Como o sistema elétrico do veículo faz o motor ligar
A maioria das pessoas acha que basta virar a chave e o carro liga. A verdade é mais simples e mais complicada ao mesmo tempo. O sistema elétrico do veículo é responsável pelo acionamento do motor de arranque, que por sua vez gira o virabrequim até que a combustão interna assuma o controle. Sem isso, você tem um carro pesado.
o sistema eletricodo veiculo é responsavel pelo acionamento
O motor de arranque é um motor elétrico de corrente contínua com imãs permanentes ou enrolamentos de campo, dependendo do modelo. Ele recebe uma corrente muito alta diretamente da bateria quando você gira a chave na posição de partida. Um solenoide empurra a engrenagem pinhão para engatar no volante do motor. Aí o motor de arranque gira. Quando você solta a chave, o solenoide recoloca a pinhão e a corrente cessa. O problema é que nada disso é garantido. Eu passei dois dias com um Fiat Palio 1.0 de 2003 que não queria dar partida em dias quentes. O motorista ficava furioso, eu ficava mais furioso ainda. O sintoma era claro: ao girar a chave, ouvia-se apenas um clique seco do solenoide, mas o motor de arranque não girava. Bateria boa. Cabos bons. Terminal de massa limpo. Nada.
O defeito era na parte interna do solenoide do motor de arranque. O contato que deveria fechar o circuito de potência entre a bateria e o motor de corrente contínua estava oxidado. Com o calor do motor, as partes metálicas dilatavam de forma diferente e o contato falhava. Com o motor frio, às vezes funcionava. A solução foi desmontar o solenoide, limpar os contatos com lixa d'água bem fina e aplicar graxa isolante leve nos terminais. Funcionou. Problema resolvido por enquanto, porque o desgaste interno continua. Em algum momento vai precisar de um solenoide novo. Existe um detalhe que muita gente ignora. A corrente que passa pelo sistema de partida pode chegar a 200 amperes em motores a gasolina e mais de 400 amperes em diesel. Isso significa que cada connexão, cada terminal, cada cabo precisa estar em perfeito estado. Um cabo de bateria com 3 milímetros quadrados a menos do que o especificado já causa uma queda de tensão significativa. Vou te mostrar como entender isso na prática.
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A bateria precisa ter no mínimo 12,6 volts em repouso para considerar que está carregada. Quando você gira a chave, a tensão não pode cair abaixo de 9,6 volts durante o giro do motor de arranque. Se cair para 8 volts ou menos, algo está errado. Pode ser bateria fraca, cabo ruim, ou conexão corrupta. Use um multímetro simples. Coloca na escala de volts DC, conecta os cabos no borne positivo e negativo da bateria, e observa a leitura enquanto alguém gira a chave. O relé de partida é outro componente que falha com frequência. É aquela caixa quadrada preta no quadro de fusíveis ou no compartimento do motor. Ele recebe o sinal da ignição e fecha o circuito de alta corrente para o motor de arranque. Teste rápido: troque por um relé idêntico de outro circuito que não seja crítico, como o relé dos faróis. Se o carro passar a dar partida, o problema era o relé. Se não, o defeito está no motor de arranque, nos cabos ou na bateria.
Fusíveis também entram nessa história, mas raramente são o culpado principal. Um fusível queimado no circuito de partida geralmente indica um curto-circuito em algum lugar. Se vocêar o fusível e ele queimar novamente na primeira tentativa de partida, procure por um fio descascado encostando no chassi. Isso acontece com mais frequência do que parece, especialmente em veículos mais antigos onde a isolation dos cabos se deteriora com o tempo e a vibração. O interruptor de ponto morto também merece atenção. Em carros com câmbio automático, o sistema de partida só funciona quando a alavanca está em Park ou Neutral. Esse interruptor fica ligado ao corpo da caixa de câmbio. Se ele estiver sujo ou desajustado, o carro não dá partida mesmo com tudo o resto funcionando perfeitamente. Teste simples: tente dar partida em Neutral. Se funcionar, mas não funcionar em Park, o interruptor está com problema.
Em veículos mais modernos, a coisa complica. O módulo de controle do motor (ECU) precisa receber um sinal de autorização antes de permitir o acionamento do motor de arranque. Alguns carros têm um sistema antifurto que corta o circuito de partida se a chave não for reconhecida. Se você tiver uma chave reserva e o carro ligar com ela mas não ligar com a original, o problema está no transponder da chave, não no sistema elétrico em si. Outro ponto que muita gente deixa passar é a qualidade dos cabos de massa. O motor precisa de um retorno de corrente limpo para o chassi e de volta para a bateria. Se o cabo de massa principal estiver corroído ou frouxo, toda a corrente de partida vai encontrar resistência. O sintoma é um giro lento do motor de arranque mesmo com bateria nova. Solução: retire o cabo de massa do chassi, limpe a superfície de contato com uma escova de arame, aplique um pouco de pasta condutiva e reaperte com o torque correto. Não use lixa comum nos terminais, porque o ácido sulfúrico residual da bateria reage com alguns tipos de lixa e cria uma camada isolante.
Quando tudo mais falha e o motor de arranque simplesmente não responde, o teste final é a medição de queda de tensão nos cabos durante a partida. Conecte o multímetro em paralelo com o cabo positivo da bateria e meça a queda de tensão entre o borne da bateria e o terminal de alimentação do motor de arranque. Se a queda for maior que 0,5 volts durante o giro, há resistência excessiva no cabo ou nos conectores. O mesmo teste deve ser feito no lado negativo, entre o chassi e o borne negativo da bateria. Queda superior a 0,3 volts indica problema de massa. Isso é o básico. Se você seguir esses passos na ordem certa, consegue diagnosticar a grande maioria dos problemas de partida sem gastar dinheiro em oficinas. O importante é não pular etapas. Trocar a bateria porque o carro não liga sem antes testar os cabos e conexões é jogar dinheiro fora. A bateria pode estar perfeita e o defeito estar num parafuso frouxo escondido debaixo do capô.