Concordância Nominal em Frases: O Guia Prático
O termo frases com concordância nominal aparece em qualquer livro de gramática, mas raramente se explica de verdade como funciona na prática. Todo mundo sabe que o adjetivo deve concordar com o substantivo, mas quando a frase começa a ficar mais, muita gente erra sem perceber.
A Regra Básica (e onde ela falha)
Vamos começar pelo óbvio: menino feliz, menina feliz, meninos felizes, meninas felizes. Isso é fácil. O problema começa quando temos mais de um substantivo, ou quando o adjetivo vem antes deles. Pegue esta frase: "Os alunos e a aluna passaram nas provas". Aqui, o sujeito é composto. O verbo fica no plural porque são várias pessoas. Até aí, tudo bem. Mas e se eu disser: "Os alunos e a aluna estavam preocupados?". O adjetivo preocupados concorda com o sujeito composto. Certo? Errado. Se o adjetivo vier depois da vírgula, ele pode concordar apenas com o mais próximo, ou com ambos, dependendo do que você quer dizer.
Aí está o primeiro erro comum: achar que a concordância é sempre automática. Ela não é. Depends do que você quer comunicar.
O Caso dos Adjetivos Pospostos
Quando o adjetivo vem depois do substantivo, a coisa fica mais clara. "A casa e o apartamento são grandes." O adjetivo grandes concorda com ambos os substantivos porque está no plural e se refere a dois elementos. Fácil. Mas e quando o adjetivo vem antes? "A bela casa e o lindo apartamento." Aqui, cada adjetivo concorda com seu substantivo. Não tente fazer uma única forma para os dois. Cada um tem seu gênero e número próprios.
Na prática, eu já vi muita gente escrever: "A menina e o menino eram inteligente." Isso está errado. O correto é "inteligentes", no plural, porque se refere a duas pessoas. O erro mais comum é esquecer que o adjetivo deve ir para o plural quando o sujeito é composto.
Locução Verbal e Adjetivo: Um Tópico que Todo Mundo Esquece
Vamos falar de algo que quase ninguém lembra: quando usamos verbos no particípio, eles também concordam. "Ela tinha os documentos assinados." O particípio assinados concorda com documentos (masculino plural). Isso é gramática normativa, e muita gente não sabe. Outro exemplo: "As crianças estavam cansadas." Aqui, o adjetivo cansadas concorda com crianças (feminino plural). Se você escreve "cansado", está errado. O adjetivo deve acompanhar o sujeito em gênero e número.
Quando a Concordância Fica Mais Complexa
Tem um caso que me pega todo dia: quando o sujeito é formado por expressões como "um e outro", "nem um nem outro", "ou... ou...". Nesses casos, o verbo pode ficar no singular ou no plural, dependendo do que você quer dizer. Pegue: "Um e outro candidato foi convidado." Aqui, o verbo no singular indica que cada candidato foi convidado individualmente. Mas se eu disser: "Um e outro candidato foram convidados." O plural indica que ambos foram convidados juntos. A nuance é pequena, mas faz diferença.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Eu mesmo já errei isso em um relatório de trabalho. Escrevi: "O gerente e o diretor estava presente." Era para ser estavam, no plural. Levei três dias para notar o erro quando revisei o documento. Dá trabalho, mas vale a pena revisar sempre.
Dicas Práticas para não Errar
Primeiro: leia a frase em voz alta. Muitas vezes, o ouvido percebe o erro antes do olho. Segundo: identifique o sujeito e pergunte: "quem fez a ação?". Depois: veja se o adjetivo ou o verbo estão concordando com esse sujeito. Terceiro: preste atenção nos conectivos. E, ou, nem mudam a lógica da concordância. Quarto: quando tiver dúvida, simplify. Se a frase ficou confusa, reescreva de forma mais direta.
O Problema das Expressões Quantitativas
Outro ponto que causa confusão: "a maioria dos alunos foi/foram?" A resposta correta é "foi", no singular, porque o núcleo é a maioria, que é singular. "Dos alunos" é apenas um complemento. Não se deixa enganar pelo plural perto do verbo. Da mesma forma: "parte dos livros está/estão?" Aqui, está é aceitável porque o núcleo é parte (singular). Mas estão também pode ser usado se você quiser dar ênfase aos livros. A norma culta aceita ambas as formas, mas o singular é mais comum.
Concordância com Pronomes Relativos
Quando usamos que ou quem como pronome relativo, o verbo deve concordar com o antecedente. Exemplo: "Fui eu que fiz isso." O verbo fiz concorda com euro (primeira pessoa do singular). Errado seria "Fizemos". Outro exemplo: "Foram eles que chegaram tarde." O verbo chegaram concorda com eles (terceira pessoa do plural). Se você escrever "chegou", está errado. O relativo que não muda a concordância.
Adjetivos Preenchidos e Particípios
Tem uma regra que todo mundo esquece: adjetivos usados como substantivos vão para o plural. "Os bons são poucos." Aqui, bons é um adjetivo substantivado, e vai para o plural. Não diga "o bom". Da mesma forma, particípios usados como adjetivos concordam em gênero e número. "As portas estavam fechadas." Fechadas concorda com portas (feminino plural). Se você escreve "fechado", está errado.
O Erro do "Mais" e "Menos"
Expressões como "mais de um", "menos de dois" merecem atenção especial. "Mais de um candidato passou." O verbo fica no singular porque a expressão indica unidade, mesmo que o substantivo esteja no plural. Mas se eu disser: "Mais de um candidato e uma candidata passaram." Agora o verbo vai para o plural porque temos dois sujeitos diferentes. Esse tipo de nuance é difícil de captar de cara. Eu recomendo praticar com frases do cotidiano, como notícias ou artigos técnicos. Assim, o ouvido vai se acostumando com as formas corretas.
Resumo sem Resumo
A concordância nominal é mais flexível do que parece. As regras existem, mas o contexto importa. Quando em dúvida, leia em voz alta, identifique o sujeito e verifique se adjetivos e verbos estão acompanhando o gênero e o número certos. Pratique bastante, revise seus textos, e presto atenção nos casos especiais. Com tempo, você vai perceber os erros naturalmente. Se você quer dominar frases com concordância nominal, o segredo não é decorar regras, mas entender a lógica por trás delas. Cada exceção tem um motivo. Cada erro cometido é uma oportunidade de aprender. Continue praticando e revisando, e em pouco tempo você vai escrever com confiança.