O que você precisa saber sobre gonorreia em homens
Gonorreia é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. Ela atinge o trato urogenital, mas também pode infectar reto, garganta e olhos. No homem, os sintomas mais comuns aparecem entre 2 e 14 dias após a exposição: corrimento uretral esbranquiçado ou esverdeado, disúria (dor ao urinar) e, em alguns casos, dor testicular se a infecção subir para os epidídimos. O problema é que cerca de 10% dos homens infectados não apresentam nenhum sintoma. Eles sabem que têm a doença só quando são testados rotineiramente ou quando o parceiro é diagnosticado.
Gonorreia tem cura no homem — como funciona o tratamento na prática
Sim, a gonorreia tem cura no homem. O tratamento é baseado em antibióticos, mas o cenário mudou bastante nos últimos anos. O protocolo padrão, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde e do CDC, indica uma dose única de ceftriaxona intramuscular (geralmente 500mg a 1g, dependendo do peso e do contexto local de resistência). Em muitos casos, o profissional também prescreve doxiciclina oral por 7 dias para cobrir possíveis coinfeções com Chlamydia trachomatis, já que a coinfecção é frequente — ocorre em cerca de 10 a 40% dos casos. O que poucas pessoas explicam direito é a questão da resistência antimicrobiana. Eu vi vários pacientes que foram tratados com esquemas mais antigos, como monoterapia com ciprofloxacina ou azitromicina oral, e tiveram falha terapêutica. A N. gonorrhoeae desenvolveu resistência significativa a fluoroquinolonas em praticamente todo o mundo, e a resistência à azitromicina também cresceu. Por isso o esquema atual mudou para ceftriaxona como droga de primeira linha. Se você for atendido com um tratamento diferente, vale questionar o profissional.
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Um detalhe prático que quase ninguém menciona: o teste de cura (test of cure) é recomendado para infecções faríngeas e, em alguns protocolos, para casos retais. No caso de infecção urogenital não complicada tratada com ceftriaxona, muitos guidelines não exigem teste de cura de rotina, mas eu pessoalmente recomendo um PCR de rastreio 3 a 7 dias após o final do tratamento, principalmente se houver sintomas persistentes ou se o paciente não tiver certeza da adesão. Testar antes desse prazo pode dar falso positivo por causa de material genético bacteriano morto. Outro ponto que gera confusão: tratar o parceiro é obrigatório. Não é apenas uma recomendação, é essencial. Se você foi diagnosticado, qualquer parceiro sexual dos últimos 60 dias deve ser avaliado e tratado, mesmo que assintomático. Recidiva por reinfecção é uma das causas mais comuns de "tratamento que não funcionou". Eu já vi pacientes que voltavam com sintomas após tratamento adequado porque o parceiro não tinha sido tratado. O ciclo se repete.
A abstinência sexual deve ser mantida por pelo menos 7 dias após o tratamento e até que todos os sintomas tenham resolvido. Isso parece óbvio, mas é onde muita gente escorrega. Sexo protegido com condom também não é garantia absoluta, já que a gonorreia pode ser transmitida por contato pele-a-pele em regiões não cobertas pelo preservativo, embora o risco seja significativamente menor. Há limitações que precisam ser ditas claramente. O tratamento cura a infecção ativa, mas não previne reinfecção. A gonorreia não confere imunidade duradoura. Além disso, em casos raros de meningoencefalite gonocócica ou artrite disseminada, o protocolo muda completamente — são precisos de 7 a 14 dias de ceftriaxona endovenosa, às vezes com uma segunda dose inicial de cefotaxima ou estreptomicina. Isso não é ambulatorial, exige internação. Se você tiver febre, dor articular intensa, erupção cutânea pustulosa ou sintomas neurológicos após o diagnóstico, procure atendimento emergencial sem atraso.
O diagnóstico precoce é o que faz diferença. Um simples exame de urine por PCR ou swab uretral custa entre R$80 e R$250 em laboratórios privados no Brasil, e o resultado sai em poucos dias. Unidades básicas de saúde oferecem teste gratuito pelo SUS. Quanto mais tempo a bactéria fica sem tratamento, maior o risco de complicações como epididimite, prostatite e, em casos crônicos não tratados, infertilidade por obstrução deferencial. Tudo isso é evitável com tratamento oportuno.