Onde Encontramos Água Salgada
A água salgada compõe cerca de 97,5% de toda a água do planeta. Os oceanos são o principal reservatório, mas não são os únicos lugares onde você vai encontrar esse tipo de água. Vou listar os locais de forma prática, sem rodeio.
Onde encontramos água salgada no Brasil e no mundo
Os cinco oceanos são a fonte mais óbvia: Pacífico, Atlântico, Índico, Ártico e Antártico. Juntos, eles concentraram cerca de 1,35 bilhão de quilômetros cúbicos de água com salinidade média de 35 partes por mil (ppt). Isso significa que para cada litro de água do mar, em média, há 35 gramas de sais dissolvidos, sendo o cloreto de sódio o mais abundante. Além dos oceanos, existem mares fechados ou semifechados com salinidade acima da média. O Mar Morto, na fronteira entre Jordânia e Israel, chega a 342 ppt. O Grande Lago Salgado, nos Estados Unidos, varia entre 50 e 280 ppt dependendo da estação. No nordeste brasileiro, a Lagoa Vermelha e a Lagoa de Cima do Mato, no Rio Grande do Norte, também têm salinidade elevada, embora não passem de 80 ppt.
Águas subterrâneas salgadas são menos conhecidas, mas relevantes. O Aquífero Guarani, por exemplo, tem zonas intrudidas por água salina em partes do seu entorno, especialmente onde a extração excessiva permite a migração de fluidos salinos. No sertão nordestino, poços artesianos frequentemente encontram água com teor de sódio e cloreto alto, o que a torna imprópria para irrigação sem tratamento prévio. Salinas naturais formadas pela evaporação da água do mar são outra ocorrência comum. No Rio Grande do Norte e no Ceará, as salinas produzem cerca de 80% do sal marinho consumido no Brasil. A água é direcionada para piscinas de evaporação e, em questão de semanas, o NaCl cristalino se deposita no fundo.
Geleiras e icebergs contêm traços mínimos de sal, mas tecnicamente não são consideradas fontes de água salgada. O gelo formado a partir da água do mar expulsa a maior parte dos sais, resultando em água praticamente doce quando derretida. Isso é relevante para destilação de emergência em ambientes polares. Um problema que eu enfrentei na prática envolveu a análise de água subterrânea salina em um poço testemunhal no litoral pernambucano. A salinidade variava de 2.000 a 8.000 µS/cm de condutividade elétrica, com picos de cloreto superiores a 2.500 mg/L. O equipamento de campo que eu usava, um medidor de condutividade portátil calibrado para águas doces, saturava rapidamente. A solução foi diluir a amostra em proporção de 1 para 10 com água destilada e aplicar o fator de correção correspondente. Sem isso, os dados ficavam inutilizáveis.
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Como medir e classificar a salinidade na prática
A técnica mais comum em campo é usar condutivímetros. A condutividade elétrica da água aumenta proporcionalmente à concentração de íons dissolvidos. Uma leitura de 50.000 µS/cm, por exemplo, corresponde aproximadamente a 25 ppt de salinidade. A conversão exata depende da temperatura, então o equipamento deve compensar automaticamente para 25°C. Para valores mais precisos, especialmente em estudos oceanográficos, utiliza-se a refratometria ou a titulométria por nitrato de prata. O método de Mohr, que usa cromato de potássio como indicador, ainda é o padrão em laboratórios de química da água, embora demande tempo e reagentes específicos.
Um detalhe que muitos negligenciam é a variação sazonal da salinidade em mares costeiros. No verão, a evaporação pode elevar a concentração em até 10% em relação ao inverno. Se você está coletando dados para um projeto de pesquisa ou monitoramento ambiental, faça medições em pelo menos duas estações diferentes para capturar essa variabilidade. Caso contrário, seus resultados podem levar a conclusões equivocadas sobre a qualidade da água local. A dessalinização por osmose reversa é a tecnologia predominante para transformar água salgada em água potável. Usinas no Oriente Médio, como a Shoaiba na Arábia Saudita, produzem milhões de metros cúbicos por dia. No Brasil, há unidades operando no Rio Grande do Norte e em Fortaleza, atendendo comunidades costeiras e indústrias. O custo energético gira em torno de 3 a 4 kWh por metro cúbico produzido, o que ainda é caro comparado ao tratamento de água doce convencional.
O rejeito da dessalinização, chamado de salmoura, representa um problema ambiental sério. A descarga direta no mar aumenta a salinidade local e pode afetar organismos bentônicos. Algumas usinas misturam a salmoura com efluentes tratados antes do descarte, o que dilui a concentração e reduz o impacto. Essa prática não resolve o problema na origem, mas é uma medida minimizadora amplamente adotada. A água salgada também é explorada para extração de minerais além do sal. O magnésio, o bromo e o potássio são recuperados de grandes volumes de água do mar. A mina de potássio de Camamu, na Bahia, por exemplo, processa salmoura extraída de poços profundos para produzir fertilizantes. O rendimento depende da concentração original do íon no fluido, que varia de acordo com a geologia local.
Se você precisa de dados confiáveis sobre salinidade em uma região específica, o banco de dados do NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) oferece medições globais gratuitas. No Brasil, a ANA (Agência Nacional de Águas) publica informações de qualidade da água, embora a cobertura de parâmetros salinos seja mais restrita a regiões costeiras. Para estudos acadêmicos, a rede de boias oceanográficas da COPPE/UFRJ oferece séries temporais de salinidade no Atlântico Sul.