Lei De Coulomb Exercícios Resolvidos Com Cálculos - Exercícios Resolvidos: Lei de Coulomb | PDF
Exercícios Resolvidos: Lei de Coulomb | PDF

Resolvendo problemas de força eletrostática na prática

Muita gente trava na hora de aplicar a lei de Coulomb em exercícios porque pula a etapa mais importante: identificar as cargas, as distâncias e as direções das forças antes de qualquer conta. Eu vejo isso o tempo todo em listas de exercícios e em provas. O aluno já começa plugando números na fórmula sem saber ao certo o que está acontecendo no sistema.

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A fórmula básica é F = k × |q1| × |q2| / r², onde k vale aproximadamente 9 × 10 N·m²/C² no vácuo. Simples de escrever, complicado de aplicar quando as coisas não estão alinhadas no eixo x ou y. Aí entra a parte que a maioria dos materiais didáticos pula: decomposição vetorial. Vou passar por três exercícios típicos, mas com os detalhes que realmente importam. No primeiro, duas cargas pontuais fixas no eixo x. Carga q1 = +4 µC na posição x = 0 m. Carga q2 = -2 µC na posição x = 3 m. Qual a força resultante sobre uma terceira carga q3 = +1 µC colocada em x = 1 m?

Primeiro passo: desenhar tudo. Esboçar as posições e as direções das forças. q1 repele q3 para a direita porque têm sinais iguais. q2 atrai q3 também para a direita porque têm sinais opostos. Ambas as forças apontam para o mesmo lado, então vou somá-las diretamente sem decomposição. A distância entre q1 e q3 é 1 metro. A distância entre q2 e q3 é 2 metros. F13 = 9×10 × 4×10 × 1×10 / (1)² = 36 mN para a direita. F23 = 9×10 × 2×10 × 1×10 / (2)² = 22,5 mN para a direita. Força resultante = 58,5 mN para a direita. Nota: usei mN porque os valores ficaram pequenos demais em Newtons para serem confortáveis.

Agora o segundo exercício, um pouco mais chato. Mesmas cargas q1 = +4 µC e q2 = -2 µC, mas agora q3 = +1 µC está em y = 2 m, ou seja, fora do eixo das cargas. Posições: q1 na origem, q2 em (3, 0), q3 em (0, 2). Aqui a decomposição vetorial obrigatoriamente entra em cena. A distância entre q1 e q3 é 2 m. A força F13 tem intensidade 9×10 × 4×10 × 1×10 / (2)² = 9 mN. Como q1 está na origem e q3 está no eixo y positivo, a força aponta para cima, na direção +y. Sem componentes x.

Já a distância entre q2 e q3 exige Pitágoras. Delta x = 3 m, delta y = 2 m. Distância = raiz de 13 3,606 m. Intensidade de F23 = 9×10 × 2×10 × 1×10 / 13 = 1,385 mN. Como q2 atrai q3, a força aponta de q3 em direção a q2. O vetor vai de (0,2) para (3,0), então delta x = 3 e delta y = -2. Componente x de F23: 1,385 × (3 / 3,606) = 1,152 mN. Componente y de F23: 1,385 × (-2 / 3,606) = -0,768 mN. Agora somo as componentes. Fx resultante = 1,152 mN. Fy resultante = 9 - 0,768 = 8,232 mN. Módulo da força total: raiz de (1,152² + 8,232²) = 8,31 mN. Direção: ângulo em relação ao eixo x = arctg(8,232 / 1,152) 82 graus.

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Esse tipo de problema é onde muita gente erra. Ou esquece de calcular o ângulo correto, ou inverte seno com cosseno, ou coloca sinal errado nas componentes. Sempre desenha o triângulo de força antes de separar as componentes. Se o desenho estiver certo, as contas saem certas. Terceiro exercício, o que eu mais vejo dar problema na prática: três cargas em vértices de um triângulo equilátero de lado 0,5 m. q1 = +3 µC, q2 = +3 µC, q3 = -2 µC. Quero a força sobre q3.

Por simetria, as componentes x das forças de q1 e q2 sobre q3 se cancelam parcialmente. Vou colocar q3 na base do triângulo, no ponto médio entre q1 e q2 horizontalmente. A altura do triângulo equilátero é 0,5 × raiz de 3 / 2 0,433 m. Cada força individual tem intensidade: F = 9×10 × 3×10 × 2×10 / (0,5)² = 0,216 N. Cada força faz um ângulo de 30 graus com a vertical, porque a linha que liga cada carga da base ao vértice inferior forma 30 graus com a altura. Componente vertical de cada força: 0,216 × cos(30°) = 0,187 N. Como ambas apontam para cima (atração, cargas de sinais opostos), somo: 0,374 N para cima. Componentes horizontais se cancelam exatamente por simetria. Força resultante = 0,374 N na direção vertical, apontando para o centro do triângulo.

O que as pessoas geralmente não entendem é que a simetria resolve metade do problema. Quando você identifica simetria, já sabe que certas componentes vãoZERAR sem precisar calcular nada. Isso economiza tempo e reduz chance de erro aritmético. Um detalhe prático que poucos mencionam: conversão de unidades. Microcoulomb é 10, nanocoulomb é 10. Se você misturar na mesma conta sem converter, o resultado fica completamente errado e muitas vezes você não percebe porque o número parece razoável. Sempre verifique se todas as cargas estão na mesma unidade antes de multiplicar. Distância sempre em metros. Se o exercício der centímetros, divide por 100. Se der quilômetros, multiplica por 1000.

Outro ponto que causa confusão recorrente: o valor de k depende do meio. 9×10 é só para o vácuo. Se o exercício mencionar água, vidro, óleo, você precisa usar a permissividade relativa do material. Na água, por exemplo, k cai para cerca de 2×10. Exercícios de faculdade às vezes esquecem de especificar o meio e assumem vácuo automaticamente. Se o enunciado não disser nada, vá de vácuo, mas questione se for possível. Eu tenho uma história específica que ilustra bem isso. Em 2019, orientando um aluno de engenharia, ele estava resolvendo um problema de duas cargas em uma placa de baquelite. Ele usou k = 9×10 e o resultado veio absurdo. A força era muito menor do que deveria. Aí percebemos que o enunciado pedia para considerar a constante dielétrica da baquelite, que é cerca de 4,9. Ele simplesmente não tinha notado. Desde aquele dia, eu treino meus alunos para sublinhar qualquer menção a material entre as cargas antes de começar a conta.

Outro erro comum: tratar força elétrica como escalar quando ela não é. Se tiver duas forças atuando em direções diferentes, não some os módulos. Some vetores. Esse erro aparece até em prova de vestibular quando colocam uma questão com cargas em posições que formam ângulo. A resposta errada mais frequente é simplesmente a soma dos dois módulos, o que nunca está certo exceto quando as forças são colineares e no mesmo sentido. Sobre ferramentas de cálculo, planilhas funcionam bem para exercícios didáticos porque permitem ver cada passo. Para problemas com muitas cargas ou geometrias irregulares, programas como o Python com NumPy facilitam a soma vetorial. Mas o conhecimento conceitual vem antes de qualquer ferramenta. Você não consegue validar um resultado numérico se não souber esperar um certo intervalo de grandeza.

Para fixar, resolva exercícios seguindo esta ordem: primeiro desenhe, depois liste dados conhecidos e desconhecidos, depois converta unidades, depois calcule distâncias individuais, depois intensidades de cada força, depois decomponha, depois some vetorialmente, e só então verifique se o resultado faz sentido fisicamente. Se a força resultante for maior que a soma das forças individuais, você errou em algum passo porque forças em direções diferentes não podem se somar assim. A lei de Coulomb em si não é difícil. O problema é que os exercícios testam várias habilidades ao mesmo tempo: álgebra, geometria, trigonometria, vetores e atenção a unidades. Dominar a física é a parte mais simples. A parte trabalhosa é manter a organização durante o processo.