Prova da Fatec: o que realmente cobra
A banca da FAVESP não tem muito segredo se você parar pra analisar as provas dos últimos anos. O vestibular é bem estruturado e segue um padrão que dá pra mapear com relativa facilidade. Muita gente entra tentando decorar conteúdo e acaba gastando tempo com o que não aparece. O jeito mais eficiente de estudar é entender a mecânica da prova antes de abrir um livro. A prova objetiva tem 64 questões de múltipla escolha, divididas em duas áreas. A primeira parte cobre Língua Portuguesa e Matemática, com questões interdisciplinares que misturam os dois conteúdos. A segunda parte avalia Conhecimentos Específicos, que muda conforme o curso que você está concorrendo. Não existe uma lista fixa de o que cai na prova da fatec porque cada campus e cada curso tem pesos diferentes, mas há padrões consistentes.
O que cai na prova da fatec
Em Língua Portuguesa, a banca cobra interpretação de texto com muita frequência. Não é sobre gramática pura, como concordância nominal ou regência. Eles colocam um texto — pode ser crônica, artigo de opinião, poesia, charge — e fazem perguntas sobre a tese do autor, a função do sujeito, ironia, implícitos e relação entre partes do texto. Eu já vi candidato passar horas estudando tabela de conjugação verbal e na hora da prova não cair uma única questão de morfologia. O caminho certo é treinar interpretação com textos reais da banca, preferencialmente dos últimos cinco anos. Em Matemática, o conteúdo que mais aparece são regras de três simples e compostas, porcentagem, proporção, razão, geometria básica e análise de gráficos. Equações do primeiro e segundo grau caem com regularidade. Probabilidade e estatística também estão no radar, mas em nível introdutório. Um erro comum é achar que cobra cálculo avançado. Não cobra. O nível é de ensino médio, e as questões costumam ser diretas, desde que você leia com atenção.
O vermelho foi minha experiência mais frustrante: em 2019, eu estava preparando alunos e fiz uma lista de temas baseada nas provas de 2015 a 2018. A de 2019 trouxe duas questões de matriz e determinante que ninguém tinha visto antes no perfil da banca. Gastei uma semana inteira ensinando o assunto e ainda assim só duas questões cobraram. O workaround que encontrei foi parar de tentar prever os temas e focar em desenvolver raciocínio lógico-matemático genérico, com exercícios variados de todos os tópicos básicos. Isso compensou melhor do que qualquer apostila de tema provável. Na parte de conhecimentos específicos, cada curso tem sua própria prova. Para Engenharia, por exemplo, cobram Física e Química com questões aplicadas. Para Informática, caem lógica de programação, estruturas de dados e noções de redes. Para Administração, incidem mais em interpretação de texto empresarial e raciocínio lógico. A FAVESP publica o edital com o conteúdo programático de cada curso, e é a fonte mais confiável que existe. O problema é que ele é genérico demais — lista capítulos inteiros de livros. O que realmente define o que vai cair é cruzar o edital com as provas anteriores dos últimos quatro anos.
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Uma coisa que os candidatos menosprezam é a redação. Ela tem peso diferente dependendo do curso, mas em muitos casos é fator decisivo. A banca pede um texto dissertativo-argumentativo sobre um tema de atualidades ou sociedade. Não exige linguagem acadêmica pesada. Exige clareza, coerência, estrutura com introdução, desenvolvimento e conclusão, e uso correto da norma padrão. Já vi candidato com nota alta nas objetivas ser reprovado por falta deargumentação na redação. O contraponto interessante é que alguns candidatos com desempenho mediano nas objetivas se salvam justamente por terem redação bem estruturada. Não trate isso como secundário. Sobre o tempo de prova, a maioria dos candidatos termina as objetivas sobrando tempo, mas erra por pressa nas últimas questões. A estratégia que funciona é fazer primeiro as que você sabe, deixar as difíceis por último e nunca deixar nenhuma em branco, porque a FAVESP não pune erradas. Chutar quando não tiver ideia é matematicamente vantajoso, desde que você consiga eliminar pelo menos uma alternativa.
Outro ponto prático que pouca gente considera é o calendário. As inscrições abrem uma vez por ano, geralmente no segundo semestre, e a prova é no final do ano. A concorrência varia muito entre cursos. Um curso como enfermagem ou análise e desenvolvimento de sistemas tem nota de corte bem mais alta do que cursos menos procurados. Antes de decidir o que estudar, veja as notas de corte dos últimos três anos no site da FAVESP. Isso define realisticamente o quanto você precisa tirar. Para quem está começando agora, o material mais útil são as provas antigas disponíveis gratuitamente no site daFundação Vunesp, que até pouco tempo aplicava o vestibular, e agora da FAVESP. Baixe as provas de 2018 a 2024, faça cronometradas, corrija com calma e identifique seus pontos fracos. Esse processo leva em média duas semanas se você dedicar três horas por dia. É mais eficiente do que qualquer curso preparatório genérico, porque mostra exatamente o nível e o estilo da banca.
Se você quer uma fonte oficial com tudo listado, o edital completo com conteúdo programático por curso está disponível em favesp.com.br. Lá você encontra o cronograma, as listas de cursos, os critérios de classificação e o manual do candidato. Nenhum site terceiro tem informação mais atualizada ou confiável do que o próprio edital da fundação.