Entendendo o quadro de dados sísmicos
O quadro apresenta o numero de terremotos organizados por magnitude, região e período. É uma ferramenta que geólogos, seguradoras e equipes de defesa civil usam diariamente para monitorar atividade tectônica. A maioria dos painéis que vejo construídos por aqui seguem uma estrutura básica: tabela de registros com datas, coordenadas, profundidade e magnitude, geralmente alimentada por feeds do USGS ou do INMETRO/SISUGER no Brasil.
Como montar o quadro apresenta o numero de terremotos na prática
Para começar, você precisa de uma fonte de dados confiável. O USGS disponibiliza um arquivo CSV bruto com todos os sismos registrados nos últimos 7 dias em formato aberto. A URL direta é: https://earthquake.usgs.gov/earthquakes/feed/v1.0/summary/all_week.csv. Baixe esse arquivo, carregue no seu software de escolha — Excel, Google Sheets, ou Python com pandas — e comece a filtrar. O problema que a maioria das pessoas encontra logo de cara é que os dados vêm em inglês, com colunas como "mag", "place", "time" e "tsunami". Eu mapeiei todas as colunas para português e criei uma planilha modelo que converte automaticamente. A coluna "mag" vira "magnitude", "place" vira "localização", e eu adicionei uma coluna de classificação automática: leve (2.0 a 3.9), moderado (4.0 a 5.9), forte (6.0 a 7.9) e grande (8.0+). Isso economiza horas de trabalho manual.
Aqui vai algo que ninguém explica direito nos tutoriais básicos: a profundidade do hipocentro importa mais do que a magnitude isolada. Um terremoto de magnitude 5.0 a 10 km de profundidade causa muito mais danos do que um de magnitude 6.0 a 300 km de profundidade. Por isso, sempre inclua uma camada de filtro por profundidade no seu quadro. No meu caso, configurei para destacar automaticamente em vermelho os eventos com profundidade inferior a 50 km e magnitude superior a 4.5. Essa combinação é a que mais gera (alertas) em áreas povoadas.
Filtragem avançada por região
Se você trabalha com monitoramento de longa data, saiba que o filtro geográfico padrão do USGS por "região" tem limitações sérias. Eles dividem o mundo em buckets muito amplos como "Alaska", "Mexico", "Chile". Para o Brasil, que fica numa placa tectônica estável, o filtro não captura nada relevante porque os sismos aqui são eventuais e de baixa magnitude. O workaround que uso é filtrar por coordenadas diretamente: latitude entre -5 e 30, longitude entre -70 e -35 cobre toda a América do Sul de forma útil. No Excel, usei a fórmula: =SE(E(B2>=-5;B2<=30);C2>=-70;C2
=-35;"Sul-Americano")
Isso funcionou perfeitamente para o meu painel interno, mas tome cuidado com o fuso horário. Os timestamps do USGS vêm em UTC. No Brasil, que está no UTC-3, isso significa que um evento às 23:00 UTC ocorreu às 20:00 no horário de Brasília. Eu já perdi duas manhãs rastreamento um erro porque não converti o fuso antes de cruzar dados com relatórios da Defesa Civil local.
Pitfalls comuns e como evitá-los
O primeiro erro que vejo todo mundo cometendo é confiar cegamente na coluna "tsunami" do feed do USGS. Ela marca como 1 apenas quando há alerta de tsunami oficial emitido, não quando há efeito medido. Um sismo de 8.0 no oceano aberto pode não disparar esse flag se a magnitude for insuficiente para gerar tsunamis na costa. Já vi um quadro ser montado sem filtro de tsunami e os responsáveis achando que estavam todos protegidos porque a coluna estava zerada. Na verdade, o evento seguinte gerou ondas de 1,5 metro que inundaram um trecho da costa chilena que não estava no radar de ninguém no painel. O segundo erro crônico é usar apenas os dados dos últimos 7 dias. O feed de semana do USGS é ótimo para monitoramento em tempo quase real, mas perigoso se for sua única fonte. Eventos maiores tendem a ser reavaliados. Um terremoto classificado como 5.8 na primeira hora pode ser corrigido para 6.3 no dia seguinte quando mais estações sismográficas entram na análise. Sempre mantenha uma cópia dos dados brutos originais e rode uma verificação semanal de inconsistências de magnitude.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Se o seu quadro precisa ser automatizado, recomendo Python com a biblioteca requests e pandas em vez de depender de atualização manual. Um script simples que roda a cada 6 horas baixa o CSV, aplica os filtros, atualiza um gráfico dinâmico e envia um resumo por email. Eu usei esse setup em um projeto de monitoramento regional e ele reduziu o tempo de análise de cerca de 2 horas por dia para algo em torno de 15 minutos de verificação manual. O código em si é curto: import requests
import pandas as pd
url = "https://earthquake.usgs.gov/earthquakes/feed/v1.0/summary/all_week.csv"
df = pd.read_csv(url)
df.columns = ['tempo', 'magnitude', 'tipo', 'coordenadas', 'profundidade', 'localizacao', 'URL', 'tsunami']
eventos_relevantes = df[(df['magnitude'] >= 4.5) & (df['profundidade'].notna()) & (df['profundidade']
50)]
Isso é o básico. A partir daqui, você pode adicionar mapa de calor, gráficos temporais, e exportação para PDF. O USGS também oferece um feed JSON que permite consulta mais granular se você precisar de filtros por data específica ou raio geográfico, mas o CSV é suficiente para a maioria dos usos práticos. Lembre-se também de que a cobertura de estações sismográficas não é uniforme no mundo todo. Regiões com poucas estações tendem a subestimar magnitudes de eventos pequenos. No Brasil, por exemplo, a densidade de estações é baixa fora dos grandes centros urbanos. Isso significa que terremotos entre magnitude 2.0 e 3.5 podem simplesmente não ser registrados em partes do interior. Se o seu quadro serve para análise de frequência sísmica, ajuste suas conclusões levando essa limitação em conta.
O arquivo modelo com as colunas traduzidas, os filtros aplicados e os gráficos já configurados está disponível para download gratuito no meu repositório público. Basta clicar no link abaixo. Download do modelo de quadro sísmico
Qualquer dúvida sobre configuração específica ou adaptação para outra região, deixe nos comentários. Responderei na medida do possível.