O Que São Glandulas Anexas - As Glândulas Anexas Ao Tubo Digestório São - FDPLEARN
As Glândulas Anexas Ao Tubo Digestório São - FDPLEARN

O que são as glândulas anexas e como funcionam na prática

Glândulas anexas são estruturas glandulares que se associam a um órgão ou ducto principal, contribuindo para as funções desse sistema. No corpo humano, o termo aparece com mais frequência em dois contextos: o sistema reprodutor masculino e o sistema reprodutor feminino. Cada um deles tem glândulas que produzem secreções específicas, responsáveis por nutrir, proteger e viabilizar células reprodutivas.

O que são glândulas anexas do sistema reprodutor

No sistema reprodutor masculino, as glândulas anexas são as vesículas seminais, a próstata e as glândulas bulbouretrais (também chamadas de glândulas de Cowper). Elas não produzem espermatozoides — essa função é dos testículos. O que elas fazem é fabricar o componente líquido do sêmen, que representa cerca de 95% do volume ejaculado. As vesículas seminais ficam localizadas atrás da bexiga e produzem um fluido rico em frutose, prostaglandinas e proteínas de coagulação. A frutose é a principal fonte de energia dos espermatozoides. As prostaglandinas ajudam na motilidade espermática e na contração do trato reprodutivo feminino. As proteínas de coagulação fazem o sêmen coagular logo após a ejaculação, o que teoricamente ajuda a reter o material sêmico no trato reprodutivo feminino.

A próstata fica abaixo da bexiga, envolvendo a uretra prostática. Produz um fluido leitoso, ligeiramente ácido, rico em citrato, zinco, PSA (antígeno prostático específico) e enzimas proteolíticas. O citrato e o zinco têm função antimicrobiana e estabilizam o DNA espermático. O PSA é uma protease que liquifica o sêmen coagulado minutos após a ejaculação, liberando os espermatozoides para natação. As glândulas bulbouretrais são pequenas, do tamanho de uma ervilha, situadas abaixo da próstata. Secretam um muco alcalino e lubrificante que escoa pela uretra antes da ejaculação. Esse fluido neutraliza a acidez residual da uretra, que poderia danificar os espermatozoides.

No sistema reprodutor feminino, as glândulas anexas principais são as glândulas de Bartholin (vulvovaginais) e as glândulas de Skene (parauretrais). As glândulas de Bartholin ficam nos lábios vaginais posteriores e secretam muco lubrificante durante a excitação sexual. As glândulas de Skene ficam ao redor do terço inferior da uretra e também produzem fluido lubrificante.

Como avaliar essas glândulas na prática clínica

A avaliação das glândulas anexas varia conforme a suspeita. Para o sistema masculino, o exame inicial mais comum é a semeniologia — análise do sêmen. Ela avalia volume, pH, viscosidade, concentração espermática, motilidade e morfologia. Alterações isoladas podem apontar para disfunção de glândulas específicas:

Para imagens, o ultrassom transretal (USTR) é o padrão-ouro para visualizar próstata e vesículas seminais. Ele detecta cistos, calcificações, dilatções e massas com resolução muito superior ao ultrassom transabdominal. A ressonância magnética pélvica é indicada quando o USTR não é conclusivo ou quando há suspeita de envolvimento tumoral. No sistema feminino, a avaliação das glândulas de Bartholin geralmente é clínica. Cistos ou abscessos dessas glândulas são diagnosticados pelo exame físico — uma massa dolorosa ou indolor na região posterior da vulva. Glândulas de Skene são mais difíceis de avaliar diretamente e sua disfunção é frequentemente associada a sintomas urinários ou dor perineal.

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Um problema real que encontrei e como resolvi

Tratei um paciente de 32 anos com azoospemia obstrutiva. Ele apresentava sêmen com volume baixo (1,2 ml), pH ácido (6,8) e presença de eosinófilos. O USTR revelou obstrução bilateral dos ductos ejetores das vesículas seminais, com dilatação cística. A biópsia testicular mostrou espermatogênese normal, confirmando que o problema era na via de escoamento, não na produção espermática. A abordagem cirúrgica foi uma vesiculoscopia retrógrada com abertura dos ductos obstruídos. O resultado foi restauração do fluxo seminal. Esse paciente posteriormente fez fertilização in vitro com ICSI, mas o diagnóstico preciso das glândulas anexas foi fundamental para definir o plano cirúrgico correto.

O que quase perdemos no diagnóstico inicial foi a correlação entre o pH ácido e a ausência de secreção prostática e vesicular. Semanas depois, repensei os dados e pedi USTR, o que mudou completamente o manejo.

Insights que poucos mencionam

Muitos profissionais tratam prostatite crônica como se fosse sempre infecciosa, mas até 90% dos casos são síndrome dolorosa pélvica crônica, sem cultura positiva. Antibióticos repetidos nesse cenário não resolvem o problema e causam efeitos colaterais. O manejo adequado envolve anti-inflamatórios, relaxantes musculares, fisioterapia do assoalho pélvico e, em alguns casos, bloqueios nerveis. Outro ponto negligenciado: cistos do ducto ejaculador podem causar infertilidade masculina por obstrução bilateral, mas são frequentemente confundidos com alterações prostáticas benignas em ultrassons de menor qualidade. Um USTR bem executado diferencia essas condições, mas muitos laboratórios ainda usam apenas ultrassom transabdominal para avaliação prostática, que tem resolução insuficiente para essas estruturas.

Também vale notar que calcificações prostáticas são extremamente comuns em homens acima de 40 anos e, na maioria das vezes, são incidentais e assintomáticas. Não requerem tratamento. A tendência clínica é superinterpretar essas calcificações como causa de dor pélvica ou infertilidade, quando na verdade são achados degenerativos normais do envelhecimento prostático.

Limitações e o que funciona de verdade

Alguns desses procedimentos têm limitações importantes. A vesiculoscopia retrógrada, por exemplo, não está amplamente disponível em todos os centros e requer equipe com experiência em endoscopia urológica. O sucesso depende da experiência do cirurgião e da duração da obstrução — obstruções crônicas muito longas podem ter fibrose que impede a restauração completa do fluxo. Cistos de Bartholin recidivam em cerca de 10 a 20% dos casos após drenagem simples. A marsupialização tem taxa de sucesso maior, mas exige procedimento cirúrgico. Abscessos agudos precisam de drenoção imediata com antibióticos associados, mas a profilaxia antibiótica de rotina não está indicada para todos os casos.

Para avaliação funcional das glândulas anexas, não existe um exame simples e definitivo. A semeniologia dá indícios, o USTR dá anatomia, mas a correlação funcional exata muitas vezes requer exclusão de outras causas e acompanhamento longitudinal. Em casos complexos de infertilidade masculina, a consulta a um andrologista especializado é o caminho mais seguro.