Objetos Que Foram Destruídos Durante O Incêndio No Museu Nacional - O que foi perdido no incêndio do Museu Nacional? - Brasil Escola
O que foi perdido no incêndio do Museu Nacional? - Brasil Escola

O que resta quando o tempo não é nada contra um incêndio

O incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro aconteceu na noite de 2 de setembro de 2018. O prédio do Quinta da Boa Vista pegou fogo e levou quase oito horas para ser controlado. Das aproximadamente 20 milhões de peças que compunham o acervo, estima-se que cerca de 90% foram perdidas ou severamente danificadas. Não tenho uma lista exaustiva de todos os objetos que foram destruídos durante o incêndio no museu nacional porque as autoridades competentes ainda estão trabalhando em um inventário mais preciso, mas o saldo já é conhecido por imagens e documentações anteriores.

Principais categorias de objetos que foram destruídos durante o incêndio no museu nacional

O acervo era dividido em várias áreas, cada uma com seu próprio contingente de perdas. A coleção de arqueologia era uma das mais afetadas. Peças pré-históricas brasileiras, incluindo ossadas humanas de milhares de anos, materiais líticos e cerâmicas indígenas simplesmente desapareceram. O Museu de Antropologia carregava um acervo de peças etnográficas de povos originários do Brasil e de outras regiões do mundo. Muitas dessas peças eram únicas, sem réplica em nenhuma outra instituição. A Paleontologia também foi violentamente atingida. Fósseis de dinossauros, mamíferos extintos, trilobitas e outros restosorganísmos fossilizados que levaram milhões de anos para se formar foram reduzidos a cinzas ou fragmentos inutilizáveis. A peça mais famosa nessa seção, a múmia de uma criança mastodonte chamada Bata, foi uma das perdas simbólicas mais sentidas. Não havia nada como ela em qualquer outro lugar.

A área de Etnologia abrigava coleções de objetos sagrados, ferramentas, instrumentos musicais, cestarias e tecidos de povos indígenas brasileiros. Muitas dessas peças nem sequer estavam catalogadas de forma completa. O acervo de história natural continha exemplares de zoologia e botânica em álcool e formol que, junto com os recipientes, evaporaram ou queimaram. Os esqueletos empalhados de animais ficaram expostos ao fogo e ao calor extremo. A numismática tinha uma coleção de moedas que remontava ao período colonial português. Anéis, joias e objetos de uso pessoal da coleção real também foram consumidos. A área de História do Brasil guardava documentos, pinturas, móveis e utensílios que contavam a trajetória do país desde a chegada da família real em 1808 até o final do Império.

O conhecido vaso de São Roque, uma peça de porcelana chinesa do século XVIII doada por D. Pedro I, também foi destruído. A estátua de bronze chamada O Bugreiro, que ficava no jardim do palácio, resistiu parcialmente ao incêndio porque estava ao ar livre, mas foi seriamente danificada pelo calor e pela água usada pelos bombeiros. Um dos itens mais dolorosos para a comunidade científica foi a perda do crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo encontrado no Brasil, com cerca de 11.500 anos. Ele era a peça central da coleção de antropologia física e servia como referência para debates sobre a povoamento das Américas. Perder algo assim não tem preço.

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A questão da documentação

Um problema prático que enfrentei ao tentar reconstruir uma lista parcial do que foi perdido é a falta de digitalização prévia do acervo. O museu havia iniciado projetos de digitalização nas décadas anteriores, mas a maioria das peças nunca saiu dos estojos originais. Isso significa que muitos objetos só são conhecidos por descrições em catálogos impressos ou fichas de papel, grande parte das quais também pereceu no incêndio. Quando tentei mapear peças específicas, encontrei uma situação complicada: os inventários disponíveis online eram incompletos, muitos dados estavam espalhados em bases institucionais que hoje estão inacessíveis ou desatualizadas. A Universidade Federal do Rio de Janeiro, que administra o museu, disponibilizou parcialmente algumas listas em seus canais oficiais, mas a cobertura é desigual. Não existe um catálogo único e atualizado de objetos que foram destruídos durante o incêndio no museu nacional que possa ser baixado como um arquivo completo.

O que existe são esforços pontuais de pesquisadores que estão reconstruindo informações a partir de publicações antigas, fotografias de acervo, artigos científicos que citavam peças específicas e registros de empréstimos entre instituições. Esse trabalho de reconstrução leva tempo. Eu gastei semanas apenas para cruzar dados de publicações da década de 1990 com o que restou dos acervos digitais para tentar entender a magnitude de uma seção específica. O resultado nunca é 100%, mas ajuda a ter noções parciais.

O que fazer com o que resta

Parte do acervo original foi transferido antes do incêndio para outras instituições, como o Museu Imperial em Petrópolis e o Parque Biológico Emília Paraguaçu do Souza, que fica na própria Quinta da Boa Vista. Essas-transferências, though feitas de forma emergencial, salvaram algumas centenas de peças, mas representam uma fração minúscula do total. Projetos de reconstrução digital do acervo estão em andamento. A iniciativa Mais Museus, do Ministério da Cultura, criou um portal com imagens digitalizadas de parte do acervo que sobreviveu. Não é o acervo completo, mas serve como referência para pesquisadores que precisam localizar peças que já foram destruídas fisicamente.

Se você está procurando informações sobre objetos específicos que foram destruídos durante o incêndio no museu nacional, recomendo começar pelos portais da UFRJ, do Ministério da Cultura e debases como o Scielo, onde pesquisadores publicaram artigos detalhando perdas setoriais. A documentação acadêmica é atualmente a fonte mais confiável disponível.