Na Teoria Das Eleições O Método De Borda - MÉTODO DE BORDA: Teoria das Eleições Passo a Passo | MACS, Mat. A ...
MÉTODO DE BORDA: Teoria das Eleições Passo a Passo | MACS, Mat. A ...

O que você precisa saber antes de começar a calcular

O sistema funciona assim: cada eleitor classifica os candidatos em ordem de preferência. Para cada posição ocupada num ranking, o candidato recebe pontos. Se você tem cinco candidatos, o primeiro recebe quatro pontos, o segundo três, o terceiro dois, o quarto um, e o último zero. Some os pontos de todos os eleitores e o que tiver mais vence. É isso. Nada mais. Eu comecei a trabalhar com esse método há uns anos atrás, numa experiência real de votação interna de uma comissão técnica. Na prática, o cálculo em si é trivial. O problema aparece quando você tenta aplicar em cenários com dezenas de eleitores e muitos candidatos. A planilha que eu estava usando travava porque eu não tinha previsto o caso de empates de pontos entre dois candidatos no topo. Eu resolvi criando uma função que, ao detectar empate, buscava o critério de desempate pelo maior número de primeiros lugares. Não era bonito, mas funcionou. Se você estiver fazendo isso no Excel ou Google Sheets, considere escrever uma macro em vez de depender de fórmulas manuais.

na teoria das eleições o método de borda

Definição técnica: o método de Borda é um método de votação por classificação no qual cada alternativa recebe pontos baseados na sua posição em cada ranking individual. A alternativa com a maior soma de pontos é declarada vencedora. O sistema foi proposto por Jean-Charles de Borda em 1770, originalmente para a Académie des Sciences francesa, que usava para eleger membros. Ele apresentou o método formalmente para evitar problemas do sistema de votação majoritária simples da época.

Como funciona na prática

Vamos montar um exemplo concreto. Três eleitores votam sobre quatro candidatos: A, B, C, D. Cada eleitor preenche um ranking de 1º a 4º lugar. Eleitor 1 vota: A > B > C > D

Eleitor 2 vota: B > A > C > D Eleitor 3 vota: A > C > B > D

Aplicando os pontos (4 candidatos, então 1º recebe 3, 2º recebe 2, 3º recebe 1, 4º recebe 0): Candidato A: 3 + 2 + 3 = 8 pontos

Candidato B: 2 + 3 + 1 = 6 pontos Candidato C: 1 + 1 + 2 = 4 pontos

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Candidato D: 0 + 0 + 0 = 0 pontos Vencedor: candidato A com 8 pontos. Simples.

Pegadinhas que ninguém conta

O método de Borda tem uma propriedade contraintuitiva: ele pode vencer o critério da maioria. Isso significa que um candidato pode ser preferido por mais da metade dos eleitores sobre qualquer outro adversário individual, mas mesmo assim perder a eleição sob Borda. Isso acontece porque o método acumula segundos e terceiros lugares também. Um candidato com ampla maioria de primeiros lugares pode perder para alguém com consistência de votos nas posições intermediárias. Outro ponto: o método é vulnerável ao efeito clone. Se dois candidatos semelhantes concorrem ao mesmo tempo, eles dividem os votos de quem os prefere, e um terceiro candidato pode se beneficiar. Esse é um problema sério em contextos políticos reais, onde partidos podem inscrever múltiplos candidatos estrategicamente para manipular o resultado.

Na minha experiência, um caso que me pegou foi quando os eleitores simplesmente não preenchem todos os ranking. Alguns sistemas usam preenchimento automático de posições vazias com pontos médios ou zero, mas isso altera significativamente o resultado. A solução que adotei foi exigir preenchimento completo como regra de validade do voto e rejeitar cédulas incompletas. Em contextos informais, usei a abordagem de atribuir pontos iguais para posições não declaradas, o que é menos distorcido do que zerar automaticamente.

Limitações sérias

O método de Borda não é independente de alternativas irrelevantes. Adicionar ou remover um candidato que não tem chance de vencer pode alterar a ordem entre os demais. Isso viola o critério de independência de alternativas irrelevantes (IIA) e é uma crítica clássica feita pela teoria social de escolha, especialmente pelos trabalhos de Kenneth Arrow. Outra limitação prática: o método não lida bem com eleitorado muito numeroso. O tempo de contagem cresce linearmente com o número de eleitores e quadraticamente com o número de candidatos quando você precisa verificar empates e critérios de desempate. Para eleições grandes, considere métodos computacionalmente mais eficientes ou terceirize a apuração para software especializado.

Se o seu objetivo é escolher uma única alternativa em contexto político ou organizacional, talvez o método de Condorcet ou o voto alternatif sejam opções mais robustas. O método de Borda é útil quando você quer um resultado que reflita consenso amplo e não apenas maioria polarizada, mas exige que os eleitores tenham bom entendimento do processo.

Dicas de implementação

Se você for implementar do zero, comece estruturando os dados como uma matriz onde linhas são eleitores e colunas são candidatos, com valores inteiros representando as posições de cada ranking. Use uma estrutura de dicionário para acumular pontos. Valide sempre se todos os rankings são completos e únicos por eleitor. Se precisar de desempate, defina regras claras antes da votação, não durante a apuração. Para quem quer estudar mais, o texto original de Borda está disponível em traduções acadêmicas. A Wikipédia em português tem uma página dedicada ao método, embora seja rasa em detalhes práticos. Livros de teoria da escolha social, como os de Steven Brams, abordam o tema com profundidade.