Limite De Resistencia A Tração - Limite de resistência a tração 💪 {Atualizado em 2022}
Limite de resistência a tração 💪 {Atualizado em 2022}

O que acontece quando o material começa a ceder

A maioria das pessoas confunde limite de resistência a tração com limite de escoamento. São duas coisas diferentes e trocar uma pela outra em um projeto pode custar caro. O limite de resistência a tração, também chamado de tensao ultima, é o ponto maximo que o material suporta antes de romper. Depois dele, a coisa não volta mais. Na prática, você mede isso com um ensaio de tração uniaxial. Amostra padronizada na maquina, velocidade de deslocamento controlada, extensometro acoplado e um grafico tensão-deformação que vai subindo ate o pico e depois despenca. Simples assim.

Como determinar o limite de resistencia a tração na pratica

Vou explicar o processo direto, sem enrolação. Primeiro, voce precisa de uma amostra conforme a norma NBR NM ISO 6892-1 para metais ou ASTM E8, dependendo do material. A geometria importa. Um provete de traccao com seção uniforme no meio e pontas mais grossas nas extremidades permite que o alinhamento da maquina nao influence tanto o resultado. Segundo, monte o equipamento. Instron, MTS, Zwick — nao faz diferenca qual marca, desde que a celula de carga esteja calibrada e a taxa de deformação esteja dentro do controle aceitavel. Para metais, a velocidade inicial comum fica entre 1 e 10 mm/min até aproximadamente 50% do limite de escoamento esperado. Depois passa-se para controle de deformação com extensometro.

Terceiro, colete os dados. A máquina registra força em função do deslocamento. Divida a força pela area transversal original da amostra e voce tem a tensão. O maximo desse valor no grafico e o seu limite de resistencia a tração. Anote tambem a deformação correspondente. Um detalhe que muita gente deixa passar: a area transversal original, nao a atual. Se usasse a area instantanea, entraria no calculo o efeito de estricção, o que distorce o significado da propriediadde do material. A norma é clara nisso e ignorar gera resultados irreconheciveis.

Eu já vi engenheiros jovens reportarem valores 15% maiores porque esqueceram de retirar o extensometro no momento certo e a máquina continuou carregando apos a perda de aderencia. O resultado parecia um pico artificial. A correcao foi refazer o teste com o extensometro acoplado ate o ponto de escoamento e depois substituir os dados pelo deslocamento crosshead com fator de correcao dealongramento da maquina.

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Nao confunda com o que parece

Existe uma armadilha comun. Voce pode olhar o grafico e achar que o pico eh o fim da historia. Mas o material já começou a encruar bem antes disso. O encruamento eleva a resistencia conforme a deformação plastica avança. Quando chega ao ponto de necking, a seção local diminui abruptamente e a força necessaria para continuar deformando cai, mesmo que o material neste ponto ainda esteja resistindo mecanicamente. Por isso o pico do grafico nem sempre corresponde ao comportamento real em servico. Outro ponto: o limite de resistencia a tração depende da taxa de deformação. Materiais ferrosos sao relativamente insensiveis, mas ligas de aluminio e titânio mostram aumento mensurável da resistencia quando a velocidade de deformacao sobe. Se voce esta dimensionando para impacto ou carregamento dinamico, o valor obtido em ensaio quasi-estático pode nao representar o comportamento real. Aí a diferença fica entre 8% e 20% em certos materiais.

Tambem vale mencionar que tratamentos termicos alteram drasticamente esse valor sem mudar significativamente a densidade ou o modulo elastico. Um aço 1045 normalizado pode ter limite de resistencia a tração em torno de 580 MPa. Se receber resfriamento rapido e revenido, ultrapassa 900 MPa com perda de alongamento. Entende por que o processo metalurgico eh tao importante quanto a composicao quimica.

Quando o metodo nao funciona mais

O ensaio de tração padrao tem limitacoes reais. Ele so funciona bem para materiais homogeneos e isotrocos. Compósitos laminados, materiais com defeitos internos visiveis, componentes soldado es, ou ligas com fases desbalanceadas — aqui o resultado médio perde o sentido. Voce pode obter um numero no grafico, mas ele não diz nada sobre o comportamento real da estrutura. Materiais muito ducteis tambem apresentam dificuldade. O necking é tao avanzado que a tensao real no ponto de ruptura diverge bastante da tensao nominal. Nesse caso, o limite de resistencia a tração reportado pela norma representa mais um parametro de controle de qualidade do que um dado projetual confiavel. Para esses materiais, o indicado eh complementar com ensaio de tenacidade a fratura ou analisi de elemetos finitos com curva real de encruamento.

Uma observação final. O valor do limite de resistencia a tração varia com a temperatura. Em temperaturas elevadas, acima de 0,4 Tm (temperatura de melting em Kelvin), o encruamento desaparece e o material começa a fluir de forma consistente. Projetos que operam nessa faixa precisam usar dados de creep, nao apenas tração simples. A diferenca no valor de resistencia entre 25°C e 400°C em aços inoxidaveis austeniticos pode passar de 40%, e voce precisa saber disso antes de fechar o calculo estrutural.