Instrumento Usado Na Capoeira - Instrumento musical brasileiro chamado berimbau e geralmente usado ...
Instrumento musical brasileiro chamado berimbau e geralmente usado ...

Os instrumentos da capoeira e como eles realmente funcionam na roda

O berimbau é o instrumento principal da capoeira. Ele define o toque, o ritmo, a energia da roda. Sem ele, não tem capoeira, só exercício. O formato básico é uma barra curva de metal ou madeira com uma corda de aço esticada e uma cabaça pendurada na parte inferior que serve de caixa de ressonância. Você segura com uma mão, bate na corda com uma pedrinha ou moeda na outra, e faz o barulho de tônica e grave apertando a moeda na corda. Tem mais dois instrumentos que todo mundo conhece, mas que muitas vezes são mal usados: o pandeiro e o atabaque. O pandeiro entra na sequência rítmica, geralmente marcando o tempo de forma mais clara que o berimbau. O atabaque é um tambor alto, tocado com a mão, e fica no posto mais importante depois do berimbau de viola. Ele dita o início e o fim dos toques, quando começar e terminar a bateria, por exemplo.

Como colocar o instrumento usado na capoeira para funcionar corretamente

Vou falar primeiro do berimbau porque é o que dá mais trabalho e também o que causa mais confusão entre iniciantes. O primeiro erro que eu vejo sempre é a cabaça ficando torta ou muito solta. Quando a cabaça não está posicionada no ângulo certo, o som fica abafado. Tem que ajustar até que a boca da cabaça aponte para o chão em um ângulo de aproximadamente 45 graus. Isso leva uns dez minutos de teste e erro na primeira vez, mas depois você faz no automático. Outro ponto importante: a pedra ou moedinha que você usa para tocar. A maioria dos capoeiristas usa uma pedra de rio lisa. Eu já tentei moeda, colher, chave de fenda, tudo funciona, mas a pedra dá o melhor contato com a corda. Ela não escorrega tanto quanto metal, o que significa que você gasta menos energia mantendo a pressão e pode tocar por mais tempo sem cansar.

Eu tive um problema específico que não aparecia em nenhum tutorial: em dias muito secos, a corda do berimbau fica tão tensa que o som fica metálico demais. A cabaça também resseca e perde um pouco da ressonância. A solução que eu encontrei foi colocar um pano úmido perto do instrumento durante os ensaios e, às vezes, passar um pouco de cera de abelha na base da cabaça onde ela encosta no cabo. Isso mantém umidade local e o som volta a ficar quente depois de cinco minutos de jogo.

Os outros três instrumentos que completam a bateria

O pandeiro de capoeira não é igual ao pandeiro folk ou sertanejo. Ele é mais pesado, com moedas maiores e um couro mais grosso. O som que ele produz é mais seco, mais definido. Se você usar um pandeiro de show ou de música popular, ele vai soar alto demais e brigar com o berimbau em vez de complementá-lo. Os toques de pandeiro na capoeira seguem padrões bem específicos. O São Bento Grande, por exemplo, tem um ritmo que marca fortemente o pulso. O Ilú xexe é mais suave e acompanhava o movimento da ginga. O atabaque merece atenção separada porque muitos capoeiristas aprendem a tocar berimbau mas nunca colocaram a mão num tambor alto. O atabaque se toca com a palma e os dedos, nunca com baqueta. O golpe de abertura se chama "batera" e se faz com a mão aberta no centro do couro. O fechamento é com os dedos nas bordas. Se você bater no centro do couro com força demais, o tambor perde o afinamento rápido. Eu aprendi isso na unha, tocando em rodas de rua onde o atabaque era ignorado e o buraque era evidente.

O reco-reco entra como instrumento de sincronia. Ele não leva melodia, leva o tempo. É aquele raspador de bambu ou metal com ranhuras que se toca com uma vareta. Na capoeira, o reco-reco toca em uníssono com o pandeiro na maior parte dos toques. Se você estiver atrasado em relação ao pandeiro, toda a bateria desynchronize em questão de segundos.

Erros comuns que todo mundo comete no início

A maioria dos iniciantes tenta aprender todos os instrumentos ao mesmo tempo. Não funciona. O berimbau leva pelo menos seis meses de prática consistente para ficar tocável. O pandeiro leva cerca de três meses para o ritmo básico. Se você começar os dois juntos, vai conseguir rabisco nos dois e nada nos dois. Foque num só primeiro. Outro erro: achar que o berimbau é difícil porque exige força. Não é. Exige coordenação. A mão esquerda segura o cabo e controla a tensão da corda. A mão direita bate e toca a moeda. Se você apertar a corda com muita força na mão esquerda, o som fica morto. A pressão precisa ser suficiente para segurar, não para esmagar. Eu levei dois meses para entender isso. Eu estava torcendo o pulso esquerdo todo dia de prática.

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Tem também a questão do afunilamento de som em espaços fechados. O berimbau agudo, tipo o berimbau de viola, corta paredes. Em sala de aula ou academia, o som reflete demais e cansa a ouvido rapidamente. A solução prática é usar um feltro ou pano fino sobre a corda onde a mão direita faz o contato. Isso amortece o agudo e o instrumento fica mais confortável para ensaiar por mais tempo.

Manutenção básica que poupa muito trabalho

Cabo de berimbau de madeira precisa ser verificado periodicamente. A madeira pode trincar com o tempo, especialmente se ficar exposto ao sol direto. Um pouco de óleo de linhaça aplicado duas vezes por ano basta para manter a integridade. Cabo de metal não tem esse problema, mas a solda onde a cabaça se conecta pode enfraquecer. Aperte antes de cada uso. O couro do atabaque precisa ser esticado regularmente. Se ele estiver folgado, o som fica surdo e não sustenta o tempo do toque. A forma correta de ajustar é com grampos de afinação ao redor da aro de madeira. Você aperta devagar, de um lado para o outro, alternando os lados. Se apertar tudo de uma vez de um único lado, o couro rasga. Já vi isso acontecer em rodas informais onde alguém tentou afinar com pressa. O couro rasgou na hora.

O pandeiro também precisa de atenção no couro. A umidade do ar faz o couro expandir e contrair. Num dia úmido, o pandeiro fica mais alto. Num dia seco, ele embola. Ajuste fino pode ser feito passando levemente o couro sobre vapor de água morna por alguns segundos e deixando secar naturalmente. Isso recupera a tensão do couro sem risco de rasgar.

Quando usar um instrumento em detrimento do outro

Existem toques que pedem o berimbau sozinho e toques que pedem a bateria completa. O Anil, por exemplo, costuma ser tocado apenas com o berimbau no início, criando uma atmosfera mais introspectiva. O São Bento Grande pede todos os instrumentos porque é um toque de entrada violenta, de capoeira rápida. Se você tentar tocar São Bento Grande só com o berimbau, o ritmo perde a estrutura rítmica que sustenta os movimentos dos jogadores. Em rodas de rua, a dinâmica é diferente. Não tem espaço para o atabaque porque ele não transporta. A maioria dos grupos de rua toca com berimbau, pandeiro e reco-reco. Se você levar um atabaque para uma roda de calçada, ele vai dominar o som e afastar as pessoas. O atabaque funciona bem em templos, academias e espaços cobertos onde o som não se perde.

O instrumento usado na capoeira que menos se fala mas que salva a bateria

O ganzá é o instrumento mais subestimado da capoeira. Muita gente acha que é só um chocalho. Ele entra em vários toques importantes, especialmente no IIê e no Benguelã, onde ele marca o contratempo que diferencia o jeito capoeira de tocar. O problema é que o ganzá comum de rock ou samba não soa como o ganzá de capoeira. O de capoeira é mais fechadinho, com grânulos menores e um som mais seco. Se você usar um ganzá de escola de samba, o som fica muito aberto e compete com o berimbau em vez de preencher o espaço rítmico. Eu tenho usado um ganzá de fabricação artesanal há anos. Ele é mais caro que um ganzá de loja, mas o som é mais preciso e ele não solta grânulos durante a prática. Num primeiro momento isso parece algo menor, mas numa roda de quatro horas, você não quer parar todo santo dia pra recuperar grânulos espalhados pelo chão.

Conclusão prática

A capoeira tem uma bateria específica que não funciona se você tentar improvisar instrumentos de outras músicas. Cada instrumento tem um papel definido dentro do toque, e errar o instrumento errado é o caminho mais rápido para a roda perder o ritmo. Comece pelo berimbau, aprenda os três toques básicos, depois adicione o pandeiro. O atabaque e o reco-reco vêm depois, quando você já tiver domínio do pulso. Teste os instrumentos nos diferentes ambientes antes de decidir o que leva pra rua. O som que funciona num templo não funciona necessariamente num pátio aberto.