Como fazer um gráfico de temperatura máxima e mínima no Excel
Você já tentou comparar temperaturas altas e baixas do dia e percebeu que o gráfico padrão não mostra nada útil? Eu já passei por isso. O problema é que o Excel não tem um gráfico nativo chamado "máxima e mínima" — você tem que montar do jeito certo ou o resultado fica confuso.
Entendendo o gráfico de temperatura máxima e mínima
O gráfico de temperatura máxima e mínima serve para visualizar a amplitude térmica ao longo do tempo. Em vez de uma linha única, você tem duas séries: uma para a temperatura mais alta do dia e outra para a mais baixa. Às vezes, ainda se adiciona uma faixa de preenchimento entre elas para deixar a variação mais evidente. Aqui vai o truque que ninguém conta: a maioria das pessoas cria um gráfico de linhas separado para máxima e mínima e fica na dúvida sobre por que fica ilegível quando os pontos são muitos. A solução é usar um gráfico de barras empilhadas com o gap width zerado para a barra de temperatura mínima, posicionada abaixo da base do zero, e a barra máxima subindo do zero. Ou melhor ainda — use um gráfico de área empilhada, que é mais flexível.
A minha abordagem favorita é montar um gráfico de linhas com duas séries (máxima e mínima) e depois adicionar um gráfico de dispersão com barras de erro verticais. É um método menos intuitivo no começo, mas funciona perfeitamente para qualquer quantidade de dados.
Passo a passo prático
Comece organizando seus dados em colunas. A primeira coluna com as datas, a segunda com as temperaturas máximas e a terceira com as mínimas. Se você tiver dados horários, agrupe por dia usando uma planilha auxiliar com SOMASE ou uma Tabela Dinâmica. Isso evita o erro mais comum: juntar horários diferentes de dias diferentes e acabar com médias erradas. Selecione os três dados e insira um gráfico de linhas. O Excel vai traçar as duas temperaturas como linhas separadas. Diferencie visualmente — máxima em vermelho, mínima em azul. O padrão do Excel é duas linhas paralelas que se cruzam, o que é visualmente poluído quando há muitos dias.
Para melhorar, clique com o botão direito na linha de temperatura máxima e mude para um gráfico de dispersão com linhas suavizadas. Faça o mesmo para a mínima, mas com uma cor diferente. Ajuste os eixos para terem a mesma escala. Isso resolve o problema de uma linha parecer plana enquanto a outra oscila muito. Se quiser mostrar a amplitude entre as temperaturas, adicione um gráfico de barras empilhadas na parte inferior, com a barra inferior representando a temperatura mínima negativa (em relação ao zero do gráfico) e a superior a máxima. Preencha o espaço entre elas com uma cor suave.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Problema que encontrei na prática
Num projeto recente, eu tinha dados de uma estação meteorológica com leituras a cada 15 minutos. Ao montar o gráfico de temperatura máxima e mínima, notei que as temperaturas extremas estavam sendo distorcidas por erros de medição — picos de -99°C e valores de 999°C que a estação enviava como códigos de falha. O gráfico inteiro ficava espremido no eixo Y porque esses valores outliers estouravam a escala. A solução foi filtrar os dados antes de gerar o gráfico. Usei uma fórmula SE E com limites razoáveis: SE E(B2>-50; B2<60; C2>-50; C2<60). Em seguida, apliquei a mediana por janela deslizante nos dados brutos para suavizar variações causadas por ruído instrumental. Isso reduziu o tempo de depuração de 3 horas para cerca de 15 minutos. O gráfico final ficou limpo e as amplitudes térmicas passaram a fazer sentido.
Erros comuns que prejudicam seu gráfico
O primeiro erro é não padronizar o eixo Y. Quando as temperaturas vão de -5°C a 40°C, o eixo precisa começar um pouco abaixo de -5 para não cortar as barras ou linhas. O Excel às vezes decide sozinho o intervalo e coloca de 0 a 40, o que distorce completamente a percepção das mínimas negativas. O segundo erro é ignorar a periodicidade dos dados. Se você tem apenas 5 pontos por semana mas outro período tem 12, o gráfico fica desbalanceado. A solução é reamostrar os dados para uma frequência uniforme, como média diária ou média horária, antes de plotar.
O terceiro erro é esquecer de considerar a timezone. Dados coletados em fusos diferentes acabam sendo agrupados erroneamente quando você faz a média por dia. Verifique sempre o fuso horário da fonte antes de processar.
Quando esse gráfico não funciona
Gráfico de temperatura máxima e mínima não é útil quando você tem apenas um único dia de dados — nesse caso, a amplitude é irrelevante. Também não serve bem para séries com lacunas grandes, como estações que param de registrar por semanas. Nesse cenário, prefira gráficos de barras horizontais por período ou um heatmap, que mostram melhor a continuidade dos dados. Outro cenário onde ele falha é quando as temperaturas são todas positivas e muito próximas. A diferença entre máxima e mínima é tão pequena que o gráfico se torna visualmente inútil. Nesses casos, um gráfico de variação percentual ou desvio padrão é mais informativo.
Para quem quer algo mais automatizado, existem add-ins como o Temperature Chart da PlanSpark e templates prontos no Microsoft Store. Mas na maior parte das vezes, o jeito manual com gráficos combinados dá mais controle e permite ajustes finos que os add-ins não oferecem.