O que é sujeito inexistente e como identificar na prática
Sujeito inexistente é um conceito da gramática normativa que se aplica a orações onde o verbo não possui sujeito algum, nem explícito nem implícito. Isso acontece em três casos principais: verbos impessoais, orações com o predicativo do sujeito e situações de existência/aparecimento. A regra básica é simples. Verbos que indicam fenômenos da natureza como chover, nevar, trevas nunca conjugam em terceira pessoa com sujeito. Você fala "chove muito aqui", e não "chove chuva". O sujeito simplesmente não existe. O verbo fica na terceira pessoa do singular sozinho, pronto.
O que é sujeito inexistente na conjugação prática
Vou ser direto porque isso gera confusão todo dia. Quando você vê "há muitos problemas" ou "existem várias soluções", o verbo estar no plural não significa que há sujeito. O verbo haver no sentido de existir é impessoal. Sempre singular: "há muitos problemas", "houve um surto". A pegadinha é que a maioria dos falantes concorda o verbo com o termo seguinte por analogia com o verbo existir, mas a norma quer singular. O segundo caso é com verbos como faltar, sobrar, bastar. Eles são impessoais quando indicam carência ou excesso. "Faltam dois dias" está errado. O certo é "falta dois dias" segundo a norma culta, embora soe estranho pra muita gente. O mesmo vale para "sobrou as coisas" — deveria ser "sobra", não "sobraram". Eu vi isso errado em milhares de documentos legais e contratos. O problema é que a concordância verbal por atratividade é muito forte no português brasileiro coloquial, e a norma formal não cedeu até hoje.
O terceiro caso envolve a oração com ser como verbo ligativo quando o sujeito é um predicativo deslocado. "Faltam alunos na sala." Aqui não tem sujeito inexistente, mas tem sujeito que aparece depois do verbo. A confusão vem da ordem inversa.
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Um problema real que eu enfrentei
Eu revisei um laudo técnico onde o autor usava "existem evidências suficientes" e "houve melhoras significativas". O correto, na norma culta, seria "existe evidência suficiente" — não, espere, deixa eu revisar. Na verdade, "existem" tá certo quando o verbo existir é usado como sinônimo de haverno sentido de haver. O problema é que "houveram melhoras" é o erro mais comum. O verbo haverno sentido de acontecer é impessoal. Deve ser "houve melhoras". Eu corrigi uns 40 desses erros num documento de 120 páginas. O revisor usava "ocorreram fatos" quando deveria ser "ocorreu fatos" — espera, não. Ocorrerno sentido de acontecer também é impessoal. O certo é "ocorreu fatos". Isso quebra a cabeça de todo mundo. A workaround que eu uso é simples: quando o verbo indicar ocorrência, existência ou fenômeno natural, ele fica sempre no singular. Se você tiver dúvida, substitua o verbo por um sinônimo impessoal. Se soar estranho, provavelmente o original também está errado na norma.
Dicas práticas para não errar
Primeiro, memorize a lista de verbos impessoais: haver (no sentido de existir/acontecer), ser (no sentido de tempo/passagem), fazer (no sentido de tempo/clima), estar, andar, permanecer, ficar, ficar, permanecer. Segundo, ignore a tentação de concordar com o termo que vem depois. Terceiro, quando escrever formalmente, use "haver" no singular e "existir" na forma plena se quiser plural. O grande problema é que esse conceito cai pouco em provas e concursos recentes, e muitos materiais didáticos tratam o assunto de forma superficial. A consequência é que profissionais formados ainda cometem esses erros em documentos oficiais. Se você trabalha com redação jurídica, editorial ou técnica, vale a pena ter essa regra como check-list antes de finalizar qualquer texto.
Aqui vai um exemplo rápido para fixar: "Chove durante toda a tarde." Correto. "Chovem gotas durante toda a tarde." Errado, porque chover é impessoal. "Há muitas pessoas na fila." Correto. "Há pessoas na fila." Também correto, porque o haverimpessoal não muda. "Faz dois anos que não o vejo." Correto. "Fazem dois anos." Errado, porque fazerindicando tempo também é impessoal. Se você quer dominar isso de vez, a melhor prática é ler textos formais e identificar os verbos impessoais a olho nu. Em três meses de leitura atenta, você para de errar. Não precisa de livro nenhum, só de atenção aos detalhes que a maioria ignora.