A cor do plástico na reciclagem
A cor que representa o plástico na coleta seletiva é o vermelho. É a cor usada nos coletores e lixeiras destinadas a esse material, seguindo a norma técnica brasileira NBR 13236 da ABNT. Se você está separando lixo em casa, a lixeira ou saco vermelho é para todo tipo de plástico: garrafas PET, potes de iogurte, embalagens flexíveis, tampos de pote, escorredores, sacolas, enfim. Parece simples, mas é aqui que a maioria das pessoas erra. E eu vou mostrar o porquê.
na reciclagem qual é a cor que representa o plástico
Antes de falar só da cor, precisa entender o que acontece depois que o plástico entra na lixeira vermelha. A cor é só o primeiro passo. A reciclagem real começa quando o material chega na usina de triagem, e aí os problemas aparecem. No meu trabalho com logística de resíduos, já vi caminhão cheio de plástico vermelho chegar na triagem e ter que ser descartado como rejeito porque estava contaminado com restos de alimento, gordura ou orgânico. Isso acontece o tempo todo. Um pote de manteiga que não foi enxaguado basta para estragar uma carga inteira de PET que, de outra forma, seria reciclada. O óleo e a gordura interferem no processo de lavagem e moagem, e o material acaba sendo desviado paraaterro ou incineração.
O que precisa fazer antes de jogar na lixiara vermelha: Enxágue os recipientes. Não precisa ficar esfregando com detergente por dez minutos, mas retire o excesso de conteúdo. Uma garrafa PET vazia e rapidamente enxaguada com um pouco de água já resolve na maior parte dos casos. Tampe as garrafas para evitar que virem sujeira dentro do coletor. Amasse as embalagens para ocupar menos espaço — isso facilita o armazenamento e o transporte, e reduz custos logísticos.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Não misture materiais diferentes colados uns nos outros. Embalagens laminateadas, como sachês de salgadinho ou pacotes de leite, combinam plástico com alumínio e papel em camadas finas. Eles vão para o vermelho na prática porque não há como separar no dia a dia doméstico, mas não são recicláveis da forma convencional. Muitas cidades não têm para onde direcioná-los. O ideal é verificar com a sua prefeitura ou cooperativa local se há fluxo específico para esse tipo de resíduo. Aqui vai algo que poucos sabem: a cor vermelha se refere ao plástico como categoria geral, mas nem todo plástico entra no mesmo circuito de reciclagem. O PET e o HDPE (aquelas garrafas de leite e detergentes) têm fluxo bem estabelecido no Brasil. Já o poliestireno (aquelas bandejas isopor e embalagens de ovos) e os filmes plásticos finos muitas vezes não são aceitos em usinas comuns porque demandam processos específicos e a rentabilidade é baixa.
Outro detalhe importante: a identificação por código de resina nas embalagens, aqueles números dentro do triângulo de setas. O código 1 (PET) e o código 2 (HDPE) são amplamente reciclados. Os códigos 3 (PVC), 6 (PS) e 7 (outros) geralmente não entram na coleta seletiva convencional. Na prática, isso significa que, mesmo jogando tudo na lixeira vermelha, parte desse material será separada e encaminhada para descarte inadequado pela falta de estrutura. Não é falha do seu ato de separar, é falha da infraestrutura local. Já me deparei com situações em que produtores de filmes plásticos precisavam devolver a carga para o fornecedor porque a cooperativa de catadores local não tinha contratante para aquele tipo de resíduo. A solução foi criar um canal direto com indústrias de reciclagem de filmes, que processam o material de forma diferente — moagem mais fina, lavagem com temperatura controlada e extrusão em linhas dedicadas. Nada disso existe em muitas regiões brasileiras.
O ideal, na prática, é consultar o site da sua prefeitura ou da sua cooperativa de reciclagem para saber exatamente quais tipos de plástico são aceitos na sua cidade. A cor vermelha é o padrão visual, mas o que pode ser efetivamente reciclado varia bastante de acordo com a realidade local. Resumindo o básico: plástico vai na lixeira vermelha. Enxágue rápido, amasse, tampe as garrafas e separe os materiais que sabem ser problemáticos. O resto depende de onde você mora e de como a infraestrutura da sua cidade funciona.