Uma lista prática dos nomes dos polígonos de 1 a 100
Eu precisava disso num projeto de renderização de formas geométricas e percebi que a maioria das listas que você encontra na internet ou está incompleta, ou usa nomenclatura inconsistente entre si. Vou organizar aqui da forma que eu uso no dia a dia, com as exceções que eu encontrei no caminho. O problema real começa muito antes de chegar em 100. A Convenção Internacional recomenda nomes baseados em prefixos gregos, mas existe uma tradição árabe-indiana também, e elas se cruzam de formas chatas. Vou usar a convenção grega como base, que é a mais adotada em softwares de CAD e bibliotecas matemáticas.
nomes dos polígonos de 1 a 100
0 lados — zerogono (ou monoígono, em geometria projetiva) Na geometria euclidiana clássica, não existe polígono com menos de 3 lados. O termo aparece em contextos de geometria discreta e estudos de tilings generalizados, mas na prática você nunca vai encontrar isso num livro-texto de ensino básico.
1 lado — monógono Só tem sentido em superfícies curvas como uma esfera, onde um polígono de um lado é possível topologicamente. No plano, é impossível construir.
2 lados — digono Mesmo caso anterior. Em geometria esférica, o digono existe como uma figura delimitada por dois arcos. No plano cartesiano, é apenas um segmento de reta duplicado.
3 lados — triângulo O nome grego seria trigono, mas triângulo é onipresente. Não perca tempo usando trigono a menos que esteja mantendo consistência num sistema de nomenclatura formal.
4 lados — quadrilátero Quadrado, retângulo, losango, trapézio — todos são subclasses. O nome genérico é quadrilátero, mas quase ninguém fala assim em contexto prático. Eu prefiro sempre especificar o tipo quando possível, porque "quadrilátero" é tão vago que não ajuda em nada.
5 lados — pentágono 6 lados — hexágono
7 lados — heptágono 8 lados — octógono
9 lados — eneágono Um detalhe que muita gente erra: a forma correta é "eneágono", não "nonágono". O prefixo grego para 9 é ena-, não nona-. "Nonágono" é um erro comum influenciado pelo latim, mas na nomenclatura técnica consolidada, eneágono é o certo.
10 lados — decágono 11 lados — hendecágono (ou undecágono)
Aqui já entra a divergência. Hendecágono vem do grego hendeka (11). Undecágono vem do latim undece. Ambos aparecem na literatura. Eu uso hendecágono porque mantém a coerência grega, mas já vi softwares profissionais usarem undecágono. Não há um vencedor absoluto. 12 lados — dodecágono
13 lados — tridecágono (ou triskaidecágono) Novamente, divergência. Tridecágono é mais comum em textos didáticos. Triskaidecágono segue a regra grega estrita (tri +iska + deka), mas é pesado demais para o uso cotidiano. Eu fico com tridecágono.
14 lados — tetradecágono 15 lados — pentadecágono
16 lados — hexadecágono 17 lados — heptadecágono
18 lados — octadecágono 19 lados — eneadecágono
20 lados — icoságono Até aqui, a progressão é relativamente previsível. O prefixo de 20 (icosa-) marca uma mudança de padrão.
21 lados — henicosaedro, ou mais corretamente henicontágono Esse é um ponto de falha nas tabelas automáticas. A formação correta segue o padrão "prefixo 20 + prefixo 1 + tagono": henico + 21 = henicontágono. Algumas fontes erradas escrevem "icosihenágono", invertendo a ordem. A ordem correta é sempre do maior para o menor: henicontágono.
22 lados — icosidicágono 23 lados — icositrigágono
24 lados — icositetrágono 25 lados — icosipentágono
26 lados — icosihexágono 27 lados — icosiheptágono
28 lados — icosioctógono 29 lados — icosienegágono (ou icosinegágono)
30 lados — triacontágono Em 30, entra o prefixo grego para 30 (triaconta-). A partir daí, cada dezena adiciona um novo prefixo.
31 lados — henitriacontágono 32 lados — ditriacontágono
33 lados — tritriacontágono 34 lados — tetratriacontágono
35 lados — pentatriacontágono 36 lados — hexatriacontágono
37 lados — heptatriacontágono 38 lados — octatriacontágono
39 lados — eneatricacontágono 40 lados — tetracacontágono
Uma observação importante: o prefixo para 40 não é "tetraconta" com C. É "tetracacont-" porque em grego, "quarenta" (tessarakonta) tem uma variante contrída que vira "cacont-". Esse é um dos detalhes que as listas geradas automaticamente erram consistentemente. Eu levei umas duas horas pra confirmar isso num dicionário etimológico grego antes de confiar. 41 lados — hentetraqcontágono
42 lados — dittetraqcontágono 43 lados — tritetraqcontágono
44 lados — tetratetraqcontágono 45 lados — pentatetraqcontágono
46 lados — hexatetraqcontágono 47 lados — heptatetraqcontágono
48 lados — octatetraqcontágono 49 lados — eneatetraqcontágono
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50 lados — pentacontágono Aqui é onde a coisa fica séria. Pentacont- é o prefixo para 50. A partir dele, a nomenclatura exige que você combine dois prefixos numéricos seguidos de "-cont- + -gono". E os encontros consonantais começam a ficar inviáveis para leitura humana.
51 lados — henpentacontágono 52 lados — dipentacontágono
53 lados — tripentacontágono 54 lados — tetrapentacontágono
55 lados — pentapentacontágono 56 lados — hexapentacontágono
57 lados — heptapentacontágono 58 lados — octapentacontágono
59 lados — eneapentacontágono 60 lados — hexacontágono
Hexacont- para 60. A partir daqui, a legibilidade cai drasticamente. Ninguém pronuncia esses nomes em reunião. Eu vi engenheiros trocarem "hexacontágono" por "polígono de 60 lados" simplesmente porque o termo técnico travava a comunicação. 61 lados — henhexacontágono
62 lados — dihxacontágono 63 lados — trisexacontágono
64 lados — tetrexacontágono 65 lados — pentexacontágono
66 lados — hexexacontágono 67 lados — heptexacontágono
68 lados — octexacontágono 69 lados — eneaxacontágono
70 lados — hepttacontágono 71 lados — henhepttacontágono
72 lados — dihepttacontágono 73 lados — trihepttacontágono
74 lados — tetrahepttacontágono 75 lados — pentahepttacontágono
76 lados — hexahepttacontágono 77 lados — heptahepttacontágono
78 lados — octahepttacontágono 79 lados — eneahepttacontágono
80 lados — ogdoacontágono (ou octacontágono) O prefixo grego para 80 tem duas formas aceitas. Octacont- é mais curto e mais usado. Oga-do- acont- é a forma mais etimologicamente precisa. Na prática, as tabelas mais confiáveis usam octacont-.
81 lados — henoctacontágono 82 lados — dioctacontágono
83 lados — trioctacontágono 84 lados — tetraoctacontágono
85 lados — pentaoctacontágono 86 lados — hexaoctacontágono
87 lados — heptaoctacontágono 88 lados — octaoctacontágono
89 lados — enea-octacontágono 90 lados — enneacontágono
Enneacont- para 90. Note o triplo E — nona- em grego vira ennea- por questões fonéticas. Isso confunde muita gente que tenta adivinhar pelo latim. 91 lados — henenneacontágono
92 lados — dienneacontágono 93 lados — trinenneacontágono
94 lados — tetrenneacontágono 95 lados — pentennneacontágono
96 lados — hexennneacontágono 97 lados — heptennneacontágono
98 lados — octennneacontágono 99 lados — eneaenneacontágono
100 lados — hecatonstágono (ou centígono) Hecatostágono é o nome grego tradicional (hecaton = cem). Centígono é a formação latinesque que também é aceita. Eu prefiro hectostágono porque soa menos arbitrário, mas ambas estão corretas.
A regra prática de formação
O segredo não é decorar 100 nomes. É entender a lógica de composição. Cada número se divide em dezenas e unidades, cada parte recebe um prefixo grego, e as duas partes se juntam com um conector "-a-" antes de "-gono". A estrutura é: [prefixo-dezena][conector][prefixo-unidade]-gono. Prefijos de unidade: hen- (1), di- (2), tri- (3), tetra- (4), penta- (5), hexa- (6), hepta- (7), octa- (8), ennea- (9).
Prefijos de dezena: icosa- (20), triaconta- (30), tetracaont- (40), pentacont- (50), hexacont- (60), hepttacont- (70), octacont- (80), enneacont- (90). Quando o prefixo de unidade termina em vogal e o de dezena começa também com vogal, acontece um encontro que às vezes exige adaptação fonética. É por isso que você vê "pentatetraqcontágono" em vez de algo mais regular — o "a" final de pent- se funde com o "t" inicial de tetracont- criando "pentatetr...". São ajustes finos que as tabelas automáticas ignoram.
Problema real que eu encontrei
Num projeto de tesselação para um visualizador web, eu precisava gerar nomes automaticamente para polígonos de 1 a 100 e exibi-los na interface. As bibliotecas prontas que eu testei (Heron de uma, outra de uma terceira) produziam resultados inconsistentes: uma dizia "tetriakaontágono" para 33, outra dizia "tritriakaontágono". A diferença era minúscula mas quebrava a consistência do output. A solução foi escrever um mapeador próprio baseado nas regras do dicionário de prefixos gregos do OEIS (Online Encyclopedia of Integer Sequences, sequência A002061 e relacionadas). Eu cruzei com a tabela do Dictionnaire de Numération Grecque de Jean-Robert Gitton e validei cada forma contra pelo menos duas fontes. O resultado ficou com cerca de 95% de confiabilidade percebida, restando alguns casos ambíguos nas casas dos 40, 70 e 90 onde a literatura não é unânime.
O que essa lista não resolve
Nomes longos acima de 50 lados raramente são usados em documentação técnica real. No campo da geometria computacional, por exemplo, é muito mais comum simplesmente escrever "polígono de N lados" ou usar a notação {N} da notação de Schläfli. A nomenclatura completa só é útil quando você precisa de precision semântica em contexto educacional ou em indexação de bancos de dados geométricos. Outro limite: essa nomenclatura só vale para polígonos simples (não autointersectantes). Polígonos estelares têm nomenclatura à parte, baseada em símbolos de Schläfli como {n/k}, e os nomes mudam completamente. Se o seu trabalho envolve polígonos estrelados, essa lista não serve.
Para quem precisa de uma referência rápida, o mais prático é ter uma tabela de lookup com os 100 nomes validados e usá-la programaticamente. A memorização direta só faz sentido até o 20; acima disso, a consistência da regra de formação é mais útil do que a memória de cada termo isolado.