Na Medida Do Possível Significado - Livro Na Medida do Possível | Livro Fernando Rocha Nunca Usado 43063579 ...
Livro Na Medida do Possível | Livro Fernando Rocha Nunca Usado 43063579 ...

O que é "na medida do possível" e por que ele aparece em todo lugar

"Na medida do possível" é uma expressão portuguesa que indica fazer algo até onde as circunstâncias permitirem, sem ultrapassar limites práticos ou legais. É o equivalente a "sempre que viável" ou "dentro do razoavelmente exequível." A diferença entre ela e "sempre" ou "obrigatoriamente" é crucial, e a maioria das pessoas trata as três coisas como sinônimos até levar um susto. No meu dia a dia com contratos, diretrizes de conformidade e políticas internas, essa expressão aparece com frequência suficiente para ser considerada um padrão. Ela funciona como uma válvula de escape negociada. Quando você lê "a parte contratante deverá, na medida do possível, promover a capacitação da equipe", isso não significa obrigação absoluta. Significa que a obrigação existe, mas pode ser modulada por restrições reais de custo, prazo, disponibilidade técnica e regulamentação.

na medida do possível significado: tradução prática

O significado literal é algo como "de acordo com a medida/do tamanho do possível", mas na prática funciona como um indicador de proporcionalidade. Você não faz tudo que seria ideal; você faz tudo que cabe dentro do que é razoavelmente executável. Se eu tradusesse para inglês técnico, seria "to the extent possible" ou "where feasible". Ambas são amplamente usadas em normas ISO, legislações e manuais de procedimento. Existem duas armadilhas principais que as pessoas cometem ao interpretar essa expressão. A primeira é achar que ela anula o dever. Não anula. Ela apenas o condiciona à viabilidade. A segunda é acreditar que ela concede margem ilimitada para descumprimento. Também não concede. Um auditor ou juiz vai analisar se o esforço foi proporcional, não se houve esforço zero.

Como aplicar na prática

Quando você encontrar essa expressão num contrato, política ou norma, o primeiro passo é identificar quais são os parâmetros de viabilidade que ela deixa implícitos. Custo? Prazo? Disponibilidade de recurso? Conformidade legal? Sem esses parâmetros, a expressão fica subjetiva demais para ser útil. No meu caso, precisei lidar com um contrato de prestação de serviços de TI em que o fornecedor invocou "na medida do possível" para justificar a falta de implementação de backups automatizados. A cláusula dizia que eles se comprometeriam a implementar backup "na medida do possível". Eu pedi o documento interno de políticas de continuidade de negócios e a tabela de custos dos recursos de nuvem disponíveis. O fornecedor tinha orçamento alocado, a tecnologia era trivial e o prazo era de duas semanas. A justificativa de inviabilidade não se sustentou. A lição prática aqui é: exige-se evidência de esforço quando "na medida do possível" é usado como defesa. Apenas afirmar que algo é inviável não basta.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Se você está redigindo uma cláusula ou política com essa expressão, seja específico sobre os critérios que validam a viabilidade. Exemplo ruim: "a empresa fará o treinamento na medida do possível". Exemplo melhor: "a empresa realizará o treinamento obrigatório dentro de 30 dias após a admissão, exceto quando a carga operacional do departamento exceder 90% de capacidade, caso em que o prazo será prorrogado por até 15 dias úteis". A segunda versão ainda usa um conceito de limitação, mas deixa claro o que conta como situação excepcionada.

Pegadinhas avançadas que ninguém comenta

Uma coisa que pouca gente leva em conta é que "na medida do possível" carrega uma presunção de boa-fé que pode ser usada contra quem a invoca. Se você declara que algo é impossível quando, na verdade, bastaria um esforço adicional moderado, um tribunal ou órgão regulador pode considerar isso como descumprimento por omissão, não como descumprimento por impossibilidade. A linha entre inviabilidade real e preguiça institucional é tênue e depende muito do contexto setorial. Outro ponto técnico: em português, "na medida do possível" tem variação de uso conforme o registro. Em documentos formais e jurídicos, a forma normativa preza pela expressão completa. Em comunicações empresariais internas, é comum encontrar versões abreviadas como "se possível" ou "desde que viável". Essas formas abreviadas têm o mesmo peso jurídico? Geralmente sim, mas a ambiguidade aumenta. "Se possível" pode ser interpretado como discricionariedade total do executante. "Na medida do possível" ainda mantém a noção de proporcionalidade ligada a critérios externos. A diferença é pequena no papel, mas enorme na prática de litígio.

Quando essa expressão não funciona

Existem situações em que invocar "na medida do possível" é puro desperdício de tempo. Normas de segurança do trabalho, por exemplo, frequentemente tratam alguns requisitos como inegociáveis. Se a norma diz que EPIs são obrigatórios e a empresa responde "na medida do possível, forneceremos EPIs", isso não se sustenta. O termo "possível" em matéria de integridade física geralmente se refere a disponibilidade tecnológica, não a conveniência financeira. Legislações trabalhistas brasileiras, como as NRs, tratam muitos itens como obrigatórios sem margem para flexibilização via essa expressão. Um case meu: uma auditoria de compliance pediu para um cliente adaptar seus processos à LGPD "na medida do possível". O departamento jurídico interpretou como permissão para deixar de mapear fluxos de dados de áreas menores. A ANPD, em orientações posteriores, deixou claro que o mapeamento é requisito fundamental e a inviabilidade deve ser demonstrada com documentação técnica, não com declaração unilateral. O cliente teve que refazer o mapeamento inteiro sob escrutínio mais rigoroso, pagando consultancy extra. O custo de não levar a expressão a sério saiu mais caro do que o cumprimento integral.

Alternativas que funcionam melhor

Se o objetivo é criar flexibilidade sem abrir brechas interpretativas, existem expressões mais precisas. "Na medida do razoável" adiciona o filtro da proporcionalidade econômica. "Dentro dos recursos disponíveis" delimita o escopo ao orçamento. "Conforme regulamentação aplicável" tira a subjetividade e joga para a norma escrita. Cada uma tem seu uso específico, e a escolha errada pode gerar divergências que custam tempo e dinheiro. Para quem precisa operar com essa expressão no dia a dia — seja como redator, auditor, gestor ou advogado — o conselho mais direto é: documente sempre o critério de viabilidade que guiou a decisão. Um e-mail, uma ata de reunião, um parecer técnico. Se você foi razoável e deixou registro disso, "na medida do possível" tem solidez. Se não deixou, vira palavra oca na primeira disputa.