Lista De Verbos No Infinitivo - Lista De Verbos En Infinitivo
Lista De Verbos En Infinitivo

O infinitivo em português: como usar sem errar

A gente convive com verbos no infinitivo o tempo todo. A forma-base que aparece nos dicionários é ela: a que não tem conjugação ainda, a que espera um sujeito para ganhar um tempo e um modo. Quando você diz "eu quero estudar", "é importante ler" ou "para fazer isso", está usando o infinitivo impessoal, aquele que não marca pessoa nem número. Fácil. O problema começa quando a coisa complica.

O que complica na lista de verbos no infinitivo

A maioria das pessoas acha que sabe infinitivo. Sabe mesmo só o básico. Eles confundem o infinitivo flexionado (pessoal) com o subjuntivo, acham que o "-r" final sempre indica futuro, e cometem erros feios de concordância quando o sujeito não é óbvio. Já vi isso acontecer até em textos jurídicos, e o erro não é pequeno: altera o sentido da oração inteira. Minha experiência mais recente foi com um aluno de direito tentando explicar uma cláusula contratual. Ele escreveu: "O inadimplemento obriga o devedor a pagar a multa, sob pena de se executar o bem". O uso do infinitivo pessoal ali era questionável. Tinha mais a ver com um subjuntivo disfarçado do que propriamente com uma construção infinitiva. Eu sugeri reescrever como "sob pena de execução do bem" — muito mais claro, e sem ambiguidade de sujeito.

Infinitivo impessoal vs. infinitivo pessoal

O infinitivo impessoal é a forma neutra. Não varia. É o que você encontra no dicionário: falar, ter, ser, ir. Ele funciona como substantivo, nomeia a ação. "Adoro nadar". Praticamente imune a erros de concordância, porque não há sujeito para combinar. O infinitivo pessoal, por outro lado, flexiona. Ele combina com a pessoa do sujeito: eu falar, tu falares, ele falar, nós falarmos, vós falardes, eles falarem. Essa variação existe porque, em português, o infinitivo pode (e às vezes deve) concordar com um sujeito explícito quando ele ocupa posição de sujeito da oração infinitiva. Exemplo: "É necessário que nós falemos" pode ser substituído por "É necessário nós falarmos". O sujeito "nós" exige a flexão.

A regra prática é simples: se o infinitivo tiver sujeito próprio (diferente do sujeito da oração principal), use o infinitivo pessoal. Se não tiver sujeito, ou se o sujeito for o mesmo da principal, use o impessoal. Isso elimina cerca de 80% dos erros comuns.

Verbos irregulares mais problemáticos

Entre os irregulares, alguns merecem atenção especial. Vou listar os que mais causam confusão na prática: Ser — infinitivo regular na aparência, mas a flexão pessoal é essencial: "é bom sermos honestos" (não "ser"). Muitos deixam o "s" cair e escrevem errado.

Ter — flexão pessoal: ter, teres, ter, termos, terdes, terem. Perda frequente do "-s" na segunda pessoa do singular em textos informais, mas em registros formais essa forma não pode ser suprimida. Ir — flexão: ir, ires, ir, irmos, irdes, irem. Cuidado com a confusão com o pretérito perfeito ("fui" "ir").

Pôr — flexão: pôr, pores, pôr, pormos, pordeis, por. Repare que na terceira pessoa do plural volta o "r" — é normal, não erro. A forma coloquial tende a padronizar tudo como "por", mas em textos formais a grafia tradicional ainda conta. Saber — flexão: saber, saberes, saber, sabermos, saberdes, saberem. Esse é relativamente tranquilo, mas a raiz "sab-" aparece no subjuntivo de forma diferente ("saiba"), o que gera dúvidas sobre qual forma usar em construções infinitivas.

Vir — flexão: vir, vires, vir, virmos, virdes, virem. Aqui entra o problema do "vindo" vs. "vir". O particípio irregular causa confusão, mas no infinitivo a forma é regular mesmo. O erro mais comum é usar "vindo" onde o correto seria "vir": "precisamos vir" (não "vindo").

Quais contextos exigem o infinitivo pessoal?

Existem situações em que o uso do infinitivo pessoal é praticamente obrigatório, e outras em que é opcional. Entender a diferença evita que você soe demais corretinho demais impreciso. Obrigatório: quando o sujeito do infinitivo é diferente do sujeito da oração principal. "O professor pediu que os alunos estudassem" equivale a "O professor pediu os alunos estudarem". Note que "os alunos" é o sujeito de "estudarem", e não de "pediu". Trocar o infinitivo pessoal pelo impessoal nesse caso ("O professor pediu os alunos estudar") soa estranho e é considerado erro em norma culta.

Opcional: quando o sujeito é o mesmo. "Eu vou estudar" e "Eu vou estudar" são equivalentes — não há variação possível porque o sujeito já é "eu". Já em casos ambíguos, como "É melhor estudarmos agora" (nós) versus "É melhor estudar agora" (alguém genérico), a escolha tem impacto semântico. O infinito pessoal marca o sujeito explicitamente; o impessoal deixa aberto.

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Erros frequentes que eu vejo todo dia

Vou listar os que mais aparecem em avaliações e textos formais: 1. Infinitivo após preposição sem flexão quando há sujeito próprio: "A falta de cuidado levou-o a cometer o erro" — ok, sujeito implícito (ele). Mas "A falta de cuidado levou-os a cometerem o erro" exige flexão porque o sujeito é "eles". Muitos escrevem "cometer" por analogia com o caso anterior. Errado.

2. Confusão entre infinitivo e gerúndio: "Estou estudando" (gerúndio, ação em curso) "Vou estudar" (infinitivo, ação futura/intencional). Usar o gerúndio no lugar do infinitivo após verbos de movimento ou intenção é um erro muito comum em linguagem informal, mas inaceitável em textos formais. 3. Uso do infinitivo como imperativo: "Para fazer o relatório, você deve..." — aqui o infinitivo funciona como instrução, mas em muitos contextos é preferível o subjuntivo ("Para que fazes o relatório...") ou uma reestruturação ("Para fazeres o relatório..."). A linha é tênue e depende do registro.

4. Infinitivo impessoal após verbos transitivos diretos: "O juiz mandou silenciar a sala" — o correto seria "mandou silenciar a sala" (impessoal, porque "a sala" é objeto direto, não sujeito). Mas "O juiz mandou silenciarem a sala" também pode ser aceito se considerar "a sala" como sujeito passivo da oração infinitiva. Essa ambiguidade é real e gera discussão.

Dica prática para montar sua própria lista

Em vez de decorar listas enormes, o mais eficiente é dominar os padrões de flexão do infinitivo pessoal e aprender os irregulares aos poucos. Você pode criar uma tabela com três colunas: infinitivo impessoal, infinitivo pessoal (1ª pessoa do plural) e nota sobre irregularidades. Por exemplo: | Impessoal | Pessoal (nós) | Nota |

|---|---|---| | falar | falarmos | regular |

| ter | termos | regular | | ser | seres | irregular na 2ª p. sing. |

| pôr | pormos | 3ª p. plur. volta o "r" | | vir | virmos | particípio irregular (vido/vindo) |

Essa abordagem economiza tempo e foca no que realmente importa. Listas completas com mais de mil verbos existem na internet, mas a maioria é redundante — cerca de 95% dos verbos usados em textos formais são regulares. Os irregulares que valem a pena memorizar são menos de cinquenta. Se quiser uma referência mais completa, o Dicionário de Verbos no Infinitivo do Dicio é uma opção prática, assim como o Infinitivo.org, que apresenta tabelas organizadas por conjugação. Ambos são gratuitos e atualizados periodicamente.

O que mais vejo como problema real não é a falta de conhecimento teórico, mas a aplicação em situações específicas onde a gramática normativa e o uso efetivo se separam. Em textos jornalísticos, por exemplo, o infinitivo pessoal é frequentemente suprimido por simplicidade, enquanto em documentos jurídicos ele é exigido para evitar ambiguidade. Conhecer essas variações de registro é tão importante quanto saber a forma correta. Outro ponto que pouca gente menciona: a influência do inglês. A estrutura "to + infinitivo" é muito mais frequente e flexível em inglês, e falantes de português às vezes tentam reproduzir esse padrão literalmente, gerando construções como "para de fumar" em vez de "pare de fumar" (imperativo) ou "para fumar" (infinitivo final). O "de" sobrando é um sintoma claro de calque linguístico.

Se o objetivo é apenas consulta rápida, uma lista bem organizada de verbos irregulares no infinitivo pessoal resolve a maior parte das dúvidas. O resto é questão de prática e exposição a textos bem escritos.