Frase Com Concordância Verbal - Analise As Frases Abaixo Quanto A Concordância Verbal E Depois - RETOEDU
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O que é e como funciona na prática

A concordância verbal é o mecanismo pelo qual o verbo se adapta ao sujeito em número e pessoa. Não é uma regra abstrata, é algo que se percebe quando se lê ou ouve texto bem construído. Quando alguém diz "nós vamos" em vez de "nós vai", isso é concordância verbal funcionando. Quando alguém escreve "os aluno chegou", o mecanismo falhou e soa errado imediatamente. Na minha experiência corrigindo textos jurídicos e materiais técnicos, o erro mais frequente não está nos casos básicos. Estou falando de sujeito composto, pronome relativo e those constructions que parecem simples mas escondem armadilhas. Um caso específico que me lembro: um contrato dizia "As cláusulas 3 e 4, bem como o anexbo, vigoram a partir de janeiro". O texto original tinha "viga". A concordância com sujeito composto por "bem como" é um dos pontos mais debatidos na norma culta.

frase com concordância verbal: os casos que mais confundem

Vamos começar pelo que a maioria dos manuais trata com superficialidade. O sujeito composto antes do verbo. A regra básica diz que o verbo vai para o plural: "João e Maria chegaram tarde". Mas quando o sujeito composto é formado por pessoas diferentes, a concordância pode ser facultativa ou exigir atenção adicional. "Eu e tu sairíamos" soa estranho para muitos falantes, mas "eu e tu sairíamos" é gramaticalmente correto, ainda que o uso do pronome tônico "tu" tenha declinado em grande parte do Brasil. O problema real aparece com "é proibido" versus " são proibidos". Quando o verbo ser funciona como predikativo, ele concorda com o predicado, não com o sujeito. "É proibido entrada" está errado porque o substantivo entrada é o sujeito. O correto é "É proibida a entrada", onde proibida concorda com entrada. Já "São proibidos os estrangeiros" também está correto, mas por razão diferente: aqui o verbo concorda com o sujeito posposto estrangeiros.

Outro ponto que causa confusão constante é a concordância com o pronome relativo quem. Se você diz "Fui eu quem fiz o trabalho", o verbo fiz fica na terceira pessoa do singular porque concorda com quem, não com eu. Já "Fui eu quem fizemos" seria um erro, ainda que logicamente faça sentido porque a ação envolveu ofalante. A norma culta privilegia a concordança com o relativo, não com o antecedente. Veja este exemplo que encontrei num parecer jurídico recentemente: "A diretora e o coordenador, responsáveis pelo setor, participou da reunião". O erro é participou em vez de participaram. O sujeito é composto (a diretora e o coordenador), então o verbo deve ir para o plural. Mas o erro é ainda mais sutil porque há uma oração intercalada (responsáveis pelo setor) que pode distrair o leitor e fazer com que ele "ouça" o verbo no singular por influência do mais próximo.

Casos especiais e exceções importantes

O verbo haver no sentido de existir ou ocorrer permanece sempre na terceira pessoa do singular. "Havia muitos problemas" está correto. "Haviam muitos problemas" está errado, mesmo que o sentido plural de muitos problemas sugira naturalmente um verbo no plural. Esta é uma das regras mais resistentes à analogia, e nativos frequentemente a violam sem perceber. Já o verbo bastar e basta merecem atenção. "Basta de reclamações" usa o verbo no singular porque o sujeito é a expressão de reclamações, que funciona como objeto direto, não como sujeito. Se a frase fosse "Reclamações bastam", aí sim o verbo concordaria no plural. A diferença é sutil mas crucial para a precisão escrita.

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Um caso que vejo todo dia em revisões é a concordância com mais de. "Mais de um candidato desistiu" está correto porque mais de um indica singular. Mas "Mais de um candidato e dois professores desistiram" exige o plural porque o sujeito agora é composto. O erro comum é aplicar o plural indiscriminadamente sempre que mais de aparece, sem verificar se há realmente mais de um elemento no sujeito. A concordância com expressões qualitativas como a maioria de, a maior parte de também merece cuidado. "A maioria dos presentes aprovou a proposta" usa o singular porque o núcleo é a maioria, que é singular. Porém, "A maioria dos presentes aprovaram a proposta" também é aceitável na linguagem informal, embora os prescritivistas rejeitem. Esta é uma das áreas onde a norma padrão e o uso real se afastam de forma mais visível.

Erros comuns e como evitá-los

O erro mais recorrente que encontro em revisões é a concordância com sujeito oracional. Quando o sujeito é uma oração inteira, o verbo fica no singular: "O fato de ele ter viajado me surpreendeu". O núcleo é o fato, não viajar. Muitos escritores, porém, colocam o verbo no plural por influência do verbo subordinado: "O fato de ele ter viajado me surpreenderam". Isso está errado. Outro erro frequente envolve a concordância com um e outro e nenhum de. "Um e outro participante compareceu" está correto no registro formal, ainda que o sentido seja plural. Alguns gramáticos aceitam o plural (compareceram), mas a tradição culta prefere o singular. Já "Nenhum de nós compareceu" é preferível a "Nenhum de nós comparecemos", embora esta última seja cada vez mais comum na fala.

Um caso particularmente traiçoeiro é a concordância com certo de que. "Estou certo de que ele veio" é correto porque certo concorda com o sujeito eu. Se alguém escrevesse "Estou certa de que eles vieram", a concordância estaria correta também, mas agora certa concordaria com uma sujeito feminino. O erro aparece quando o falante perde a referência do sujeito e desconecta a concordância do adjetivo. Vejo também muitos erros com o restante de e o resto de. "O restante dos documentos foi analisado" é correto. O núcleo é o restante, que é singular. A presença de dos documentos não justifica o plural no verbo. Esta estrutura é análoga a a maioria de, mas muitos escritores tratam as duas de forma diferente, aplicando o plural em uma e não na outra, o que gera inconsistência.

Dica prática para revisar concordância

Quando estiver revisando um texto e encontrar uma frase com concordância verbal que parece estranha, isole o sujeito. Retire possíveis orações intercaladas, complementos e adjuntos adverbiais que possam distrair. Pergunte: qual é o núcleo do sujeito? A partir daí, a concordança costuma ficar clara. Por exemplo, na frase "Os alunos, juntamente com o professor, foram à biblioteca", se você remover juntamente com o professor, fica "Os alunos foram à biblioteca", e a concordância plural fica óbvia. O erro comum seria "foi" por influência de professor, que é o termo mais próximo do verbo.

Outra técnica útil é transformar a frase na forma interrogativa. "Chegaram os alunos?" versus "Chegou os alunos?" A forma interrogativa muitas vezes torna a concordança mais perceptível porque inverte a ordem dos termos. Esta técnica é especialmente útil para sujeitos pospostos, que são um dos tipos mais propensos a erro. Se quiser estudar mais sobre o tema, consulte a Nova Gramática do Português Contemporâneo de Celso Cunha e Lindley Cintra, ou o CGram (Corpus Gramatical Brasileiro) da UNICAMP, que oferece dados empíricos sobre o uso real da língua. A concordância verbal é um daqueles temas em que a teoria e a prática se encontram de formas nem sempre previsíveis, e a observação atenta do uso é tão importante quanto o domínio das regras.