O Que Não Pode Faltar Em Um Cartaz - Checklist do que não pode faltar em um design! 3 pontos mais que ...
Checklist do que não pode faltar em um design! 3 pontos mais que ...

Elementos essenciais num cartaz que funciona

Quando faço revisão de arte para impressão, o primeiro erro que vejo é sempre o mesmo: o cliente coloca tudo no cartaz e nada se lê. Já tive um projeto em que o designer insistiu em meter o QR code ao lado do logótipo com um fundo texturizado em amarelo sobre preto. Resultado? O QR code era indetectável e o logótipo perdia-se na textura. Resolvi aquilo movendo o QR code para um canto com fundo branco sólido e aumentando o contraste do logótipo. Gastei vinte minutos nessa correção que poderia ter sido evitada desde o início. O que não pode faltar em um cartaz começa por ser muito simples, mas a execução é onde a maioria falha. Vou listar os elementos pela ordem em que olho quando recebo um ficheiro para revisão, e explicar porquê.

o que não pode faltar em um cartaz

1. Título ou mensagem principal — Este é o elemento mais importante e o que as pessoas leem primeiro. Se alguém passar a cinco metros de distância, tem de conseguir ler o título. Isso significa letras grandes, contraste suficiente e poucos caracteres. Já vi cartazes com títulos em fonte cursiva fina aplicada sobre fotos escuras. A mensagem era completamente ilegível. Se o título não funciona a três metros, redesenhe-o. 2. Informação de data e hora — Ninguém vai a um evento sem saber quando é. Coloque data e hora de forma clara, preferencialmente junto ao título. Use números, não palavras escritas por extenso. "15 MAR" lê-se mais rápido do que "Quinze de Março" e ocupa menos espaço visual.

3. Localização — O endereço ou nome do espaço onde o evento acontece. Se for um local conhecido pela audiência, o nome basta. Se for um espaço menos óbvio, inclua a morada completa. Eu costumo pedir aos clientes que me digam o endereço exato antes de começar o design, porque às vezes o nome do local que eles usam é diferente da plaquinha da rua. 4. Logótipo ou branding — O logótipo da organização ou entidade promotora deve estar presente, mas não precisa de dominar o cartaz. Um logótipo em branco sobre fundo escuro funciona melhor do que um logótipo colorido sobre um fundo carregado. Já perdi uma manhã inteira a tentar salvar o logótipo de uma associação que tinha insistido em colocar sobre uma fotografia com muitos elementos. No final, usei uma caixa translúcida por baixo do logótipo e o resultado ficou aceitável.

5. Informações de contacto ou chamada para ação — Website, telefone, redes sociais, bilheteira. Escolha um ou dois canais e coloque-os de forma visível. Não coloque dez contactos diferentes. O cérebro humano processa melhor entre uma e três opções. Mais do que isso e o carteleiro tende a ignorar tudo. 6. QR code (se aplicável) — Se vai incluir um QR code, teste-o antes de imprimir. Eu uso sempre o teste com pelo menos três telemóveis diferentes e apps diferentes de leitura. Já aconteceu-me de um QR code funcionar em dois dos três telemóveis que testei e falhar no terceiro, que era o telemóvel do cliente. Imprimimos duzentos cartazes com esse erro. Aprendi a testar com pelo menos cinco dispositivos e cinco aplicativos diferentes.

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Erros comuns que estragam um cartaz

O erro mais frequente é a falta de hierarquia visual. Tudo compete pela mesma atenção e nada se destaca. O olho humano não consegue processar mais de três níveis de informação de forma simultânea num cartaz. Se tiver seis elementos todos com o mesmo peso visual, o resultado é caos. Outro problema comum é a resolução insuficiente. Cartazes são impressos a partir de 72 dpi para telas, mas precisam de no mínimo 150 dpi para impressão em formato grande. Muitas vezes recebo ficheiros de designers que trabalham apenas em ecrã e ficam surpreendidos quando a impressão sai granurada. Verifique a resolução antes de enviar para gráfica.

A paleta de cores também merece atenção. Cores excessivamente saturadas podem causar problemas de impressão, especialmente em grandes formatos. Já vi cartazes que pareciam vibrantes no ecrã e saíram opacos na impressão porque as cores estavam fora do perfil CMYK da gráfica. Sempre que possível, envie o ficheiro já em CMYK e consulte o perfil de cor da gráfica antes de finalizar.

Formatos e tamanhos práticos

Os formatos mais usados em Portugal são o A3, A2, A1 e A0. Para cartazes de eventos pequenos em cafés e universidades, o A3 ou A2 costumam ser suficientes. Para eventos maiores ou campanhas de rua, o A1 ou A0 são mais adequados. O formato A4 raramente funciona bem para cartazes porque a informação torna-se demasiado pequena para ser lida à distância. Se o orçamento permite, considere fazer um teste de impressão em pequeno formato antes de mandar imprimir todo o lote. Custa uns euros a mais mas evita desperdícios significativos. Já fiz isso várias vezes e cada vez que fiz, encontrou algum problema que não havia visto no ecrã. Cores diferentes, textos cortados, margens desiguais. O teste poupa dinheiro e tempo.

Dicas finais

Mantenha o design limpo. Espaços em branco são amigos do cartaz, não inimigos. Deixe que a informação respire. Um cartaz com muito espaço vazio parece profissional; um cartaz cheio de elementos parece amador. Sempre que possível, mostre o design a alguém que não esteja envolvido no projeto antes de imprimir. Pessoas com visão fresca conseguem ver problemas que os criadores não veem porque estão demasiado perto do trabalho.

Verifique todas as informações por duas vezes. Data errada, hora errada, endereço errado. São erros simples que acontecem frequentemente e que depois obrigam a retirar toda a impressão para refazer. Leva dois minutos para verificar e pode poupar horas de trabalho. O cartaz é uma ferramenta de comunicação visual rápida. A mensagem tem de ser compreendida em segundos, não em minutos. Pense nisso a cada decisão de design que tomar.