Modelo De Artigo Acadêmico - Modelo De Artigo Academico - FDPLEARN
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Um modelo de artigo acadêmico não é uma fórmula mágica

A primeira coisa que você precisa entender é que um modelo de artigo acadêmico serve para organizar seu pensamento, não para substituí-lo. Eu já vi gente passar três dias inteiros formatando margens e espaçamentos antes de escrever uma única linha de conteúdo real. Isso é perda de tempo. O formato existe para que o revisor não perca tempo entendendo a estrutura, não para que você perca tempo achando que está avançando só porque as margens estão perfeitas. O modelo padrão que a maioria das revistas e programas de pós-graduação aceitam segue basicamente a estrutura IMRaD: Introdução, Métodos, Resultados e Discussão. Isso não é uma sugestão, é uma convenção que existe desde os anos 1950 e continua porque funciona para o sistema acadêmico atual. Se a instituição ou revista onde você vai submeter tiver seu próprio template, use esse template. Se não tiver, o IMRaD é o caminho mais seguro.

Como montar um modelo de artigo acadêmico do zero

Vou explicar como eu montei o meu próprio quando comecei a publicar, porque na época nenhuma versão disponível online estava exatamente certa para o que eu precisava. A maioria dos modelos que você acha no Google foram copiados de algum lugar e ninguém se deu ao trabalho de ajustar os detalhes que realmente importam. Aqui está o processo: Primeiro, baixe as diretrizes de submissão do periódico ou da banca onde você vai enviar o artigo. Essas diretrizes costumam ser um documento PDF com formatações específicas. Nada de suposições. Se a revista pede ABNT e você manda em APA, o artigo volta na primeira triagem sem nem ser lido. Eu já vi isso acontecer comigo pessoalmente com um trabalho que eu achei que estava pronto. Levei dois meses para conseguir submissão aceita depois disso.

Depois, crie um documento em branco com as configurações exatas: fonte Times New Roman ou Arial tamanho 12, margens de 2,5 cm em todos os lados, espaçamento entre linhas 1,5 para o corpo do texto e simples para notas de rodapé. Isso é o padrão da grande maioria das revistas brasileiras. Para artigos internacionais, verifique se pedem duplo espaçamento. O erro mais comum que eu vejo é gente escrever com espaçamento simples porque é mais fácil ler assim, e aí ter que refazer tudo na fase de formatação final. A capa ou título do artigo precisa vir separado do corpo. Inclua título, subtítulo se houver, nome completo de todos os autores, filiações institucionais com siglas dos estados ou países, e o resumo seguido de palavras-chave. Para artigos submetidos a periódicos qualificados, você também vai precisar do Lattes de cada autor e do ORCID. Sem ORCID, muitos periódicos simplesmente rejeitam antes de enviar para revisão.

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Estrutura interna que funciona na prática

A introdução deve ter entre oito e dez parágrafos no máximo. Comece contextualizando o problema, apresente o estado da arte de forma breve mas suficiente para mostrar que você conhece a literatura, identifique a lacuna que seu trabalho preenche e termine com os objetivos claros. O objetivo geral vem primeiro, seguido dos específicos. Nada de encher linguiça. Revisores leem introduções longas demais e ficam desconfiados de que o autor não sabe resumir o próprio trabalho. A seção de métodos é onde a maioria dos alunos erra porque escreve como se estivesse narrando uma história em vez de documentar um procedimento. Escreva no passado, na voz passiva ou impessoal, e inclua detalhes suficientes para que outro pesquisador possa reproduzir seu estudo. Tipo, se você usou um questionário Likert de cinco pontos, mencione quantos itens tinha, qual foi o alfa de Cronbach encontrado e qual software usou para analisar. Se não colocar esses detalhes, o revisor vai pedir para você incluir na revisão e isso atrasa a publicação em pelo menos seis semanas.

Resultados e discussão podem ser separados ou combinados, dependendo da revista. Eu prefiro separados porque fica mais fácil de fazer revisões cirúrgicas. Nos resultados, apresente os dados sem interpretá-los. Tabelas e figuras devem ter numeração própria e legenda autoexplicativa. Nada de repetir na legenda o que já está na tabela. A tabela é a tabela, a legenda explica o que ela mostra. A discussão é a parte mais difícil de escrever porque exige que você confronte seus resultados com a literatura existente. Comece respondendo diretamente à pergunta de pesquisa, depois compare com estudos similares, explique divergências se houver e finalize com as limitações do estudo. Sim, inclua limitações. É sinal de maturidade acadêmica e revisores respeitam isso. Tentar esconder limitações funciona mal porque o revisor vai apontar as mesmas coisas de qualquer jeito.

Referências e considerações finais

As referências devem seguir estritamente a norma solicitada. ABNT NBR 6023 para Brasil, APA 7ª edição para muitas revistas internacionais. Use um gerenciador de referências como Zotero ou Mendeley. Eu configurei o Zotero com um estilo personalizado para a revista onde eu mais publico e isso corta o tempo de formatação de referências de cerca de quarenta minutos para dois. Não subestime o tempo que você gasta ajustando referências manualmente. Artigos de revisão bibliográfica têm estrutura diferente. Em vez de métodos e resultados, vocês vão precisar de seções temáticas que organizem o estado da arte. Isso exige um protocolo de busca definido desde o início, com bases de dados, descritores e critérios de inclusão e exclusão documentados. Sem isso, o artigo vira um resumo informal e não passa na avaliação de periódicos qualificados.

Para quem quer baixar um template pronto, o melhor lugar para encontrar é o site da revista alvo ou na biblioteca do seu programa de pós-graduação. Templates genéricos da internet costumam estar desatualizados ou incompletos. Um modelo funcional que eu uso regularmente tem seções pré-formatadas para todos os elementos do IMRaD, campos para dados de submissão como área de avaliação e número de submissão, e uma aba separada para referências com styles já configurados para as principais normas. O arquivo fica disponível no repositório institucional da minha universidade, mas o mais importante é você adaptar o modelo às exigências específicas de cada submissão.