Funções Sintáticas Do Que - Funções sintáticas da palavra "que" by Paula Terra on Prezi
Funções sintáticas da palavra "que" by Paula Terra on Prezi

Funções sintáticas do que em português: guia prático

Essa palavra parece simples, mas é uma das mais complexas do português. Já perdi o bonde várias vezes na hora de classificar o "que" numa análise sintática, principalmente quando ele aparece em orações subordinadas adjetivas restritivas versus explicativas. A confusão é tão comum que até professor universitário meu já errou numa banca. O problema é que o "que" varia completamente dependendo da função que exerce na frase. Vou explicar como eu passo a limpo isso no dia a dia, sem enrolação.

Funções sintáticas do que: os usos mais frequentes

O "que" pode atuar como pronome relativo, conjunção integrante, conjunção subordinativa, pronome interrogativo e pronome exclamativo. Cada um desses usos tem implicações diferentes na pontuação e na estrutura da oração. Um erro clássico é confundir o "que" relativo com o "que" conjuntivo, o que muda totalmente a análise sintática da frase. Quando o "que" funciona como pronome relativo, ele retoma um substantivo anterior, chamado de antecedente, e desempenha uma função sintática dentro da oração que introduz. Pode ser sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva ou até mesmo termos acessórios como adjunto adnominal. A preposição que acompanha o "que" depende da função que o relativo exerceria se substituíssemos o pronome pelo substantivo retornado.

Um exemplo que eu gosto de usar nos treinamentos é: "O livro que li era interessante". Aqui, "que" é pronome relativo e faz função de objeto direto da oração "que li". Se substituirmos, temos "li o livro", o que confirma a análise. Agora observe: "A pessoa de que falei estava atrasada". O "que" continua sendo pronome relativo, mas agora exerce função de objeto indireto, exigindo a preposição "de" porque o verbo "falar" é transitivo indireto. Já quando o "que" atua como conjunção integrante, ele introduz orações subordinadas substantivas. Nesse caso, o "que" não tem significado próprio e não pode ser substituído por pronome relativo. Serve apenas como elo conectivo entre as orações. Por exemplo: "É necessário que você estude mais". O "que" introduz uma subordinada substantiva subjetiva, pois "é necessário" é a oração principal e a segunda oração funciona como sujeito da primeira.

O uso do "que" como conjunção subordinativa concessiva também merece atenção. Frases como "Embora seja difícil, que se continue" são aceitáveis no registro formal, embora soem um tanto arcaicas. No português contemporâneo, prefere-se "embora seja difícil, continue" sem o "que". Isso mostra como a língua evolui e como as funções sintáticas podem variar conforme o registro linguístico.

Quando o "que" é pronome interrogativo

O "que" também funciona como pronome interrogativo em perguntas diretas e indiretas. Na pergunta direta, aparece no início da oração, como em "Que você quer dizer?". Na pergunta indireta, integra uma oração subordinada substantiva, por exemplo: "Não sei que decisões foram tomadas". Nesse segundo caso, a oração "que decisões foram tomadas" é subordinada substantiva objetiva indireta, completando o sentido do verbo "sabir". Um detalhe importante: o pronome interrogativo "que" é invariável em gênero e número, mas pode variar em número no sentido de "quais coisas". A expressão "Que assuntos vamos abordar?" usa "que" como pronome interrogativo adjetivo, pois determina o substantivo "assuntos". Já "Que você prefere?" emprega "que" como pronome interrogativo substantivo, substituindo o substantivo.

Na prática profissional, já vi analistas sintáticos confundirem o "que" interrogativo com o "que" relativo em frases como "A pergunta que você fez foi pertinente". Nesse exemplo, "que" é relativo, retomando "pergunta" e exercendo função de objeto direto de "fez". A diferença está na presença do antecedente e na capacidade de substituição por "o qual, a qual, os quais, as quais".

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Pegadinhas e casos extremos

Um dos casos mais complicados que encontrei envolve o "que" em orações coordenadas sindéticas explicativas, como "Venha agora, que estou esperando por você". Nesse contexto, o "que" funciona como conjunção coordenativa explicativa, estabelecendo relação de explicação entre as orações. A vírgula antes do "que" é essencial para marcar essa função, algo que muitos omitem por erro de digitação. O "que" também aparece em construções redundantes ou enfáticas, como "Foi ele que chegou primeiro". Nesse caso, o "que" tem valor enfático e introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva, com "foi ele" como oração principal. A análise dessa estrutura é particularmente espinhosa em provas de concursos, onde exigem identificar a oração desenvolvida e a reduzida.

Já a expressão "é que" merece tratamento especial. Em frases como "O problema é que você não entende", o "que" introduz uma oração subordinada substantiva predicativa, completando o sujeito "o problema". Esse uso é frequente na linguagem coloquial, mas também aparece em textos formais, especialmente em argumentação jornalística.

Análise comparativa com outros pronomes relativos

Uma vantagem do "que" em relação aos pronomes relativos "o qual, a qual, os quais, as quais" é sua flexibilidade sintática. O "que" pode funcionar como sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal e termo acessório, enquanto os demais pronomes têm restrições mais rígidas. Por exemplo, "O livro que comprei" e "O livro o qual comprei" são equivalentes, mas o segundo soa mais formal e menos natural em contextos informais. Outra consideração relevante é o uso do "que" após preposição. Quando o verbo rege preposição, o "que" pode ser acompanhado dela, como em "A pessoa a que me refiro". Nessa estrutura, "a que" funciona como objeto indireto da oração subordinada adjetiva. Já "que" sem preposição seria inadequado, pois o verbo "referir-se" é transitivo indireto.

Em construções com verbos de ligação, o "que" pode exercer função de predicativo do sujeito, como em "Ele é o homem que você admira". Nesse exemplo, "que" é pronome relativo e objeto direto de "admira", enquanto "o homem" é predicativo do sujeito "ele". Essa ambiguidade funcional é uma das razões pelas quais a análise sintática exige cuidado extremo.

Erros comuns e como evitá-los

Um erro frequente é o uso de "que" como conjunção coordenativa quando deveria ser subordinativa. Frases como "Estude muito, que você passará na prova" estão corretas, pois "que" funciona como conjunção coordenativa explicativa. Já "Estude muito, que você passará" sem vírgula antes do "que" altera ligeiramente a nuance, tornando a explicação mais implícita. A omissão do "que" em orações subordinadas substantivas é outro problema recorrente. Em "É importante que você compareça", a ausência do "que" resultaria em "É importante você compareça", uma construção aceitável na linguagem oral, mas inadequada em registros formais. O "que" atua como conector essencial para manter a clareza sintática.

A ambiguidade entre "que" relativo e "que" conjuntivo também gera confusão. Em "O livro que comprei é interessante", "que" é relativo. Já "Digo que comprei o livro", "que" é conjuntivo. A diferença está na função sintática: o primeiro retoma "livro" e exerce função de objeto direto; o segundo introduz oração subordinada substantiva objetiva direta.

Conclusão prática

Dominar as funções sintáticas do que exige prática constante e análise detalhada de exemplos. A recomendação é sempre testar a substituição por sinônimos como "o qual, a qual, os quais, as quais" para identificar se "que" é pronome relativo. Além disso, observar a presença ou ausência de preposição e a pontuação ajuda a distinguir entre usos conjuntivos e relativos. Com esse método, a análise sintática torna-se mais intuitiva e precisa.