O Que É Zigurate - O Que é Um Zigurate - FDPLEARN
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O que são zigue-zagues de tijolos que não funcionam mais

Você já deve ter visto imagens daqueles monumentos escalonados da Mesopotâmia e pensado que são pirâmides. Não são. São estruturas completamente diferentes em conceito, função e técnica construtiva. A confusão é tão comum que muita gente usa os termos como sinônimos, o que é errado.

o que é zigurate

Zigurate é uma construção religiosa da Suméria, Babilônia e Assíria, datada de mais ou menos 4000 a.C. até 2000 a.C. Basicamente, é uma torre maciça com terraçalhos sucessivos, cada um menor que o anterior, formando uma espécie de escadaria invertida. O topo abrigava um templo dedicado ao deus padroeiro da cidade. Não era um túmulo. Essa parte é importante porque diferencia da arquitetura egípcia. Os materiais principais eram tijolos de barro crus, secos ao sol, com miolo de entulho e pedra. A fachada recebia tijolos queimados para proteção contra intempéries. Algumas das mais conhecidas são o Zigurate de Ur, construído por Ur-Nammu por volta de 2100 a.C., e o Grande Zigurate de Chogha Zanbil, na Elam, Iran. A estrutura de Ur media cerca de 64 metros de base por 12 metros de altura original.

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O que muitas pessoas não entendem é que o zigurate não era um prédio com cômodos internos. Era essencialmente um monte modelado. O acesso ao templo no topo acontecia por escadarias nas laterais, não por corredores internos. Isso muda completamente como se pensa em engenharia estrutural aplicada a construções antigas. O peso era distribuído de forma bastante diferente do que se vê em templos gregos ou romanos posteriores. Um ponto prático que os guias turísticos raramente mencionam: a maior parte do que você vê hoje em ruínas de zigurates são reconstruções modernas. O zigurate de Ur, por exemplo, foi amplamente restaurado durante o mandato de Saddam Hussein nos anos 1960. A camada externa de tijolos queimados, aquela que aparece nas fotos bonitas, foi quase toda reconstruída com tijolos novos marcados com carimbo do governo iraquiano da época. É útil saber isso se você for visitar ou estudar o sítio com seriedade.

A arquitetura mesopotâmica usava o zigurate como marcação vertical no horizonte urbano. As cidades planas da Mesopotâmia não tinham montanhas ou elevações naturais. Construir algo tão alto era uma declaração de poder e devoção. O templo no topo era considerado a residência do deus na terra, não um local de culto coletivo. Sacerdotes entravam, faziam oferendas e saíam. A maioria da população nem chegava perto do topo. Um problema real que aparece quando se estuda zigurates é a questão da inclinação das faces. A maioria das fontes diz que os zigurates tinham faces inclinadas para facilitar o escoamento da água e dar estabilidade estrutural. Na prática, medir essa inclinação em ruínas é complicado porque a erosão e as reconstruções alteram o ângulo original. Encontrei essa dificuldade ao comparar plantas arqueológicas de diferentes períodos de escavação do Zigurate de Chogha Zanbil. As medidas variavam entre estudos diferentes porque cada equipe usava pontos de referência distintos nas ruínas. O que resolveu foi cross-referenciar fotos aéreas antigas com medições in situ, isolando apenas os trechos que claramente eram da estrutura original e não de reparos posteriores.

Outra coisa que quase todo mundo erra é achar que os zigurates eram pintados com cores vivas. Os tijolos de barro cru têm tonalidade amarelada ou avermelhada natural. A ideia de cores fortes vem mais de interpretações artísticas modernas do que de evidência material sólida. Alguns tijolos tinham vidraças esmaltadas em azul ou outras cores, mas isso era aplicado principalmente nas fachadas externas visíveis, não em toda a estrutura. O aspecto geral era provavelmente mais sóbrio do que as reconstituições coloridas que vemos em documentários. A decadência dos zigurates está ligada diretamente à queda das cidades-estado sumérias e, depois, dos impérios babilônico e assírio. Quando o sistema político e religioso que sustentava essas construções desmoronava, os zigurates eram abandonados. O barro cru degradava com chuva e vento. Sem manutenção contínua, uma estrutura assim durava apenas alguns séculos antes de perder a forma original. Hoje restam mostly montes de terra e pedra que os arqueólogos identificam como zigurates por sua forma escalonada e localização em sítios urbanos antigos.