O início da ocupação efetiva
A chegada dos portugueses em 1500 foi um evento de contato inicial, mas a colonização sistêmica só ganhou força décadas depois. Quando se investiga o que aconteceu no século xvi no brasil, percebe-se que as primeiras décadas foram marcadas por uma presença francesa significativa no litoral, especialmente na Baía de Guanabara, onde os tupinambás estabeleceram alianças comerciais com os traficantes de pau-brasil. A Coroa portuguesa demorou para responder com uma estrutura permanente, pois o foco econômico inicial era a extração nômade, não o povoamento agrícola.
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o que aconteceu no século xvi no brasil
O ciclo do pau-brasil ditou os primeiros trinta anos de presença europeia organizada. As feitorias eram postos fortificados improvisados, não vilas. Eu já vi documentos de arrematação de lotes de extração nos arquivos do Rio de Janeiro que mostram contratos com prazos de apenas seis meses, renováveis se o lote fosse explorado até o esgotamento local. O indígena não era considerado mão de obra assalariada; era parceiro comercial em trocas de ferramentas de metal por trabalho de corte e transporte. Isso mudou radicalmente após 1530, quando o rei D. João III criou as capitanias hereditárias como tentativa de descentralizar o custo da colonização. Na prática, apenas duas capitania se mantiveram economicamente viáveis a longo prazo: a de São Vicente e a de Pernambuco. As demais, como a do Ceará ou do Espírito Santo, eram praticamente abandonadas pela maioria dos donatários que sequer desembarcavam e nomeavam subrogantes. Eu passei semanas cruzando mapas das divisões originais com registros de sesmarias e notei que os limites muitas vezes não respeitavam cursos d'água reais, o que gerava conflitos de propriedade que perduraram por séculos. O sistema de capitanias falhou como modelo de povoamento generalizado, mas serviu como laboratório para o posterior governo-geral instalado em 1549.
A fundação de São Vicente em 1532 por Martim Afonso de Souza marca o primeiro núcleo de colonização sustentável com famílias portuguesas efetivas. Foi ali que se estabeleceu o primeiro núcleo urbano permanente, ainda que modesto. Já o Rio de Janeiro foi retomado oficialmente pelos portugueses em 1565, após a breve experiência francesa da França Antártica, que durou pouco mais de uma década. A expulsão dos franceses não foi apenas militar; envolveu a reafirmação de alianças com tribos locais hostis aos invasores europeus e aos seus aliados tupinambás tradicionais. O século XVI encerra com uma população europeia inferior a três mil pessoas e um contingente indígena estimado entre duzentos mil e meio milhão, disperso pelo litoral. A economia ainda dependia criticamente do Pau-Brasil, mas os primeiros ensaios de cultivo de cana-de-açúcar em pequena escala já estavam estabelecidos no nordeste, preparando o terreno para o boom do açúcar no século seguinte. A estrutura legal básica, incluindo o Direito Indiano e as ordens régias sobre tratamento dos nativos, foi sendo construída nesse período, ainda que com aplicação esporádica e frequentemente ignorada pelos colonos locais.