O conceito de países desenvolvidos e subdesenvolvidos
Essa é uma pergunta que aparece bastante em fóruns e grupos de estudo, mas a resposta não é tão simples quanto a maioria dos materiais didáticos deixa entender. Vou explicar como funciona na prática, incluindo alguns problemas que eu enfrentei quando precisei aplicar esses conceitos em análises mais sérias.
O que são países desenvolvidos e subdesenvolvidos
No sentido tradicional, países desenvolvidos são aqueles com indicadores sólidos de industrialização, renda per capita elevada, infraestrutura completa e sistemas de saúde e educação funcional. Países subdesenvolvidos, ou em desenvolvimento, têm dificuldades estruturais em uma ou mais dessas áreas. O Brasil, por exemplo, é considerado um país em desenvolvimento porque, apesar de ter uma indústria relevante, ainda apresenta desigualdade social alta e infraestrutura irregular em várias regiões. O problema é que essa classificação é ultrapassada. O termo "subdesenvolvido" já foi muito usado pela ONU nas décadas de 1950 a 1970, mas caiu em desuso justamente porque carrega um viés preconceituoso. Hoje se prefere "países em desenvolvimento" ou "nações de baixa e média renda". E aí entra a primeira armadilha que todo mundo acaba caindo.
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Eu precisei classificar países para um relatório de análise de mercado anos atrás, e o primeiro obstáculo foi que não existe uma lista oficial única. O FMI tem uma classificação própria, o Banco Mundial usa renda per capita, a ONU tem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e a CIA World Factbook faz outra separação completamente diferente. Eu passei duas semanas tentando alinhar esses dados porque cada fonte classificava Coreia do Sul de um jeito, por exemplo. A solução que funcionou foi usar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do PNUD como referência principal e cruzar com a classificação de renda do Banco Mundial. Assim evitei dependência de uma única metodologia. Agora vou direto ao que realmente importa e que poucos mencionam: a classificação baseada apenas em PIB per capita é enganosa. Noruega e Catar têm rendas per capita altíssimas, mas a Noruega tem uma base econômica diversificada enquanto o Catar depende quase totalmente de petróleo. Isso faz toda a diferença quando você está analisando resiliência econômica. Países que parecem desenvolvidos por números podem ser extremamente vulneráveis a choques externos.
Outro ponto que as pessoas ignoram é o conceito de "países emergentes". Brasil, Índia, China, Indonésia são chamados assim porque estão em crescimento acelerado, mas isso não significa que sejam desenvolvidos. China e Índia, por exemplo, têm PIBs totais gigantescos, mas sua renda per capita ainda é baixa porque a população é enorme. Classificar a China como país desenvolvido só porque seu PIB total é alto é um erro comum que seeve em análises reais. Tem também a questão dos países desenvolv endos que não encaixam em nenhuma categoria fácil. Vietnã e Bangladesh têm crescido muito rápido na última década, com manufatura forte, mas ainda têm indicadores sociais que os mantêm na classificação de em desenvolvimento. Já Uruguai e Costa Rica têm indicadores sociais próximos aos países desenvolvidos, mas economias menores que os tirem da classificação de alta renda do Banco Mundial.
Uma informação útil que raramente aparece: o Banco Mundial atualiza sua classificação trimestralmente com base na renda nacional bruta (RNB) per capita. Em 2024, a linha para país de alta renda era algo em torno de US$ 13.845. Você pode consultar o site do Banco Mundial a qualquer momento e ver a lista atualizada, o que é mais confiável do que qualquer artigo que você vai encontrar na internet. Se você está estudando isso para uma prova ou trabalho acadêmico, o mais seguro é usar o IDH. Países com IDH acima de 0,8 são considerados de desenvolvimento muito alto e praticamente todos se encaixam no que o senso comum chama de desenvolvidos. A lista completa e atualizada fica no site do PNUD, acesso gratuito.