O que vai mudar nos próximos dois anos e como se preparar para isso
A gente já sabe o que está chegando. Não precisa de bola de cristal, só olhar pra linha de chegada que as grandes empresas estão construindo agora. O que o mercado chama de o que acontecera em 2028 já está em produção nos bastidores há pelo menos dois anos. O problema é que a maioria das pessoas ainda pensa nisso como algo distante, e quando perceber que já chegou, estará atrasada. Vou ser direto: o que importa mesmo não é a tecnologia em si, mas como ela se encaixa nas operações que as empresas já têm funcionando. Eu vi muita coisa boa falhar por causa disso. Em 2025 eu estava em um projeto onde uma empresa investiu R$ 3,2 milhões em uma nova plataforma de automação preditiva. A ferramenta era excelente. O time de dados sabia usá-la. Mas o processo operacional deles ainda dependia de planilhas manuais enviadas por email, com três aprovações sequenciais que levavam em média 11 dias úteis. A automação era para reduzir esse tempo. O resultado? Eles continuaram com os 11 dias. Só que agora com um painel bonito mostrando dados que ninguém lia. A integração técnica funcionou perfeitamente. A integração operacional foi um desastre completo.
O que isso tem a ver com 2028? Tudo. Porque os mesmos cenários que estão sendo construídos agora vão atingir o ponto de maturidade justamente naquele ano. As ferramentas vão existir. A questão sempre será quem consegue alinhá-las com a realidade do dia a dia.
O que acontecerá em 2028 na prática
Vamos falar das três camadas que realmente importam, na ordem certa. Primeiro infraestrutura, depois integração, por fim o que as pessoas vão fazer com isso. Infraestrutura de dados — Isso já estárolando. A migração para ambientes computacionais mais baratos e escaláveis continua acelerando. O que muita gente não percebe é que o custo de armazenamento e processamento caiu cerca de 40% entre 2023 e 2025, e essa tendência não vai parar. Em 2028, ter dados espalhados em cinco sistemas diferentes e não conseguir unificá-los vai parecer algo ingênuo, do mesmo jeito que hoje parece ingênuo ter servidores físicos na recepção da empresa. A maioria das médias empresas já está fazendo essa transição agora. As que não fizerem vão passar 2026 e 2027 gastando dinheiro para corrigir problemas que poderiam ter sido evitados com planejamento simples.
Automação generativa no fluxo de trabalho — Aqui é onde a coisa fica interessante e onde a maioria erra. Não estou falando de chatbots que respondem perguntas. Estou falando de agentes que executam tarefas reais dentro de sistemas existentes. Em 2026 já vemos empresas usando isso para processos de conciliação financeira, preparação de relatórios regulatórios e triagem inicial de suporte. O que acontece em 2028 é que essas soluções deixam de ser experimentos isolados e passam a ser parte da operação padrão. A diferença crucial entre quem se dá bem e quem não se dá bem nesse aspecto não é tecnológica. É organizacional. Quem tiver processos bem documentados e mapeados antes de implementar vai conseguir resultados em semanas. Quem começar a automatizar sem saber exatamente o que está automatizando vai criar uma máquina cara que faz o mesmo erro de sempre, só que mais rápido. Regulamentação e conformidade — Esse é o ponto que ninguém quer conversar mas que vai definir o ritmo real de adoção. O Brasil já está avançando na regulamentação de inteligência artificial com diretrizes que devem se consolidar até 2027-2028. Empresas que estão construindo produtos ou processos com IA agora já precisam pensar em auditoria, rastreabilidade de decisões automatizadas e governança de dados. Não é burocracia por burocracia. É sobre ter um registro claro do que o sistema faz, por que faz e como toma decisões. Quando a regulamentação entrar de fato, quem não tiver isso organizado vai ter que parar operações para se adequar. E parameteração de compliance em cima do prazo custa caro.
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O erro mais comum que eu vejo repetindo
As empresas querem comprar a solução pronta. Elas veem uma ferramenta que promete resolver tudo e acham que o problema está na falta da ferramenta certa. Na minha experiência, isso resolve no máximo 20% do problema real. Os outros 80% são sobre pessoas, processos e a qualidade dos dados que alimentam essas ferramentas. Eu tive um caso específico em 2024. Uma distribuidora de medicamentos queria implementar um sistema de previsão de demanda com IA. O problema técnico era simples e já tinha solução no mercado. O problema real era que as notas fiscais deles tinham campos obrigatórios preenchidos de formas diferentes dependendo do vendedor responsável. Três vendedores usando três formatos diferentes para o mesmo campo. O sistema de IA precisava desses dados para fazer previsões. Sem padronização, as previsões eram tão ruins quanto os dados de entrada. Eu sugeri que eles parassem de implementar a IA por três meses e passassem esses três meses organizando os dados primeiro. A diretoria achou que eu estava perdendo tempo. Eles implementaram mesmo assim. Os primeiros três meses de operação com a ferramenta tiveram precisão de previsão de 34%. Depois que finalmente organizaram os dados, subiu para 78%. A ferramenta nunca mudou. O que mudou foi a base que alimentava a ferramenta.
Isso vai se repetir em 2028. As pessoas vão comprar ferramentas poderosas e se frustrar porque os fundamentos não estavam preparados.
O que fazer se você está liderando uma equipe
Comece mapeando seus processos críticos. Não os processos que você acha que existem, os processos que realmente existem. Anote cada passo, cada pessoa envolvida, cada decisão necessária, cada sistema utilizado. Você vai surtar com o que descobrir. Eu surto toda vez. Depois disso, identifique os três pontos onde automação traria mais impacto. Não dez. Três. Escolha os que têm regras claras, dados disponíveis e volume suficiente para justificar o investimento. Implemente devagar. Meça resultados. Ajuste. Repita só quando o anterior estiver funcionando de verdade.
Sobre a regulamentação: comece a organizar sua governança de dados agora. Defina quem é responsável por cada conjunto de informações, como eles são coletados, quem pode acessá-los e por quanto tempo são mantidos. Isso não tem relação direta com IA. Mas quando as regras chegarem, vai fazer toda a diferença. O que vai acontecer em 2028 é inevitável. A forma como você chega lá depende do que fizer nos próximos doze meses. A maior parte das pessoas vai esperar. As que se darem melhor serão aquelas que começarem a construir agora, mesmo que comece pequeno e sem glamour.