Manuel Da Costa Ataíde - Manuel da costa ataide hi-res stock photography and images - Alamy
Manuel da costa ataide hi-res stock photography and images - Alamy

Quem foi Manuel da Costa Ataíde

Manuel da Costa Ataíde foi um dos maiores nomes da arte colonial brasileira. Nasceu em Mariana, em Minas Gerais, no início do século XVIII e morreu na mesma cidade em 1830. Ele pintou retábulos, tetros, painéis e fez trabalho de estuque em igrejas de toda a região mineradora. O estilo dele é bem reconhecível: figuras alongadas, colorido forte, detalhes dourados que não ficam pesados porque a composição é equilibrada.

Conhecendo o obra de manuel da costa ataíde

Se você quer estudar a técnica dele, o caminho mais direto é olhar as igrejas onde ele trabalhou ao vivo. A igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, tem obras dele no teto e nos altares. A igreja da Ordem Terceira de São Francisco, também em Ouro Preto, e a Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Mariana, são os lugares com presença mais importante. O trabalho dele mistura pintura, entalhe e talha dourada, o que exige entender os três materiais funcionando juntos, não separados. Uma coisa que pouca gente percebe quando estuda Ataíde é a forma como ele resolve os tetos abobadados. Em vez de tratar a curvatura como um obstáculo, ele usa as linhas da abóbada para guiar a hierarquia das figuras sagradas. O olho do espectador é conduzido naturalmente do altar-mor até o ponto mais alto. Isso é uma decisão composicional calculada, não um recurso decorativo. Quando você vê uma reprodução plana de um teto, perde essa informação espacial completamente. A solução que eu uso é tirar fotos com lente grand-angular bem perto do piso, mirando para o centro da abóbada, e depois juntar várias tomadas para montar uma vista panorâmica que preserve a perspectiva real.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Outro detalhe que causa confusão é a identificação das atribuições. Muitas obras em igrejas pequenas de Minas ainda têm debates abertos sobre se são de Ataíde, de seus ajudantes ou de pintores da mesma escola. Os documentos da época são incompletos e as assinaturas são raras. Eu já passei por isso revisando fotos de uma capela em Caeté, onde uma obra parecia claramente na mão dele, mas o registro histórico só citava outros artistas. A solução prática é comparar detalhes técnicos — a pincelada nos olhos das figuras, o tipo de vermelho usado nos vestidos, o acabamento do ouro — com obras datadas e assinadas, e consultar os inventários paroquiais e notas de pagamento do período. O grande problema de usar reproduções de baixo custo para estudo é que a cor fica totalmente distorcida. O pigmento original tem uma saturação que fotografias comuns não capturam, e isso leva a interpretações erradas sobre a paleta do artista. Se o objetivo é realmente entender a técnica, vale a pena buscar imagens em alta resolução de acervos institucionais ou, quando possível, visitar o local. Não existe atalho eficiente para isso.

Para quem quer ir mais fundo, os registros de Ataíde estão principalmente em arquivos públicos e em catálogos de museus mineiros. Não há um site oficial único, mas instituições como o Museu de Arte de São Paulo e o acervo da Universidade Federal de Minas Gerais mantêm bases consultáveis. A bibliografia de referência começa por estudos de especialistas em arte colonial brasileira, como os trabalhos de Lídia Corrêa da Câmara e outros pesquisadores que publicaram análises técnicas sobre suas técnicas de aplicação de ouro e pigmentos. O que eu recomendo mesmo é um método simples: ir à igreja, observar a obra no contexto original, anotar os detalhes que só fazem sentido no espaço real, e depois comparar com imagens de arquivo de alta qualidade. Esse processo costuma levar de duas a três horas por igreja e resolve duvidas que permanecem abertas só olhando para reproduções em tela.