O Que E Novo Acordo Ortografico - Novo Acordo Ortográfico, O Que Mudou? – DDKGWB
Novo Acordo Ortográfico, O Que Mudou? – DDKGWB

O Acordo Ortográfico e a vida real

Eu trabalho com publicação de textos técnicos há mais de quinze anos. Desde 2009, quando o novo acordo ortográfico entrou oficialmente em vigor no Brasil, tenho lidado com as mudanças todo dia. O acuerdo não é só uma questão de mudar grafias: é um processo de adaptação que afeta editores, formadores de opinião e até quem usa Word ou Google Docs no dia a dia.

O que é novo acordo ortográfico

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em 1990, mas só começou a valer de forma prática em 2009 no Brasil. A ideia era padronizar a ortografia entre os países lusófonos, simplificando regras que antes variavam entre Portugal e o Brasil. No fundo, o que mudou foram algumas grafias de palavras que antes se escreviam de formas diferentes conforme o país. Para quem precisa entender o que é novo acordo ortografico, a coisa mais importante é saber que ele abrange basicamente três áreas: o uso do trema, a acentuação dos dígrafos e a ortografia de palavras com prefixos.

Como funcionam as mudanças na prática

Vou direto ao que importa. As principais alterações que eu vejo todos os dias nos textos que revisiono são estas: 1. O trema foi abolido

Palavras como "linguiça", "cinquentena", "sequência" deixaram de ter o trema. Antes se escrevia "lingüiça", agora é "linguiça". Isso vale para todas as palavras da língua portuguesa, incluindo aquelas de origem tupi ou africana que conservavam o diacrítico por tradição. 2. Acentuação diferencial

Existem pares de palavras que se distinguem apenas pela acentuação gráfica. Com o acordo, algumas dessas diferenças foram mantidas e outras foram eliminadas. Por exemplo: "pêra" (fruta) continua com acento para diferenciar de "pera" (rede), mas "para" (verbo) e "para" (preposição) agora se escrevem iguais, sem ambiguidade. 3. Ditongos abertos

Os ditongos abertos "éi", "ói", "éu" perderam o acento nas palavras paroxítonas. "Assembléia" virou "assembleia", "idéia" virou "ideia", "platéia" virou "plateia". Note que isso só vale para palavras paroxítonas. Nas oxítonas, o acento permanece: "herói", "lobói". 4. Prefixos com H

Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com H, mantém-se o H. Exemplos: "hipismo", "higiene", "hinótica". Mas se o prefixo termina em consoante, o H é suprimido: "antialergênico", "paralisia".

Problema específico que encontrei

Num projeto de localização de manual técnico em 2012, deparei-me com um problema interessante: a palavra "extraoficial". Antes do acordo, escrevia-se "extra-oficial". A pergunta era se o hífen deveria ser mantido ou não. Segundo as regras do acordo, quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com vogal diferente, não se usa hífen. Então "extraoficial" está correto. Porém, muitos sistemas de revisão automática (como o corretor do Word em configurações antigas) ainda marcavam a palavra como erro. A solução foi atualizar o dicionário personalizado do editor e configurar as regras de validação para a versão pós-acordo. Isso mostra um ponto que poucos mencionam: o acordo não mudou só a ortografia, mudou também as ferramentas que usamos. Um corretor gráfico desatualizado pode gerar milhares de falsos positivos, o que atrasa a revisão de textos grandes em horas — às vezes em dias, dependendo do volume.

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Erros comuns que eu vejo todo dia

A experiência prática mostra alguns erros recorrentes que vale a pena evitar: Manter o trema por hábito

Pessoas que aprenderam a escrever antes de 2009 frequentemente continuam usando o trema em palavras como "freqüente" ou "bilingüe". Isso é erro. A grafia correta é "frequente" e "bilíngue". Confundir paroxítonas e oxítonas

A regra dos ditongos abertos só se aplica a palavras paroxítonas. Se você acentuar "herói" como "heroí", está errado. O acento no "ó" de "herói" se mantém porque a palavra é oxítona. Usar hífen onde não deve

Palavras como "microondas" e "mandigital" não levam hífen, mesmo começando com prefixos. A tendência do acordo é unir os elementos quando possível.

Quando o acordo não resolve tudo

Uma coisa que eu preciso deixar clara: o acordo ortográfico não padronizou a língua inteira. Questões de pontuação, concordância, regência e sintaxe permanecem regidas pelas gramáticas tradicionais. O acordo trata apenas da ortografia — ou seja, da forma como as palavras se escrevem. Se você está revisando um texto técnico, lembre-se de que o acordo é uma ferramenta a mais, não uma solução completa para todos os problemas de redação. Além disso, existem variações regionais que o acordo não abrangeu. Por exemplo, a pronúncia de "r" e "s" no final de sílabas varia muito entre o Brasil e Portugal, e essas diferenças não foram uniformizadas pelo acordo. Para publicações internacionais, é útil consultar também as normas da Academia Brasileira de Letras e da Portaria nº 61/2015, que detalham o uso prático do acordo no Brasil.

Como verificar o uso correto

Na prática, a forma mais confiável de garantir que um texto está em conformidade com o acordo é usar o Formulário de Verificação Ortográfica do portal da língua portuguesa (portugal.gov.pt), combinado com o dicionário da Academia Brasileira de Letras. Muitos editores profissionais também mantêm uma lista personalizada de palavras aceitas, atualizada regularmente, para evitar falsos positivos em ferramentas automatizadas. O tempo médio para revisar um texto de 50 mil caracteres com essas ferramentas é de cerca de 45 minutos a 1 hora, dependendo do volume de palavras que precisam de verificação manual. Sem a lista personalizada, esse tempo sobe para mais de 2 horas, porque o corretor marca palavras corretas como erradas e o revisor gasta tempo confirmando cada falsa alarme.

Contexto histórico rápido

O acordo foi assinado em Lisboa, em 1990, por oito países: Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. A implementação no Brasil ocorreu gradualmente: a Lei nº 9.294/1996 autorizou a adesão, e o Decreto Presidencial nº 6.583/2008 estabeleceu o calendário de transição, com vigência plena a partir de 1º de janeiro de 2009. Antes do acordo, existiam duas grafias oficiais na comunidade lusófona, o que gerava confusão em publicações bilíngues e na tradução de documentos técnicos. A padronização trouxe economia de tempo para empresas de localização e tradução, que antes precisavam manter dois conjuntos de regras ortográficas.

O que mudou e o que permaneceu

É importante notar que grande parte das regras ortográficas brasileiras permaneceu inalterada. A acentuação dos ditongos "ei" e "oi" nas paroxítonas, por exemplo, é uma mudança recente. Regras como a acentuação dos verbos terminados em "-gar", "-car" e "-quar" continuam as mesmas. A separação silábica também não sofreu alterações significativas. Quem já domina a ortografia portuguesa antes de 2009 não precisa reaprender quase nada. As mudanças são pontuais e afetam, em média, menos de 5% do vocabulário de uso cotidiano. Para textos técnicos, o impacto é ainda menor, porque a terminologia especializada tende a, mesmo quando as regras gerais mudam.