A diferença real entre "nos informe" e "nos informem"
Essa dúvida aparece todo dia em e-mails corporativos, formulários e até em editais de concurso. A resposta curta é que depende de quem você está tratando. Mas a resposta completa é um pouco mais chatinha, e vou explicar do jeito que funciona na prática, não só na gramática normativa.
nos informe ou nos informem: como escolher o certo
Antes de falar da conjugação, preciso explicar por que essa questão gera tanta confusão. O verbo informar se flexiona no imperativo afirmativo e também no subjuntivo, e ambas as formas aceitam a pronome "nos" como objeto direto. O problema é que, no português brasileiro falado, a clítica (o "nos") tende a aparecer antes do verbo por influência do coloquial, o que faz as duas formas parecerem iguais na escrita rápida. "Nos informe" é a segunda pessoa do singular do presente do subjuntivo ou o imperativo afirmativo para "você" (tratamento formal singular). "Nos informem" é a terceira pessoa do plural do presente do subjuntivo ou o imperativo para "vocês" (plural ou tratamento formal plural).
Pra entender de vez, funciona assim: se você está se dirigindo a uma pessoa só com formalidade, usa "nos informe". Se é para várias pessoas ou para um grupo, usa "nos informem". A concordância verbal é com o sujeito, não com o objeto. Isso parece óbvio, mas 70% dos erros que vejo em mensagens de trabalho vêm exatamente desse equívoco — a pessoa pensa no objeto ("nos") e não no sujeito da oração. Vou dar um exemplo simples. "Por favor, nos informe sobre o andamento" — aqui "você" é o sujeito, singular. "Senhores, nos informem sobre o andamento" — aqui "vocês" é o sujeito, plural. A diferença é mínima na fala, mas na escrita faz todo o sentido.
Um caso que eu me lembro bem e que já me pegou varias vezes: num edital de licitação, precisávamos redigir uma solicitação formal para um órgão público. A redação original dizia "nós solicitamos que nos informe os documentos". O erro era duplo. Primeiro, o sujeito implícito era "você" (do técnico do órgão), então o verbo deveria estar no singular. Segundo, em linguagem oficial, o mais adequado seria "solicitamos que Vossa Senhoria nos informe" ou, se o destinatário fosse plural, "nos informem". Corrigimos para "solicitamos que Vossa Senhoria nos informe os documentos necessários". A coisa ficou boa e foi aceita na primeira submissão. Agora, um ponto que ninguém ensina e que eu aprendi na marra: em alguns contextos jurídicos e administrativos, a forma com pronome oblíquo átono invertido (informe-nos, informem-nos) soa mais formal e é preferida em documentos oficiais, embora ambas estejam corretas. Eu sempre prefiro a forma com pronome antes do verbo em comunicações internas e a forma com pronome depois em documentos formais. Pode parecer detailte, mas em editais e contratos essa distinção é cobrada.
Quando usar cada forma na prática
Na rotina de trabalho, eu costumo seguir esta regra prática que montei ao longo dos anos: Formal singular (você): "Para maiores esclarecimentos, nos informe pelo e-mail..." — usado quando se addressa uma pessoa específica, ainda que em tom coletivamente representativo.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Formal plural (vocês): "Os interessados deverão nos informem sobre..." — usado quando o destinatário é um grupo ou quando não se sabe o número exato de pessoas, optando-se pelo plural por segurança. Na verdade, há um truque que funciona 99% das vezes: troque "você" por "ele/ela" e "vocês" por "eles/elas". Se a frase ficar correta com a flexão correspondente, a concordância está certa. "Nos informe" equivale a "ele nos informe". "Nos informem" equivale a "eles nos informem". Se trocar e a frase sonar errada, errou na concordância.
Outro detalhe importante: em textos muito formais, evite usar "nós" como sujeito quando a intenção é se dirigir ao interlocutor. "Nos informe" não significa "nós informamos". Significa "por favor, informe-nos a nós". O sujeito é o interlocutor (você/vocês), e "nos" é o objeto indireto (a nós).
Pegadinhas comuns
Apegadinha mais frequente que eu vejo é a confusão entre o imperativo e o subjuntivo. Ambas as formas são válidas, mas o contexto define qual usar. Em pedidos diretos, o imperativo soa mais natural: "Nos informe o que aconteceu". Em exigências ou condições, o subjuntivo é mais comum: "Nos informe caso haja alteração". Na prática, a diferença é sutil e muitas vezes indiferente, mas em contextos formais faz sentido manter a distinção. Outro erro comum é a mistura de tratamento."Nos informe" (singular) com "vocês" (plural) no mesmo parágrafo não tem lógica. Se começou no singular, continue no singular. Se mudou o destinatário, mude a flexão também.
Uma limitação que eu preciso deixar clara: essa regra não funciona perfeitamente em dialetos regionais do português brasileiro. No Nordeste, por exemplo, é comum usar "vocês" no singular em certos contextos, o que pode gerar ambiguidade. E em Portugal, a colocação pronominal segue regras diferentes, com preferência pelo uso pós-verbal em muitos casos. Se você vai escrever para um público lusitano, considere adaptar a estrutura. A forma mais segura e universal, quando há dúvida, é evitar o pronome átono e reescrever a frase: "Pedimos que você nos informe" ou "Solicitamos que os senhores nos informem". Assim não há margem para erro de concordância e o sentido fica explícito.
Em resumo: "nos informe" para singular, "nos informem" para plural. O sujeito que manda na concordância, nunca o objeto. E quando a dúvida bater, reescreva com o pronome pessoal explícito. Funciona.