O que é linfoma não hodgkin: explicação direta
Linfoma não hodgkin é um câncer do sistema linfático, o sistema de defesa do corpo. Afeta os linfócitos, aqueles glóbulos brancos que circulam pelo sangue e pelos linfonodos. Diferente do linfoma de Hodgkin, que tem uma classificação específica baseada na presença das células de Reed-Sternberg, o não hodgkin abrange um grupo muito mais diverso de doenças. São mais de sessenta subtipos reconhecidos hoje.
O que é linfoma não hodgkin, na prática clínica
Na prática, quando um paciente chega com linfonodos aumentados sem causa aparente, o primeiro passo é a biópsia excisional — retira o linfonodo inteiro. Vou ser direto: biópsia por aspiração com agulha fininha não serve. Já vi casos em que o patologista conseguiu dar um laudo de inflamação porque a amostra veio triturada, e o diagnóstico real de linfoma só apareceu numa segunda biópsia. Perdeu-se tempo precioso. O ideal é remover o gânglio por completo e enviar para anatomia patológica com imunohistoquímica. Os subtipos se dividem basicamente em agressivos e indolentes. Os agressivos, como o linfoma difuso de grandes células B, crescem rápido. Podem causar sintomas sistêmicos fortes em poucas semanas: febre, suores noturnos, perda de peso. Os indolentes, como o linfoma folicular, evoluem devagar. Pacientes podem viver anos sem tratamento ativo, apenas com acompanhamento. Isso é importante porque a conduta é diferente. Não se trata a mesma forma um linfoma folicular quanto um difuso de grandes células B.
Diagnóstico e estadiamento
Depois da biópsia, vem a fase de estadiamento. PET-CT com glicose marcada é o padrão-ouro atualmente. Ele mostra onde a doença está espalhada pelo corpo. Também se faz punção da medula óssea para verificar se há infiltração. Exames de sangue Avaliam função hepática, renal, lactato desidrogenase. A LDH elevada é um marcador de carga tumoral e tem valor prognóstico. Pacientes com LDH alta tendem a ter pior resposta ao tratamento em muitos subtipos. O estadiamento segue a classificação de Ann Arbor, com os estágios I a IV. Estágio I afeta um único grupo de linfonodos. Estágio IV significa disseminação para órgãos extralinfáticos, como fígado, medula ou pulmão. Dentro de cada estágio, acrescenta-se a letra B quando há sintomas sistêmicos: febre acima de 38 graus, suores noturnos, perda de peso não intencional maior que dez por cento do peso corporal em seis meses. A letra A indica ausência desses sintomas.
Tratamento
O tratamento depende do subtipo, do estágio, da idade do paciente e das comorbidades. Para o linfoma difuso de grandes células B, que é o mais comum, o protocolo padrão é quimioterapia combinada com rituximabe, chamado R-CHOP. Ciclo de R-CHOP: rituximabe, ciclofosfamida, hidruxidorubicina, vincristina e prednisona. Geralmente se administra a cada vinte e um dias, durante seis a oito ciclos. A resposta costuma ser rápida. Muitos pacientes entram em remissão completa após quatro a seis ciclos. Para os linfomas indolentes, a abordagem pode ser diferente. Muitos pacientes recebem apenas observação ativa no diagnóstico, especialmente se assintomáticos. Quando necessário tratar, opções incluem rituximabe isolado, regimes com bendamustina, ou até terapias-alvo mais recentes. Em casos de linfoma folicular em estágio avançado que não responde, já se dispõe de radioterapia localizada com bons resultados de controle duradouro.
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Um ponto que muita gente não sabe: linfoma não hodgkin de células T é mais raro e muito mais difícil de tratar. Os subtipos de células T geralmente respondem pior à quimioterapia convencional do que os de células B. Aqui entra uma diferença importante na prática. Eu vi um caso de linfoma anaplásico de células grandes, que é um linfoma de células T, onde o tratamento padrão com CHOP não funcionou. A alternativa foi um regime com brentuximabe vedotina, um anticorpo conjugado a quimioterápico que ataca especificamente a proteína CD30 presente nas células tumorais. Esse tipo de abordagem direcionada é o que diferencia o tratamento moderno do que se fazia há dez anos.
Prevenção e fatores de risco
Não existe prevenção direta para a maioria dos linfomas não hodgkin. Alguns fatores de risco são conhecidos: imunossupressão crônica, como em transplantados ou pessoas com HIV, infecções por certos vírus como o Epstein-Barr e o HTLV-1, exposição prolongada a agrotóxicos, e fatores genéticos em alguns casos raros. A maioria dos pacientes não tem nenhum desses fatores identificáveis. O prognóstico geral tem melhorado bastante. Dados do Brasil indicam sobrevida específica para cada subtipo, variando de mais de noventa por cento em alguns linfomas indolentes tratados precocemente a setenta por cento ou menos em subtipos agressivos de células T. O segredo é o diagnóstico precoce e o acesso a tratamento adequado. Quando um paciente relata ínguas que não somem, suores noturnos persistentes ou emagrecimento sem motivo, o encaminhamento para hematologista deve ser imediato. Cada semana conta em linfomas agressivos.
Complicações do tratamento
Quimioterapia Onicológica causa efeitos colaterais previsíveis. Queda de cabelo, náuseas, supressão da medula óssea com diminuição de defesas. O risco de infecções aumenta significativamente durante os ciclos. Pacientes precisam de acompanhamento rigoroso com hemogramas seriados. Em alguns casos, a doxorrubicina do esquema R-CHOP pode causar toxicidade cardíaca. Por isso, antes de iniciar tratamento, faz-se ecocardiograma ou cintilografia miocárdica para avaliar a fração de ejeção do ventrículo esquerdo. Se a função cardíaca estiver comprometida, ajusta-se o regime. Outra complicação que merece atenção: síndrome de lise tumoral. Quando o tumor é muito grande e começa a morrer rápido após a quimioterapia, libera substâncias no sangue que podem sobrecarregar os rins. Pacientes com linfomas de alta carga tumoral recebem hidratação venosa e alopurinol antes mesmo do primeiro ciclo de quimio para prevenir isso. É uma complicação grave mas evitável quando se conhece o risco.
Recidiva e segundas linhagens
Alguns linfomas não hodgkin têm tendência a recair. No linfoma folicular, por exemplo, a recaída é comum mesmo após boa resposta inicial. Quando isso acontece, as opções incluem novos ciclos de quimioterapia, imunoterapia com anticorpos monoclonais, radioterapia de consolidação, ou em alguns casos, transplante autólogo de células-tronco. O transplante de medula óssea autólogo já é rotina para pacientes com linfomas agressivos que recaem precocemente, principalmente se sensíveis à quimioterapia de resgate. Já houve um paciente meu com linfoma difuso de grandes células B que entrou em remissão completa após R-CHOP mas recaiu após dezoito meses. Nesse cenário, fizemos quimioterapia de resgate com ICE e depois transplante autólogo. A recaída tardia tem prognóstico melhor que a precoce. Pacientes que recaem após dois anos da primeira remissão ainda podem ter cura com abordagem agressiva. O problema maior são as recaídas precoces, dentro de doze meses, que indicam doença resistente.