O Que É Pleonasmo Vicioso - Identifique A Alternativa Em Que Ocorre Um Pleonasmo Vicioso - FDPLEARN
Identifique A Alternativa Em Que Ocorre Um Pleonasmo Vicioso - FDPLEARN

O problema dos redundâncias que todo mundo usa e ninguém percebe

Você já viu aquelas frases tipo "subir para cima" ou "entrar para dentro" aparecendo em textos formais, manchetes de jornal, comunicados oficiais? A maioria das pessoas nem repara. Eu reperava, e já perdi tempo corrigindo isso em revisões de clientes que juravam que o texto estava perfeito.

O que é pleonasmo vicioso

Pleonasmo vicioso é aquela repetição desnecessária de uma ideia que já está implícita no verbo ou na palavra principal. O termo "vicioso" é importante aqui, porque nem todo pleonasmo é errado. O pleonasmo retrórico, usado na literatura, é uma escolha estilística. O vicioso é o que acontece quando a redundância surge por preguiça, ignorância ou hábito, e acaba soando mal em qualquer registro formal. A definição seca funciona assim: o verbo já carrega em si o sentido que o adjunto ou advérbio tenta acrescentar. Então, adicionar essa informação extra não agrega nada. Só empobrece a frase.

Os clássicos mais óbvios são os que todo mundo conhece: "subir para cima", "descer para baixo", "empurrar para frente", "afrontar cara a cara", "saltar para fora". O verbo "subir" já indica movimento ascendente. Colocar "para cima" depois é repetir o mesmo conceito duas vezes na mesma oração. O que acontece na prática é que essas expressões se tornaram tão comuns que o ouvido coletivo começou a normalizá-las. Eu revisei um contrato de prestação de serviços onde o advogado escrevia "vistos integralmente" o tempo todo. "Vistos" já implica conhecer algo por completo. O "integralmente" não adicionava informação nova — era só eco.

Um caso mais sutil que encontrei recentemente envolveu a expressão "projetar o futuro". Alguém escreveu um planejamento estratégico com o título "Projetar o futuro da empresa". O verbo "projetar" no sentido figurado já remete a pensar antecipadamente, a imaginar o que vai acontecer. "O futuro" estava redundante porque projetar, nesse uso, só pode se aplicar ao que ainda não existe. A solução foi mudar para "Traçar o futuro da empresa" ou simplesmente " Projetar os próximos passos". Menos palavra, mesmo significado. O difícil não é identificar os óbvios. O difícil é pegar os casos limítrofes, onde a redundância parece quase aceitável. "Olhar para" é um exemplo que gera debate. Tecnicamente, "olhar" já contém a noção de direcionar a vista. Mas "olhar para o horizonte" soa natural em português. Já "olhar para dentro" começa a ficar estranho, porque "olhar para si mesmo" ou "introspecção" são conceitos diferentes do ato físico de dirigir o olhar.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

A regra prática que funciona é a seguinte: tente remover o segundo elemento e ver se a frase mantém o sentido original. Se mantiver, era redundância. Se perder informação importante, talvez não seja vicioso. Por exemplo, "ele fugiu do local" — se você tirar "do local", a frase "ele fugiu" ainda funciona, mas perde precisão. Nesse caso, "do local" é informação útil, não redundância. O problema é que essa régua não funciona para todos os casos. Expressões como "chover canivete" ou "suor frio" são fijações idiomáticas que o português aceitou como parte do vocabulário. Elas são pleonásticas no nível semântico, mas gramaticalmente consolidadas. O pleonasmo vicioso propriamente dito é aquele que não tem essa proteção histórica.

Outro ponto que poucos mencionam: o pleonasmo vicioso aparece com frequência em linguagem burocrática e jurídica. "Medidas cabíveis", "notificação prévia", "acordo ajustado livremente". Esses textos parecem mais formais quando cheios de redundâncias, mas na verdade só demonstram desconfiança do redator em relação à precisão do verbo. É como se ele dissesse: "não confio que 'aplicar' já diga o suficiente, então vou juntar 'medidas cabíveis' para garantir." Na revisão, o que eu faço é ler em voz alta. A redundância costuma criar uma cadência estranha, aquela sensação de que a frase arrasta sem motivo. Quando leio "eles se encontraram cara a cara no salão", a repetição do conceito de proximidade física salta imediatamente. Já "eles se encontraram no salão" transmite a mesma informação essencial sem o peso extra.

Um limite dessa abordagem é que depender exclusivamente da leitura em voz alta funciona melhor para quem tem sensibilidade linguística desenvolvida. Principiantes muitas vezes não percebem a redundância até compararem a versão com e sem o elemento supérfluo lado a lado. Eu costumo sugerir essa técnica de comparação direta para colegas que estão começando a revisar textos. A correção em si é simples, mas o custo de tempo varia. Em um texto de 2 mil palavras, encontrar e corrigir pleonastos viciosos leva em média 15 a 20 minutos, dependendo da densidade do texto. Textos jurídicos e administrativos costumam ter uma concentração muito maior do que textos jornalísticos ou literários.

O risco de ser agressivo demais na correção também existe. Remover toda e qualquer redundância pode deixar o texto rígido e artificial. O português coloquial aceita muitas dessas construções sem nenhum problema. O pleonasmo vicioso como erro de estilo só se aplica quando o registro exige formalidade e economia linguística. Em uma conversa, "desce cá" é perfeitamente natural e até preferível a "desça até aqui". Resumindo o que importa: o pleonasmo vicioso é repetição inútil de conteúdo já expresso pelo verbo ou termo central. A detecção exige comparar a frase com e sem o elemento redundante. A correção é direta, mas deve considerar o registro linguístico e o contexto. E o melhor aviso que posso dar é que a normalização social dessas expressões é o maior obstáculo — quanto mais errada a frase soa para você, mais provável é que alguém muito mais provavelmente a use sem perceber.