Finalidade Da Sangria No Sistema De Freios - A Finalidade Da Sangria No Sistema De Freios é: - RETOEDU
A Finalidade Da Sangria No Sistema De Freios é: - RETOEDU

Por que sangrar os freios e como fazer sem estragar tudo

A finalidade da sangria no sistema de freios é simplesmente eliminar o ar que ficou preso nas tubulações e nos componentes hidráulicos. Ar compressível em um sistema que deveria ser incompressível é o motivo número um de pedal mole, reação lenta ou perda total de frenagem. Não tem segredo. Quando você trocar fluido, reparar uma mangueira, substituir uma pinça ou o cilindro mestre, o ar entra. Precisa tirar.

Qual é a finalidade da sangria no sistema de freios na prática

Na prática, o sistema de freio funciona por transmissão de pressão. Seu pé empurra o fluido, o fluido empurra os pistões das pinças, os pistões pressionam as pastilhas contra o disco. Se houver bolhas de ar no meio desse caminho, cada vez que você pisa no pedal uma fração do seu esforço é gasta apenas comprimindo esse gás. O resultado imediato é um pedal que afunda, precisa de várias pedaladas para firmar, ou simplesmente não chega força suficiente nas rodas. Também tem outro problema que as pessoas esquecem: ar retido em pontos altos do sistema fica parado ali e o fluido novo passa por baixo sem limpar nada. Vou falar do ponto mais chato depois.

A sangria também serve para trocar o fluido vencido. Fluido de freio é higroscópico. Ele absorve umidade do ar com o tempo, e essa água baixa o ponto de ebulição. Em uso intenso, o fluido ferve, forma vapor, e você perde os freios de uma vez. Sangrar e botar fluido novo remove essa água acumulada e restaura a capacidade térmica do sistema. Tem gente que acha que sangrar é só abrir a válvula e esperar o fluido cair. Isso funciona só se o sistema estiver quase vazio de ar. Na maioria das vezes, vira um processo de enchimento e frustração.

Como funciona asangria nos diferentes tipos de sistema

O método muda conforme o que você tem na frente. Vou separar.

Sistema convencional sem ABS

Nesses carros mais velhos, ou em motores que usam banco hidráulico independente, a sangria é direta. Você abre a válvula de sangria da pinça ou do cilindro de roda, o fluido novo empurra o ar pra fora. Ordem clássica é a mais longe do cilindro mestre: direita traseira, esquerda traseira, direita dianteira, esquerda dianteira. Nem sempre essa regra aplica, mas funciona na maioria. Tem um detalhe que muita gente erra. O cilindro mestre tem um reservatório. Se esse reservatório secar durante o processo, você reintroduz ar no sistema e volta pro zero. Mantenha sempre cheio. Não adianta sangrar um ponto e deixar o reservatório secar.

Sistema com ABS

Aqui começa o problema real. O módulo ABS contém válvulas solenoides e um acumulador que prende ar em volumes pequenos. A sangria convencional sozinha quase nunca resolve. O ar fica preso dentro do bloco hidráulico e não sai pelas válvulas de roda. Existem duas abordagens. A primeira é usar um scanner que comunique com a ECU do ABS e execute o ciclo de purga dos solenoides. O módulo abre e fecha as válvulas em sequência enquanto você sangra cada roda. A segunda, em casos onde o scanner não tem essa função, é remover o módulo ABS e sangrá-lo manualmente com mangueiras e pressão controlada. Isso exige conhecimento do esquema interno de passages do módulo. Errar a conexão e você mistura linha de pressão com linha de retorno.

A maioria dos mecânicos prefere a via do scanner. Se o carro tiver protocolo que permita, é rápido. Se não permitir, resta o método manual ou a troca do fluido por gravidade com o sistema todo desmontado parcialmente.

Métodos de sangria e quando usar cada um

Vou listar os métodos do mais básico ao mais técnico.

Sangria por gravidade

Você abre a válvula de sangria com uma mangueira na ponta imersa em fluido novo, mantém o reservatório cheio, e deixa a gravidade fazer o trabalho. É lento. Demora de trinta a quarenta minutos num sistema completo. Mas é o método mais seguro contra contaminação e contra introduzir ar de novo. Funciona bem quando o sistema foi aberto intencionalmente, como troca de mangueira ou pinça.

Sangria manual com auxiliar

Alguém pimpa o pedal enquanto você abre e fecha as válvulas. O problema é que o auxiliar precisa ter noção do que está fazendo. Se a pessoa pumpar rápido demais, o cilindro mestre suga ar pelo reservatório. Se soltar o pedal com a válvula aberta, o fluxo invertido traz sujeira e ar de volta. Eu prefiro evitat esse método quando tenho outra opção.

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Sangria por pressão positiva

Uma caixa de pressão no reservatório empurra fluido novo sem necessidade de pumpar. Controla a taxa de fluxo e evita que o reservatório seque. É rápido, limpio, e reduz o tempo para quinze a vinte minutos em sistema convencional. O custo é o equipamento, mas qualquer box de ferramenta tem um desses.

Sangria por vácuo

Uma bomba de vácuo suga o fluido e o ar pela válvula de sangria. Funciona, mas tem uma limitação séria. O vácuo pode puxar ar de volta pelo reservatório se ele não estiver bem vedado, e também puxa fluido velho de volta pro sistema se a mangueira não tiver trava. Além disso, vácuo excessivo pode danificar selos do cilindro mestre. Eu uso só quando não tenho outra alternativa.

Sangria com scanner para ABS

Essa é a única forma de limpar o módulo ABS corretamente na maioria dos carros modernos. O scanner aciona o motor do ABS e cicla os solenoides. Sem isso, o ar fica preso e o pedal continua mole depois de horas de sangria manual. Se o seu carro tem ABS e você fez qualquer serviço que abriu o sistema hidráulico, essa etapa é obrigatória.

Um caso real que demorou três horas pra resolver

Tinha um Golf 1.9 TDI 2008 que veio com pedal mole após troca de pastilhas. Troquei as pastilhas, sangrei as quatro rodas pelo método convencional com caixa de pressão, e o pedal continuava esponjoso. Tentei de novo. Nada. Descartei pinça nova com defeito, descartei mangueira inchada. O sistema parecia perfeito. Aí eu percebi o padrão. O pedal firmava depois de duas pedaladas rápidas e depois amolecia. Isso é clássico de ar retido no acumulador do ABS. A sangria convencional não alcança. Liguei o scanner, executei o diagnóstico do módulo ABS, e vi que o ciclo de purga não estava sendo reconhecido pelo software. O módulo tinha recebido uma atualização anterior que travava a função de teste se a voltagem do carro caísse abaixo de certo nível.

Minha solução foi conectar uma bateria externa estabilizada, forçar o modo de diagnóstico com o scanner, e executar a sequência de purga solenoide por solenoide manualmente. Depois disso, sangurei as rodas novamente. O pedal firmou na primeira pisada. Esse problema é raro, mas mostra que sangria de freio não acaba nas válvulas de roda quando o carro tem ABS moderno.

Pegadinhas que ninguém conta

Fluido DOT 4 e DOT 5.1 são compatíveis entre si. Fluido DOT 5 (silicone) não é. Misturar DOT 5 silicone com qualquer outro fluido forma um gel que entope todo o sistema. Se o carro teve com fluido silicone, a sangria convencional não resolve. Você precisa drenar tudo e limpar cada componente. Reservatório com tampa vedada ruim. Tapa-reservatório tem uma válvula de pressão que mantém o fluxo correto. Se essa válvula entupir com lodo de fluido velho, o reservatório cria vácuo durante a sangria e o fluido para de sair. Já vi isso acontecer. A solução é limpar ou substituir a tampa.

Cilindro mestre com vedação interna falha. Às vezes o ar não entra pelo reservatório. O próprio cilindro suga ar pela vedação do piston principal quando você solta o pedal rápido demais. O sintoma é o pedal voltar devagar e o fluidoborrar pelo reservatório. Aí a sangria não resolve nada. Precisa substituir o cilindro mestre.

Quantas vezes sangrar e quando parar

A regra prática é simples. Sangre até o fluido que sair não tiver mais bolhas visíveis por trinta segundos de fluxo contínuo. Não adianta parar na primeira vez que o fluido mudar de cor. Fluido velho é âmbar escuro. Fluido novo é amarelo claro. Mas cor não elimina ar. Só a ausência de bolhas conferma que a linha está cheia de líquido. Em sistemas com ABS, mesmo que o fluido saia sem bolhas nas rodas, ainda precisa rodar o ciclo do scanner. Caso contrário, você tem um sistema parcialmente purgado que vai falhar sob demanda.

Alternativas quando a sangria tradicional falha

Se após sangria convencional e ciclo ABS o pedal continua mole, as opções são: substituir o módulo ABS e sangrá-lo em bancada com esquema de mangueiras que simule o circuito completo, usar método de pressurização reversa com equipamento específico, ou, em último caso, desmontar todo o circuito e limpá-lo manualmente. Nenhum desses caminhos é rápido. O tempo médio de uma sangria mal resolvida que vira retrabalho gira em torno de duas a três horas extras, dependendo do veículo. Também tem o caso de mangueiras internas que desintegram e obstruem a passagem. Fluido velho com mangueira velha forma uma pasta que entope. Nesse cenário, sangrar não adianta porque o fluido não consegue atravessar. A mangueira precisa ser trocada antes de qualquer sangria funcionar.

Quando não sangrar e só trocar o fluido por refluxo controlado

Em carros novos com sistema fechado, onde não houve abertura de circuito, a única necessidade é a troca periódica do fluido. Nesse caso, sangria completa não é obrigatória. Você pode fazer a troca por método de pressão positiva apenas nos pontos de sangria, renovando cerca de sessenta a setenta por cento do volume total. Isso reduz o teor de água sem gastar tempo com ciclos longos. Se o relatório do teste de umidade mostrar acima de três por cento, aí sim a sangria completa é necessária. A finalidade da sangria no sistema de freios não é mágica. É transferência de fluido. O ar ocupa espaço. Fluido novo ocupa esse espaço. Quando o espaço de ar acaba, a pressão do seu pé chega na pastilha. O resto é seguir o procedimento certo pro veículo certo e não insistir em sangria manual quando o sistema pede equipamento eletrônico.