Livro Instalacoes Eletricas - Livro - Instalações Elétricas Industriais - 9ª edição- João Mamede ...
Livro - Instalações Elétricas Industriais - 9ª edição- João Mamede ...

O que vale a pena procurar quando o assunto é instalação elétrica

Pesquisei por aí e vi muita coisa ruim sendo recomendada como livro instalacoes eletricas. A maioria dos títulos que aparecem nas primeiras páginas de busca são traduções mal revisadas ou compilações genéricas que não consideram a NBR 5410 atualizada. Antes de gastar dinheiro, existe um conjunto mínimo que funciona na prática e que realmente cobre o que um eletricista ou engenheiro vai encontrar no dia a dia.

O que eu levo da prateleira

O primeiro livro que eu recomendo é a própria NBR 5410. Não é leitura entretenimento, mas é o documento base. Se você trabalha com projetos elétricos no Brasil, não adianta fugir dela. Ela determina bitolas, seletividade, tipos de, aterramento, iluminação de emergência, uso de DR, EPIs e uma série de outras coisas que os livros didáticos costumam simplificar demais. O problema é que a norma é cara e seca. Por isso complementa-se com material prático. Eu costumo ter em mãos dois livros que funcionam bem juntos. Um deles é o "Instalações Elétricas" do Jayr de Oliveira e Silva, que tem boa relação entre teoria e prática e cobre desde cálculos de carga até quadros de distribuição. O outro é o "Projeto de Instalações Elétricas" do Rubens de Faria, que é mais focado em projecto propriamente dito, com exemplos numéricos que servem para treinar o raciocínio. Nenhum dos dois é perfeito, mas juntos cobrem cerca de 80% do que aparece em obras reais.

Tem também o "Manual Prático de Instalações Elétricas" da Editora Globo, que é mais acessível para quem está começando. É um livro enxuto, com tabelas úteis e exemplos de cálculo de queda de tensão, corrente de curto-circuito e dimensionamento de condutores. Para iniciantes, ele resolve a primeira de aprendizado sem causar confusão com excesso de teoria.

Como usar esses livros na prática

Eu já vi muita gente ler o livro inteiro antes de colocar a mão na massa. Isso é perda de tempo. O jeito mais eficiente é ler o capítulo que corresponde à tarefa que você vai executar no dia. Se você vai fazer o cálculo de um quadro de distribuição, abre o capítulo de quadros, vê os exemplos, aplica ao seu caso e pronto. Se precisa dimensionar um circuito de tomadas, vai direto para a parte de tomadas. Dessa forma o aprendizado fica ancorado na necessidade real. O maior problema que eu encontrei ao trabalhar com livro instalacoes eletricas foi justamente a desatualização das normas. A NBR 5410 passou por revisão em 2004 e houve atualizações nos anexos desde então. Livros publicados antes de 2004 frequentemente tratam de temas como o uso de disjuntores termomagnéticos como proteção contra sobrecarga e curto-circuito de maneira diferente da norma atual. Se você seguir um livro desatualizado, pode dimensionar um circuito de forma insegura. Sempre verifique a data de publicação antes de comprar.

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Um caso real que encontrei

Num projeto de retrofit de um prédio comercial, precisei refazer o cálculo de seletividade entre os disjuntores do quadro geral e os quadros de distribuição. O livro que eu estava usando recomendava uma margem de 20% entre a corrente nominal do disjuntor superior e a do inferior. Na prática, essa margem não foi suficiente. A curva de disparo dos disjuntores que eu tinha disponíveis no mercado não respeitava a seletividade teórica porque os tempos de disparo se sobrepujavam em certas faixas de corrente de falta. O que funcionou foi consultar as curvas de disparo fabricadas pelo fabricante do disjuntor, ajustar a corrente nominal do disjuntor inferior para um valor que garantisse a não-disjunção simultânea, e verificar no software de coordenação que a seletividade era mantida. O livro dava a base, mas a solução veio da tabela do fabricante e da simulação. Esse tipo de situação é comum e os livros raramente abordam.

O que os livros bons ensinam que você precisa saber

Existem alguns pontos que a maioria dos livros trata superficialmente e que causam prejuízo real na obra. O primeiro é o cálculo de corrente de partida de motores. Muitos eletricistas usam apenas a corrente nominal multiplicada por um fator arbitrário, mas o fator real depende do tipo de motor, da tensão, da potência e do método de partida. Um motor de 5 CV com partida direta pode exigir um disjuntor de 25A, enquanto com partida estrela-triângulo basta um de 16A. O livro do Rubin de Faria trata disso, mas de forma breve. Recomendo consultar o catálogo do fabricante do motor para obter os dados exatos. O segundo ponto é a queda de tensão. Muitos projetistas calculam a queda de tensão apenas no trecho final do circuito, mas esquecem que a queda total é a soma de todos os trechos. Em um circuito com três pontos de uso distribuídos, a queda acumulada pode ser significativamente maior do que a queda em apenas um trecho. Isso resulta em equipamentos funcionando abaixo da tensão nominal, com perda de eficiência e vida útil reduzida. O livro do Jayr de Oliveira e Silva tem um capítulo dedicado a isso, com tabelas de queda por metro e por ampère. Use essas tabelas para fazer um cálculo rápido no local, mas valide com o software depois.

Limitações que os livros não contam

A principal limitação desses livros é que eles partem de condições ideais. A NBR 5410 assume temperaturas ambientes de 30°C para o cálculo da capacidade de condução de corrente dos condutores. Na prática, em um tetinho de concreto exposto ao sol, a temperatura pode passar de 50°C. Isso reduz a capacidade de condução do condutor em cerca de 25%. Se você seguir o livro sem ajustar, pode superaquecer o circuito. O mesmo vale para a agrupamento de condutores em calhas. Quando há mais de três condutores carregados na mesma calha, a capacidade de condução cai ainda mais. Os livros mencionam isso, mas raramente mostram exemplos práticos de cálculo com os fatores de correção aplicados. Outra limitação importante é que os livros não abordam a interferência eletromagnética em circuitos de automação e informática. Se você está passando um cabo de rede junto com um cabo de força de alta corrente, pode ter ruído e perda de desempenho. A NBR 13797 trata disso, mas a maioria dos livros de instalações elétricas dedica apenas um parágrafo ao tema. Para projetos que envolvem sistemas de informação, é essencial consultar a norma específica e fazer um estudo de compatibilidade eletromagnética.

Onde encontrar esses livros

A maioria desses títulos está disponível em livrarias técnicas e em plataformas de venda online. A versão digital é mais prática para consulta rápida, mas a versão impressa é melhor para anotações no canteiro de obras. Eu recomendo ter os dois formatos se o orçamento permitir. Para baixar gratuitamente, existem edições antigas da NBR 5410 disponíveis no site da ABNT, mas elas não são gratuitas — você precisa comprar a norma. O que existe de gratuito são resumos e apostilas que cobrem parte do conteúdo, mas não substituem a norma completa. Se você procura um livro instalacoes eletricas completo e atualizado, considere investir em pelo menos dois títulos diferentes. Um mais teórico para entender os conceitos e um mais prático para aplicar no dia a dia. Evite comprar livros genéricos de "instalações elétricas" sem verificar o índice e a data de publicação. Muitas vezes o título é atraente, mas o conteúdo é rasso e desatualizado.

Resumo do que fazer

Verifique a data de publicação. Prefira livros com índice que cubra NBR 5410, cálculos de carga, seletividade, queda de tensão, dimensionamento de condutores e proteção contra choques elétricos. Use os livros como referência, não como bblia. Quando encontrar uma divergência entre o livro e a norma, a norma sempre prevalece. E quando encontrar uma situação que o livro não cobre, consulte o fabricante do equipamento ou um profissional com experiência no tema. Isso evita retrabalho e prejuízo.