Guilherme Vendeu Seu Violão A 360 Reais - Guilherme Vendeu Seu Violão A 360 Reais - RETOEDU
Guilherme Vendeu Seu Violão A 360 Reais - RETOEDU

Como avaliar e vender um violão usado sem levar zoação

Vender um violão usado é uma daquelas coisas que todo mundo faz pelo menos uma vez e quase todo mundo faz errado. O mercado brasileiro de instrumentos usados é enorme, mas também é cheio de gente sem noção do valor real das coisas. Eu já vi violão de marca boa sendo vendido por preço de sucata só porque o dono não sabia como apresentar o instrumento, e já vi gente pagando o dobro do que devia porque achou que "era pechincha". A diferença entre sair no lucro e se arrepender geralmente está em três coisas: avaliação honesta, fotos decentes e o jeito que você escreve o anúncio. Antes de colocar o instrumento à venda, você precisa saber o que tem em mãos. Pegue o violão e procure a etiqueta interna ou o cabeçote. No meu caso, já aconteceu de eu encontrar um violão YAMAHA FG800 num brechó de instrumentos por R$180. A etiquetas estava borrada, mas olhei o número de série, botei pra consultar no site da Yamaha, e descobri que era um modelo de 2018, nono ano de fabricação ainda razoável. Na hora que eu soube o ano exato, o preço de venda mudou de R$180 para R$350, e vendi em quatro dias. Sem saber o ano, aquele violão provavelmente teria ficado parado por meses ou vendido por preço de banana.

guilherme vendeu seu violão a 360 reais

A situação que ficou famosa na rede social brasileira envolvia justamente um cara que vendeu o violão por 360 reais, e o comentário mais recorrente era que o preço estava abaixo do que o instrumento valia. Não é incomum. A maioria das pessoas que vende instrumentus usados pela primeira vez subestima o valor. Um violão entry-level usado, como um Fender CD-60S, um Cifra Club C-41, ou até um Yamatá FG800 em bom estado, normalmente gira em torno de R$350 a R$500 no mercado de usados. Se o violão tiver algum defeito — trastes desgastados, tarraxas folgadas, tampo com trincas — aí o valor cai mesmo. Mas se está em bom estado, 360 reais é pouco. O erro mais comum que eu vejo é a pessoa não tirar fotos boas. Eu já perdi venda porque o vendedor mandava foto do violão embrulhado num capote escuro, sem luz, sem mostrar detalhes. O comprador não consegue avaliar o estado real do instrumento e desiste. Tire fotos em dia claro, perto de uma janela. Mostre o tampo, o fundo, o braço, o cabeçote, a rosca das tarraxas, e se tiver algum arranhão ou marca, mostre também. Transparência vende mais do que perfeição. Eu já tenho um guia mental rápido pra isso: cinco fotos no mínimo, sempre com luz natural, e uma foto do número de série.

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Outro ponto que muita gente ignorá é a descrição. Escrever "violão seminovo, ótimo estado" não ajuda ninguém. Use termos técnicos corretos: especificar se é violão 7/8 ou tamanho full size, se é aço ou nylon, quantas cordas, qual o estado dos trastes, se precisa de regulagem. Eu costumo incluir isso no anúncio: "Violão YAMAHA FG800, tamanho full, aço, trastes com 70% de vida útil restante, tampo em solid spruce, precisando de regulagem de ação das cordas, mas tocável sem dor". Essa descrição atrai quem sabe o que está comprando e afasta quem quer comprar por impulso e depois reclamar. Tem uma limitação séria que todo vendedor precisa considerar: o mercado de usados no Brasil é regional. Anunciar numa plataforma nacional como o Mercado Livre ou OLX faz sentido, mas o frete de um violão é caro e arriscado. Já tive um amigo que enviou um violão por transportadora e chegou com a cabeça quebrada. A seguradora pagou, mas levou três meses pra resolver. Se o violão for de baixo valor, tipo abaixo de R$500, o ideal é vender apenas na região e combinar retirada no local. Dinheiro na mão, instrumento testado, sem surpresas.

Para precificar corretamente, use como referência o preço de revenda, não o preço de tabela novo. Um violão que custou R$800 novo, usado em bom estado, vale entre 40% e 60% desse valor. Depende muito da marca e do estado. Marcas como Yamaha, Fender e Ibanez mantêm valor melhor. Marcas genéricas ouentrada de gama baixa desvalorizam rápido. Se o violão for de uma marca sem reconocimiento no Brasil, dificilmente vai passar de R$200 no usado, independente do estado. Quem tá pensando em vender hoje e tá se perguntando se 360 reais é preço justo pro seu violão, faça esse cálculo rápido: pesquise no Mercado Livre e OLX por "violão [marca] [modelo] usado", filtre pelos últimos anúncios fechados (não só os ativos). A mediana desses preços é o valor real de mercado. Se o seu está abaixo disso, tá vendido barato. Se está acima,justifique na descrição com fotos e detalhes do estado.

Uma última coisa prática: combine o teste antes da retirada. Peça pra o comprador tocar o violão na sua frente, verificar cada casa do braço, confirmar se não há corda solta ou trasteado irregular. Isso evita que a pessoa leve o instrumento e volte no dia seguinte dizendo que tinha defeito. Eu já passei por isso. Vendi um violão, o comprador disse depois que vinha com um traste alto. Como eu tinha deixado ele testar e aprovar na minha presença, não tive problema. Foi um caso de má fé dele, mas ter o teste gravado ou pelo menos uma mensagem confirmando que o instrumento estava funcionando no ato da entrega salvou meu pescoço.