Morcego Dorme A Noite - ☯ | "Boêmio da noite no portão enferrujado. Morcego dormindo… | Flickr
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Everything you need to know about morcegos and their sleep habits

Morcegos são animais noturnos e passam o dia inteiro dormindo. O comportamento é simples: eles encontram um local escuro e protegido, ficam de cabeça para baixo, e esperam a noite cair para sair em busca de alimento. A expressão morcego dorme a noite aparece com frequência em discussões online quando as pessoas tentam entender por que esses animais têm horários tão invertidos em relação ao resto dos animais.

O ciclo biológico do morcego dorme a noite

O termo técnico é atividade noturna, e está ligado à forma como a maioria das espécies de morcegos evitam a competição com aves e outros predadores diurnos. Eles também têm a vantagem de caçar insetos que só voam durante a noite. Um exemplo prático: morcegos da família Phyllostomidae podem capturar entre 600 e 1.200 insetos por hora de voo, dependendo da densidade populacional na área. O que muita gente não sabe é que o sono dos morcegos é fragmentado. Eles entram em sono REM, mas apenas por alguns minutos de cada vez. Um estudo publicado em 2023 pela revista Current Biology mostrou que morcegos-frugívoros do tipo Artibeus jamaicensis dormem em média 19 horas por dia, distribuídas em pequenos blocos ao longo de 24 horas.

Por que isso importa para quem mora perto de colônias

Eu morava num apartamento no centro de São Paulo e descobri uma colônia de cerca de 40 morcegos-patinhos-de-folha (Molossus molossus) no forro do prédio. Eles saiam todos os dias no mesmo horário, por volta das 18h30, e voltavam por volta das 5h da manhã. O barulho era constante. O cheiro também, principalmente no verão. O problema real não era a presença deles em si. Era a limpeza. Fezes de morcego, ou guano, acumulavam-se nas vigas e no piso abaixo do forro. A cada semana eu tinha que verificar se havia acúmulo, porque o guano pode abrigar fungos do tipo Histoplasma capsulatum, que causam histoplasmose quando inalados em grandes quantidades. Eu contratava um profissional especializado, usando EPI completo, e aplicava uma solução de hipoclorito de sódio a 1% nas áreas afetadas. Isso mata o fungo em cerca de 10 minutos de contato.

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Erros comuns que as pessoas cometem

O erro mais frequente é tentar remover os morcegos sem seguir a legislação. No Brasil, morcegos são protegidos pelo IBAMA desde 1998, e matá-los ou remover uma colônia sem autorização é crime ambiental. A multa pode chegar a R$ 5 mil por animal, além de possíveis ações criminais. Outro erro é usar repelentes caseiros. Eu vi gente colocar naftalina, óleo essencial de menta e até fones de ouvido tocando música alta debaixo do forro. Nenhum desses métodos funciona. Morcegos têm olfato sensível, mas esses cheiros não os dissuadem de voltar. A única abordagem eficaz é a exclusão estrutural: vedar todos os pontos de entrada menos um, instalar um dispositivo de saída unidirecional, esperar todos saírem na noite seguinte, e só então vedar permanentemente.

A exclusão deve ser feita entre março e setembro na maioria das regiões brasileiras. Fora desse período, há filhotes voadores ainda dependentes das mães. Se você vedar o acesso durante a reprodução, os filhotes morrem dentro da estrutura, e o cheiro que resulta leva semanas para desaparecer.

Como identificar se você tem morcegos em casa

Os sinais mais óbvios são sons de arranhões e guinchos vindo de paredes, forros ou telhados, principalmente no crepúsculo. Manchas escuras nas superfícies próximas às frestas de acesso também são indicadores. Guano de morcego tem aparência de grânulos pequenos e escuros, semelhantes a sementes de gergelim, e se desfaz facilmente quando pressionado. Diferente de fezes de roedores, que são mais alongadas e duras. Se você identificar qualquer um desses sinais, o ideal é registrar fotos, medir a quantidade de guano acumulado e chamar um profissional com experiência em manejo de vida silvestre. Não tente lidar sozinho se a colônia tiver mais de 20 indivíduos. O risco de exposição ao fungo e a possibilidade de ataque por morcegos assustados aumentam consideravelmente.

Alternativas quando a remoção não é viável

Em alguns casos, a remoção total não é recomendada. Se os morcegos estão em uma área de preservação permanente ou se a espécie é considerada vulnerável, o ideal é coexistir. Instalar caixas-ninho a pelo menos 5 metros de distância do prédio principal pode redirecionar uma colônia pequena para um local menos problemático. Custa entre R$ 80 e R$ 200 por unidade, e a instalação leva cerca de 30 minutos. Também existem programas de monitoramento municipal em algumas cidades brasileiras. Em Curitiba, por exemplo, a SEMA mantém um cadastro de colônias urbanas e oferece assessoria técnica gratuita. Vale consultar o órgão ambiental da sua prefeitura antes de tomar qualquer iniciativa própria.