Morfossintaxe Exercícios Com Gabarito - Exercícios de Morfossintaxe com Gabarito | PDF
Exercícios de Morfossintaxe com Gabarito | PDF

O que é morfossintaxe e por que os exercícios te dão dor de cabeça

Morfossintaxe é a intersecção entre a forma das palavras e a função que elas exercem na frase. Na prática, isso significa que você precisa saber identificar se um termo é sujeito, objeto, adjunto adverbial, complemento nominal etc., mas também reconhecer se ele está funcionando como substantivo, adjetivo, advérbio ou verbo na estrutura. A confusão nasce exatamente aqui: muitas questões de concurso e vestibular cobram a análise sintática mas usam palavras que mudam de função conforme o contexto. Eu já perdi tempo demais corrigindo exercícios genéricos da internet porque gabaritos mal elaborados confundem complemento nominal com objeto direto simplesmente porque não distinguiram regência correta. A diferença entre os dois é puramente morfológica e sintática ao mesmo tempo. Complemento nominal vem de verbo transitivo direto, objeto direto também. Mas quando o termo vem after preposition, dependendo do verbo, pode ser adjunto adnominal disfarçado. Sem conhecer a regência, o aluno chuta.

morfossintaxe exercícios com gabarito

O que funciona de verdade é praticar com questões que exigem análise completa, não apenas identificação isolada de termos. Abaixo estão exercícios organizados por nível de dificuldade, com gabarito comentado. Cada questão pede para analisar a morfossintaxe dos termos destacados. Exercícios – Nível básico

1. Analise morfossintaticamente os termos destacados: a) O aluno estuda muito.

b) Ela gosta de música. c) O livro caiu da mesa.

d) Nós contamos histórias. e) A casa velha é minha.

2. Identifique a função sintática e a classe morfológica dos termos sublinhados: a) Comprou dois cadernos.

b) Moramos em São Paulo. c) O cheiro estava agradável.

d) Ele é alto. e) Ontem viajamos.

Exercícios – Nível intermediário

3. Diferencie complemento nominal de objeto direto nos pares abaixo: a) Tenho medo de altura.

b) Tenho ciúme dela. c) Preciso de seu auxílio.

d) Quero seu auxílio. e) Gosto de poesia.

4. Analise morfossintaticamente a oração abaixo: "Os alunos que estudam passam no concurso."

Identifique: sujeito, predicado, verbo, conjunção, oração subordinada, núcleo do sujeito e núcleo do predicado. 5. Classifique os termos destacados:

a) É necessário paciência. b) A situação está crítica.

c) Fomos à feira. d) Vem sempre cedo.

e) Choveu muito ontem.

Exercícios – Nível avançado

6. Reescreva as frases mantendo o sentido, mas alterando a classificação morfossintática dos termos destacados: a) Ele fez um discurso. (transforme o OD em sujeito)

b) A menina ler o livro. (transforme o OD em complemento nominal) c) Aquele aluno é inteligente. (transforme o sujeito em predicativo)

7. Analise a seguinte sequência e identifique erros morfossintáticos: "Acredito que tenha havido um equívoco nas contas apresentadas pelo diretor, o qual foi multado pelos órgãos competentes."

O relative "o qual" refere-se a quem? Qual a correção necessária? 8. Questão de concurso (adaptada): Assinale a alternativa em que a análise morfossintática está correta:

a) "Necessita-se de colaboradores." – "colaboradores" é objeto direto. b) "Aquele assunto trata de ethics." – "de ethics" é complemento nominal.

c) "Ele não tem medo de responsibility." – "de responsibility" é adjunto adverbial. d) "A escola oferece cursos de dança." – "de dança" é objeto indireto.

e) "Precisa-se de engenheiros." – "engenheiros" é sujeito paciente.

Gabarito comentado

Exercício 1 a) "aluno" = sujeito simples, substantivo. "estuda" = verbo transitivo indireto (exige "de" implicitamente), "muito" = adjunto adverbial de intensidade, advérbio.

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b) "Ela" = sujeito. "gosta" = verbo transitivo indireto. "de música" = complemento nominal (verbo + preposição + substantivo sem artigo). c) "O livro" = sujeito. "caiu" = verbo intransitivo. "da mesa" = adjunto adverbial de lugar (origem).

d) "Nós" = sujeito. "contamos" = verbo transitivo direto. "histórias" = objeto direto. e) "A casa velha" = sujeito. "velha" = adjunto adnominal (adjetivo anteposto ao substantivo). "é" = verbo de ligação. "minha" = predicativo do sujeito.

Exercício 2 a) "dois cadernos" = objeto direto. "dois" = adjunto adnominal (numeral), "cadernos" = substantivo.

b) "em São Paulo" = adjunto adverbial de lugar. Substantivo próprio + preposição. c) "cheiro" = sujeito. "estava" = verbo de ligação. "agradável" = predicativo do sujeito.

d) "Ele" = sujeito. "é" = verbo de ligação. "alto" = predicativo do sujeito (adjunto adnominal seria se estivesse antes do substantivo: "o alto homem"). e) "Ontem" = adjunto adverbial de tempo. O sujeito ("nós") está elíptico.

Exercício 3 – este é o ponto que mais cai em prova A diferença fundamental: complemento nominal completa verbo transitivo indireto e vem sempre com preposição; objeto direto completa verbo transitivo direto e vem sem preposição. Porém, em português brasileiro, a colocação pronominal e a crase complicam tudo.

a) "medo de altura" = complemento nominal. "ter medo" exige preposição "de". Altura é coisa, não pessoa – confirma CN. b) "ciúme dela" = complemento nominal. "ter ciúme de alguém" – regência exige preposição. "dela" é pronome pessoal oblíquo tônico.

c) "auxílio" com preposição após verbo que não exige OD direto = complemento nominal. "precisar de algo" exige preposição. d) "auxílio" sem preposição após "querer" (VTD) = objeto direto.

e) "gosto de poesia" = complemento nominal. "gostar" é VTI, exige "de". Poesia é coisa. Exercício 4

Sujeito: "Os alunos que estudam" (sujeito composto por oração subordinada adjetiva restritiva). Predicado: "passam no concurso". Verbo: "passam" (intransitivo, com adjunto adverbial "no concurso"). Conjunção: "que" (pronome relativo, introduz oração subordinada). Oração subordinada: "que estudam" (adjetiva restritiva). Núcleo do sujeito: "alunos". Núcleo do predicado: "passam". Exercício 5

a) "É" = verbo de ligação. "necessário" = predicativo do sujeito (substantivo abstrato usado como adjetivo). Sujeito: "paciência" (inexistente, oração sem sujeito – impessoal). b) "está" = verbo de ligação. "crítica" = predicativo do sujeito.

c) "Fomos" = verbo transitivo indireto (ir a algum lugar). "à feira" = adjunto adverbial de lugar (crase = a + a). d) "Vem" = verbo transitivo indireto. "sempre" = adjunto adverbial de tempo. "cedo" = adjunto adverbial de modo.

e) "Choveu" = verbo impessoal. "muito" = adjunto adverbial de intensidade. "ontem" = adjunto adverbial de tempo. Sem sujeito. Exercício 6

a) "Um discurso foi feito por ele." – "um discurso" vira sujeito paciente. O verbo passa para voz passiva analítica. b) "A menina é leitora do livro." – "do livro" agora é complemento nominal de "leitora" (substantivo abstrato que exige complemento preposicionado).

c) "Inteligente é aquele aluno." – "aquele aluno" vira sujeito, "inteligente" fica como predicativo antecipado. Exercício 7

O pronome relativo "o qual" refere-se ao substantivo mais próximo: "diretor". Isso está correto morfossintaticamente. Porém, há ambiguidade estilística: "o qual" poderia ser interpretado como se referindo a "equívoco" por proximidade com a ideia. A correção seria reescrever para eliminar a ambiguidade: "...pelo diretor, que foi multado..." ou "...pelo diretor, o qual, por sua vez, foi multado...". Em provas, essa ambiguidade é frequentemente apontada como erro de concordância pronominal. Exercício 8

a) Incorreta. "colaboradores" é sujeito paciente na oração com verbo na voz passiva sintética ("necessita-se"). b) Correta. "tratar de" é VTI, e "de ethics" é complemento nominal.

c) Incorreta. "de responsibility" é complemento nominal, não adjunto adverbial. O verbo "ter medo" exige complemento preposicionado. d) Incorreta. "de dança" é adjunto adnominal, não objeto indireto. Completa o substantivo "cursos".

e) Incorreta. "engenheiros" é sujeito paciente de "precisa-se" (voz passiva sintética). Gabarito: B.

O problema real que ninguém ensina

O maior erro em morfossintaxe não é confundir termos – é confundir classes gramaticais com funções sintáticas. Um adjetivo pode funcionar como predicativo, adjunto adnominal ou até substantivo. Um advérbio pode ser adjunto adverbial de tempo, modo, intensidade ou lugar. A mesma palavra muda de função dependendo da estrutura da oração. Um exemplo concreto: eu estava corrigindo uma bateria de exercícios quando me deparei com "A paciência dos alunos é fundamental." Alguns gabaritos classificavam "dos alunos" como adjunto adnominal. Outros, como complemento nominal. A análise correta depende de saber que "paciência" é substantivo abstrato derivado de "paciente" (adjetivo), e substantivos abstratos que admitem complemento preposicionado sem regência verbal específica recebem esse complemento como adjunto adnominal, não como complemento nominal. Complemento nominal exige regência verbal. Esse é um insight que praticamente nenhum material didático explica claramente.

Outro caso: orações reduzidas de infinitivo. "É importante estudar morfossintaxe." O infinitivo "estudar" funciona como sujeito. Muitos alunos e até professores classificam como objeto direto. A diferença é crucial porque afeta a regência e a concordância em construções mais complexas.

Limitações dos exercícios com gabarito pronto

Gabaritos prontos têm um problema sério: eles normalizam a interpretação padrão em vez de ensinar a analisar. Se o aluno só consulta a resposta, ele memoriza classificações, não desenvolve raciocínio. Isso funciona para provas objetivos de baixo nível, mas falha completamente em bancas como CESPE, FGV ou FCC, que apresentam questões de análise morfosintática com alternativas que pedem identificação de erro em cadeias de regressão pronominal. Um workaround que eu uso: antes de olhar o gabarito, o aluno deve justificar cada classificação em uma linha. Não precisa ser longo. Tipo: "É OD porque o verbo 'querer' é VTD e 'livro' não tem preposição." Se ele não consegue justificar, não entendeu. Essa prática dobra o tempo de correção, mas transforma a memorização em compreensão real.

Também é importante notar que alguns gabaritos de fontes não confiáveis tratam "adjunto adverbial" como lixeira. Qualquer termo que não seja sujeito, predicativo ou complemento é jogado no adjunto adverbial. Isso está errado. Termos como "daqui a pouco" podem ser complementos nominais de adjetivos ("estou longe daqui a pouco"). A fronteira entre adjunto adverbial e complemento nominal é mais tênue do que muitos materiais sugerem. Para quem quer se aprofundar, o caminho mais eficiente é usar exercícios baseados em provas reais de concursos, não em listas genéricas. A banca define o nível de exigência. Lista de internet varia de 3 a 10 em dificuldade, enquanto prova de tribunal regional federal costuma pedir análise de 5 a 8 termos na mesma frase com armadilhas de regência e colocação.