Começando pelo uso, não pela definição
A forma negativa do simple present é construída com o auxiliar do not (contraído para don't) para todas as pessoas, exceto terceira pessoa do singular, que usa does not (contraído para doesn't). A regra básica diz que o verbo principal volta à forma base — sem -s no final. Esse é o ponto onde a maioria das pessoas erra. Eu já vi centenas de alunos escreverem "he doesn't works" ou "she doesn't likes" achando que o -s ainda precisava estar ali. Na prática, quando o auxiliar "does" já carrega a marcação de terceira pessoa, o verbo principal fica nu. Sem exceções.
Como montar a forma negativa do simple present
O processo é literalmente mecânico. Primeiro você identifica o sujeito. Se é I, you, we, or they, coloca "don't" antes do verbo base. Se é he, she, or it, usa "doesn't". Depois, o verbo principal entra na sua forma mais simples — a infinitiva sem "to". Nada de flexão extra. Exemplo rápido: "I don't understand the problem." "She doesn't play guitar." Note que "play" não recebe nenhum tratamento especial, mesmo depois de "doesn't". O auxiliar absorve toda a carga gramatical.
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O que muita gente não entende na primeira vez é que essa estrutura serve para negar hábitos, rotinas e fatos gerais. Não é usada para eventos pontuais no presente — para isso, existem outras construções. Se você tentar usar a forma negativa do simple present para dizer que algo não está acontecendo agora, vai soar estranho. "I don't eat" significa que você não come (como hábito), não que você não está comendo neste exato momento. Para o segundo caso, o correto seria "I'm not eating". Outro detalhe prático: a contração "don't" e "doesn't" são praticamente obrigatórias na fala cotidiana. Usar a forma completa ("do not", "does not") soa artificial ou deliberadamente enfática, como se você estivesse corrigindo alguém. Em emails profissionais, teste contextos diferentes antes de usar a forma contraída, porque alguns escritores mais tradicionais ainda evitam. Minha experiência é que em 95% das comunicações cotidianas a contração é perfeitamente aceita e até esperada.
Existe um caso que as gramáticas costumam ignorar mas que aparece o tempo todo: verbos modais. "Can't", "won't", "shouldn't" — eles não usam "do/does" e seguem regras próprias. Um aluno meu uma vez tentou formar a negativa de "can" como "don't can", o que é simplesmente impossível em inglês. A forma correta é "can't" ou "cannot". Isso vale também para "must" (não existe "mustn't" em todos os contextos — depende da intenção). Se o verbo já é modal, a estratégia do auxiliar "do/does" não se aplica de jeito nenhum. Outra armadilha comum é com o verbo "to be". Ele nunca usa "do/does" na negação. A forma negativa de "I am" é "I am not" (ou "I'm not"), não "I don't be". O mesmo para "he is" "he isn't" ou "he is not". Esse é um dos erros mais persistentes porque o "to be" é irregular em praticamente todos os tempos verbais do inglês. Não tente forçar o padrão do "do" nele.
A desvantagem mais óbvia dessa estrutura é que ela não funciona para todos os verbos. Quando o verbo principal é "to be", "to have" (no sentido de posse, que em inglês americano varia entre "have not" e "don't have"), ou um modal, as regras mudam. Em inglês britânico, "I haven't a car" ainda é usado, embora "I don't have a car" seja mais comum hoje em dia. Saber quando essas exceções se aplicam é o que separa quem constrói frases corretas de quem decora regras que não cobrem tudo. Na prática, o melhor exercício é escrever frases negativas sobre sua própria rotina. Descreva o que você não faz todos os dias, o que não gosta, o que não acontece no seu trabalho. Isso fixa o padrão porque o conteúdo é real para você, não exemplos genéricos de livros didáticos. Leva cerca de dez minutos por dia durante uma semana e o resultado costuma ser muito mais sólido do que repetir exercícios de fill-in-the-blank.