Entendendo os biomas brasileiros na prática
O mapa do Brasil com biomas é basicamente uma divisão territorial que o Ministério do Meio Ambiente definiu em 2004, com base em critérios vegetacionais, climáticos e edáficos. São seis biomas oficiais: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. A Zona Costeira Marinha às vezes aparece como sétima unidade em mapas mais recentes, mas não é consenso absoluto. O que muita gente não sabe é que esses limites não são linhas fixas na terra. Eles representam zonas de transição amplas. O cerrado, por exemplo, se mistura com a caatinga no semiárido e com a Amazônia no sudoeste do Pará. Se você tentar delimitar isso com precisão milimétrica num SIG, vai perder tempo e ainda assim estar errado em vários trechos.
Como obter um mapa do Brasil com biomas confiável
A fonte primária é o próprio MMA. O banco de dados oficial está disponível no SIGAMBIOMA, o sistema do ministério que disponibiliza shapefiles dos biomas em escala 1:250.000. Você baixa direto do site deles, sem intermediário. O arquivo original vem em formato shape, com projeção geográfica (lat/lon) e código SRID 4618 (SIRGAS 2000). Tem também a versão do IBGE, que usa a mesma base mas às vezes faz pequenas alterações nos limites municipais. Se o seu trabalho depende de sobreposição com unidades federativas, o mapa do IBGE pode ser mais útil. Ambos são gratuitos e abertos.
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Eu já perdi umas três horas tentando alinhar o shapefile do MMA com camadas do OpenStreetMap porque o sistema de referência era diferente. O shape do MMA vem em SIRGAS 2000 e eu estava trabalhando tudo em WGS 84. A solução foi reprojetar antes de qualquer operação de buffer ou interpolação. Se pular esse passo, seus polígonos vão migrar uns 100 metros pra leste dependendo da latitude, e isso estraga qualquer análise espacial que você fizer depois.
O que esse mapa não te diz
O mapa de biomas mostra a cobertura potencial, não a real. Ou seja, ele indica o que aquela área seria sem intervenção humana. O Cerrado no mapa ocupa boa parte do Mato Grosso, mas na prática já virou pasto e lavoura em grande extensão. A Mata Atlântica está mapeada como bioma quase inteiro, mas restam menos de 12% da cobertura original. Se você usar esse mapa para estimar área preservada, vai superestimar brutalmente. Outro problema prático: a escala 1:250.000 não captura fragmentos pequenos. Rios, estradas e desmatamentos pontuais dentro de um bioma simplesmente não aparecem. Para trabalho regional ou local, o ideal é cruzar com dados de cobertura vegetal do MapBiomas, que tem resolução anual e mosaico de 30 metros. Juntar os dois dados resolve metade dos problemas de interpretação.
Se precisar de algo mais rápido e já tá cansado de brigar com formatos, dá pra usar o GeoBioMA, ferramenta online do MMA que permite visualização interativa e exportação de recortes por município ou estado. O processo leva menos de dois minutos e já salva em shape ou GeoPackage. Economiza pelo menos uma hora de configuração de CRS em comparação com o download direto do SIGAMBIOMA.