Função De Um Vereador - Qual é a função de um vereador? | PPT
Qual é a função de um vereador? | PPT

O que realmente faz um vereador

A maioria das pessoas acha que vereador é aquele que propõe leis e pronto. Na prática, a função de um vereador envolve muito mais do que o texto constitucional lista. A câmara municipal é o poder legislativo do município, e o vereador tem três pilares: legislar, fiscalizar e representar. Mas esses termos soam mais limpos do que são quando você está dentro da sala de sessão.

Na prática, a função de um vereador funciona assim

A parte de legislar é a que todo mundo conhece. O vereador pode apresentar projetos de lei sobre assuntos de competência municipal, como zoneamento urbano, serviços de coleta de lixo, regulamentação de camelôs, horários de funcionamento de estabelecimentos e questões de transporte coletivo dentro do município. Também atua na elaboração do orçamento anual, analisando as emendas e dando parecer sobre a conta final. A fiscalização é onde a coisa fica interessante. O vereador pode convocar secretários municipais para prestar esclarecimentos, pedir informes ao prefeito, solicitar exames periciais e até instaurar CPIs. Nas minhas experiências acompanhando sessões, vi vereador chamar o secretário de saúde para explicar por que um posto estava fechado há três meses. O secretário não tinha resposta prática, só protocolo. A sessão durou quarenta minutos e resultou em nada concretos, mas ficou registrado nos autos. Às vezes isso já é o suficiente.

A representação é o lado mais difícil. O vereador é eleito para representar os interesses de um eleitorado que nem sempre sabe o que quer ou como pedir. A função de um vereador, no dia a dia, significa receber pedidos que vão desde o buraco na rua até briga de vizinho por propriedade que o município não tem jurisdição para resolver. E tem que saber triar. Você responde todo mundo, mas nem tudo vira ação legislativa.

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Pegadinhas que ninguém conta

O erro mais comum de quem entra na câmara é achar que proposta boa é sinônimo de lei aprovada. A função de um vereador não se resume a escrever bem. Existem prazos processuais, comissões técnicas que podem travar um projeto por seis meses sem explicação, e a cultura de troca de favores que permeia praticamente todas as casas legislativas do país. Um projeto de lei pode tramitar normal na primeira leitura e morrer silenciosamente numa comissão de Constituição e Justiça porque o relator não gostou do texto ou simplesmente porque não havia interesse político em puxá-lo. Outra coisa: o vereador não manda no prefeito. Isso parece óbvio, mas muita gente acha que pode exigir a construção de uma praça e, se o prefeito não fizer, deveria haver punição direta. A responsabilidade política existe, mas o mecanismo é indireto. A Câmara pode rejeitar contas do prefeito, mas isso depende de majoração política e de parecer técnico da Tribunal de Contas do Município ou do Estado. Não é automático. E mesmo quando as contas são rejeitadas, a volta ao equilíbrio depende de nova aprovação posterior.

Um caso específico que encontrei

Eu acompanhei uma situação em que um vereador queria usar um pedido de informações para forçar a prefeitura a liberar verbas de uma emenda parlamentar que estava parada há oito meses. O pedido foi feito, a secretária respondeu em dois dias dizendo que o processo estava em fase de licitação. Nada resolvido. A workaround que funcionou foi mais trabalhoso: o vereador solicitou à própria Câmara que encaminhasse ofício conjunto com o presidente da casa e o líder da maioria, o que deu um peso institucional que o requerimento avulso não tinha. Em cerca de quinze dias as verbas foram liberadas. A diferença entre os dois caminhos é pura questão de gravidade política, não de competência legal.

O que a lei permite e onde ela falha

A Constituição Federal, nos artigos 29 e seguintes, define as regras básicas. O vereador tem foro privilegiado apenas em relação a crimes comuns e de responsabilidade, mas isso não significa imunidade total. A Lei Orgânica de cada município é que detalha o regimento interno, os prazos de tramitação e as competências específicas. Se você vai trabalhar com função de um vereador de verdade, precisa ler o regimento da sua casa. Cada câmara tem prazos diferentes para apreciação em comissão, para convocação de autoridades e para votação em segundo turno. Uma limitação importante que costuma passar despercebida é a incompatibilidade com o poder Executivo. O vereador não pode exercer cargo de confiança na administração direta, nem ter contrato com o município. Isso gera problemas na prática quando o parlamentar tinha um negócio local e depois se elege. A transparência ajuda, mas muitos casos de inelegibilidade ou cassação começam por aí. Fique atento aos prazos de inelegibilidade também: a Emenda Constitucional 66/2010 e aLC 64/2010 criaram regras específicas para cassação de mandato e perda do cargo por infração político-administrativa.

Contagem de impacto real

Se você quer medir o efeito prático da atuação de um vereador, olhe para três indicadores: número de projetos aprovados, quantidade de requerimentos de informação que geraram resposta efetiva e presença nas sessões ordinárias. Um vereador que comparece menos de sessenta por cento das sessões normais dificilmente terá influência real na pauta. A função de um vereador depende de presença, não só de presença de nome nos autos. O orçamento municipal é onde a maioria dos parlamentares encontra espaço concreto. Emendas parlamentares, tanto individuais quanto de bancada, são ferramentas poderosas se usadas com critério. A desvantagem é que parte significativa dessas emendas acaba concentrada em áreas visíveis, como pavimentação e iluminação, enquanto questões estruturais como saneamento e transporte recebem menos atenção legislativa. Isso não é defeito da função, é reflexo de como o eleitorado cobra resultados.