vicioso e o pleonasmo legítimo é simplesmente o contexto. "Ele viu com os próprios olhos" funciona porque há uma carga narrativa. "Eu subo para cima" em um texto formal soa como descuido gramatical. O que poucos explicam é que a redundância só funciona quando o receptor percebe a repetição como intencional. Se ele acha que você errou, o efeito colapsa. Nesse trabalho que eu mencionei, eu simplemente substituí as três ocorrências de "verdade verdadeira" por sinônimos progressivos: "fato", "evidência", "realidade". O slogan ficou mais limpo e manteve a força sem parecer amador.
Como identificar e aplicar corretamente
A primeira coisa é entender a estrutura sintática. O pleonasmo vertical ocorre quando o verbo e o complemento se repetem semanticamente — "ouvir com os ouvidos". O pleonasmo horizontal acontece quando há repetição entre termos da mesma oração — "ninguém ninguém pode me salvar". Ambos são válidos desde que a intenção seja enfática e não meramente supérflua. Um ponto que ninguém ensina: a redundância funciona melhor em registros informais ou literários. Em textos técnicos, jurídicos ou científicos, ela costuma ser maldade. Eu já vi pareceres técnicos rejeitados porque o redator usou "nulos e inexistentes" como se fosse eloquência, quando na verdade era apenas verbosidade disfarçada.
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Outra coisa importante: a redundância de gênero também existe e é frequentemente ignorada. Expressões como "o único e exclusivo" ou "a essência fundamental" repetem o que já está contido lexicalmente. Use apenas quando houver um propósito retórico claro.
Pegadinhas e casos onde a redundância falha
A maior armadilha é confundir redundância com coesão textual. Repetir palavras para conectar ideias não é figura de linguagem; é falta de repertório léxico. Um texto que diz "o problema foi resolvido e a solução foi implementada" não está usando pleonasmo, está apenas sendo preguiçoso. Também vale lembrar que a redundância perde força com o tempo. O que era eloquente em 1950 soa exagerado hoje. Expressões como "sobe para cima" eram aceitáveis em discursos orais há décadas. Hoje, quem as usa sem crítica estilística parece retrógrado.
Se você está escrevendo um texto formal, prefira evitar a figura de linguagem redundância exceto em citações diretas, diálogos ou discursos deliberadamente empháticos. Em textos persuasivos, ela pode funcionar estrategicamente, mas deve ser usada com parcimônia. Uma aplicação por parágrafo é o máximo recomendável.