O Que São Paralelos E Meridianos - Paralelos e meridianos: o que são, diferenças - Escola Kids
Paralelos e meridianos: o que são, diferenças - Escola Kids

A rede que segura qualquer mapa que você já viu

Paralelos e meridianos não são inventos abstratos de um livro didático. São linhas de referência que permitem que alguém me mande coordenadas de um endereço no WhatsApp e eu consiga clicar num mapa e saber exatamente onde é. Sem elas, logística, navegação, sistemas de georreferenciamento e praticamente qualquer coisa que dependa de "onde" simplesmente não funcionaria. O sistema funciona assim: paralelos são linhas horizontais que vão do equador em direção aos polos, medindo latitude. Meridianos são linhas verticais que ligam o polo norte ao sul, medindo longitude. O ponto de partida é o equador para a latitude e o meridiano de Greenwich para a longitude. Isso é o básico, mas é o básico que sustenta o resto.

o que são paralelos e meridianos e por que eles não são o que você pensa

A maioria das pessoas aprende que paralelos e meridianos formam uma grade perfeita sobre a Terra. Não formam. A superfície terrestre não é uma esfera perfeita, e tentar tratar como se fosse causa problemas reais em projetos de engenharia, topografia e mapeamento. O que eu uso na prática são sistemas de referenciais geodésicos. O mais comum no Brasil é o SIRGAS 2000, que leva em conta o geoide — o formato real da Terra, que é mais parecido com uma batata do que com uma bola. Antigamente usava-se o SAD 69, que era baseado num elipsoide diferente. Se você pega dados antigos no SAD 69 e coloca num sistema SIRGAS sem fazer o datum shift, seu ponto pode terminar uns trezentos metros deslocado. Já vi isso acontecer em projetos de cadastro territorial onde o erro passou despercebido até a inspeção de campo. Os paralelos são chamados formalmente de isotérmicas ou círculos de latitude. O equador é o paralelo zero. Quanto mais você sobe ou desce, mais perto chega de 90 graus norte ou 90 graus sul, que são os polos. Os meridianos são semicírculos que passam por ambos os polos. O meridiano inicial é o de Greenwich, definido internacionalmente em 1884, mas antes disso cada país usava o seu próprio. Os Estados Unidos usavam o meridiano de Washington por um tempo. Isso significa que mapas antigos podem ter coordenadas de longitude que parecem erradas quando comparadas com sistemas modernos. Se você estiver trabalhando com documentos históricos ou mapas escaneados, essa discrepância aparece com frequência.

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O que as pessoas costumam não entender é que a distância entre meridianos não é constante. No equador, um grau de longitude corresponde a cerca de 111 quilômetros. Conforme você se aproxima dos polos, essa distância diminui. No paralelo de 60 graus, um grau de longitude vale apenas cerca de 55 quilômetros. Os paralelos, por outro lado, mantêm uma relação direta com a distância polar. Um grau de latitude é aproximadamente 111 quilômetros em qualquer lugar. Essa diferença de comportamento entre latitude e longitude é a razão pela qual projeções cartográficas distorcem coisas de formas tão estranhas. A projeção de Mercator, a mais conhecida, estica os países próximos aos polos de maneira absurda. A Groenlândia parece do tamanho da África num mapa Mercator, quando na realidade a África é quinze vezes maior. Na prática, quando você precisa trabalhar com coordenadas, o primeiro passo é saber qual sistema de referenciais está sendo usado. Coordenadas brutass em grau decimal, grau minuto segundo, ou algo no formato UTM. O formato UTM divide o mundo em sessenta zonas, cada uma com seis graus de longitude de largura. É útil porque transforma latitude e longitude em metros dentro de cada zona, o que facilita cálculos de distância e área. O problema é que UTM não funciona bem perto dos polos, além da zona 31 norte ou abaixo da zona 17 sul. Nesses casos, usa-se UPS, que é o sistema polar. Se você está num projeto que cobre toda a extensão do Brasil e precisa calcular áreas, trabalhar diretamente em grau decimal vai te dar resultados errados. A conversão para UTM dentro da zona correta resolve isso na maioria das vezes.

Outro detalhe que causa confusão é a diferença entre grau astronômico e grau geodésico. O grau astronômico é determinado pela observação das estrelas, enquanto o grau geodésico é calculado com base num modelo matemático do formato da Terra. Eles não coincidem perfeitamente. Em medições de alta precisão, essa diferença importa. Para uso geral, como navegar com um GPS ou colocar um ponto num app de mapa, você não nota. Mas se você está fazendo um levantamento topográfico para uma obra, a diferença pode ser relevante. GPS moderno com correção diferencial consegue precisão de poucos centímetros, mas isso depende de você estar usando o referencial correto e aplicar as correções adequadas. Se você precisa baixar dados brutos de coordenadas, existem fontes públicas. O IBGE no Brasil disponibiliza bases geodésicas e malhas municipais. O site do INPE também tem dados de satélites com informações georeferenciadas. Para uso internacional, o USGS tem dados topográficos globais e o OpenStreetMap oferece dados vetoriais que podem ser processados com ferramentas gratuitas. Nada disso substitui o conhecimento de como as coordenadas foram construídas, mas economiza tempo que você gastaria gerando dados do zero.

A regra prática que eu seguia antes de entrar em qualquer projeto é simples: antes de qualquer coisa, verifique o datum, a projeção e a zona. Anota isso num papel se precisar. Se você pular essa etapa, vai passar horas tentando descobrir por que os pontos não encaixam no mapa. Coordenadas que parecem certas no papel podem não corresponder ao local correto no terreno se o sistema de referência estiver errado. É um erro comum, e quase sempre aparece nas últimas etapas de um trabalho, quando já se gastou muito tempo e dinheiro.