A base que todo mundo esquece de revisar
A concordância nominal e verbal é um dos pilares da gramática portuguesa, mas raramente ensinada de forma prática. Quando se trata de concordância nominal, o núcleo do substantivo ou pronome deve combinar em gênero e número com os adjetivos ou determinantes que o acompanham. Já a concordância verbal exige que o verbo concorde com o sujeito em pessoa e número. Parece simples até encontrar o primeiro caso complicado.
O que é concordancia nominal e verbal na prática
No dia a dia, a maioria dos erros acontece por pressa ou por desconhecimento das exceções. Eu já perdi tempo revisando textos inteiros porque não percebia que um sujeito compostoposto atrás de uma expressão partitiva estava no singular. A regra básica diz que o verbo vai para o plural quando o sujeito é composto, mas há situações em que a lógica não se aplica tão facilmente assim. Um exemplo concreto: quando o sujeito é formado por "nem um nem outro", o verbo pode ficar no singular ou no plural, dependendo da ênfase. Se você quer destacar a exclusão de ambos, usa-se o singular. Se a ideia é de soma, o plural é mais adequado. Isso não aparece nos manuais de forma clara, mas faz diferença na escrita formal.
Já na concordância nominal, os adjetivos devem se flexionar conforme o substantivo que modificam. "Alunos atentos" está correto porque "atentos" concorda em gênero e número com "alunos". Mas e quando temos expressões como "bastante"? Aqui, "bastante" pode ser adjetivo (invariável) ou advérbio (também invariável). A confusão é comum, e muitos escritores acabam usando "bastantes" por analogia errada.
Exceções que causam dor de cabeça
Existem casos em que a regra geral não se aplica. Um deles é o uso de "meio" como advérbio. Diferentemente de outros advérbios, "meio" é invariável: "ela está meio nervosa", não "meia nervosa". Outro exemplo clássico é a expressão "anexo", que deve concordar com o substantivo a que se refere: "As cartas seguem anexas", não "anexo". Na concordância verbal, há situações em que o sujeito vem posposto ao verbo, o que pode levar a erros de interpretação. Por exemplo: "Faltam dois livros na estante". Muitas pessoas erroneamente colocam o verbo no singular, achando que o sujeito é "dois livros". Na verdade, o sujeito é "dois livros", então o verbo deve permanecer no plural.
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Também é importante notar que certos verbos impessoais não têm sujeito e, portanto, ficam na terceira pessoa do singular. Verbos como "haver" no sentido de existência e "fazer" indicando tempo decorrido são exemplos clássicos: "Havia muitas pessoas no evento" e "Faz dois anos que não o vejo". Esses usos são frequentemente ignorados em contextos informais, mas devem ser respeitados em textos formais.
Dicas para evitar erros comuns
Uma técnica útil é identificar o sujeito da oração antes de analisar o verbo. Se o sujeito estiver longo ou dividido, vale a pena isolá-lo mentalmente para verificar a concordância. Além disso, revisar frases complexas lendo-as em voz alta ajuda a perceber descompassos que passam despercebidos na leitura silenciosa. Para a concordância nominal, preste atenção aos adjetivos que se referem a substantivos compostos. Quando há mais de um substantivo, o adjetivo pode concordar no plural ou no gênero do último substantivo, dependendo da intenção. Por exemplo: "menino e menina tristes" ou "menino e menina tristonho", cada uma com seu matiz de significado.
Outro ponto é o uso de pronomes relativos. O pronome "que" retoma o antecedente e o verbo deve concordar com ele. Já o pronome "quem" exige o verbo na terceira pessoa do singular, seguido ou não da preposição "a": "Sou eu quem devo cuidar disto" versus "Fui eu quem deve cuidar disto". A escolha entre essas formas depende do nível de formalidade desejado.
Quando a concordância falha
Nem sempre seguir as regras rigorosamente é a melhor opção. Em textos literários ou criativos, quebras de concordância podem ser usadas deliberadamente para criar efeitos estilísticos. No entanto, isso requer domínio da norma padrão para que a transgressão seja consciente e não um erro acidental. Além disso, em dialetos regionais ou variedades linguísticas menos prestigiadas, as regras de concordância podem variar significativamente. Reconhecer essas diferenças é importante para evitar julgamentos precipitados e promover uma visão mais inclusiva da língua portuguesa.
Em resumo, a concordância nominal e verbal exige prática e atenção aos detalhes. Embora as regras básicas sejam relativamente straightforward, as exceções e nuances tornam o assunto mais complexo do que parece à primeira vista. O segredo está em estudar os casos particulares e aplicar o conhecimento de forma contextualizada.